Manuela D’Ávila: quem são os que votaram em Bolsonaro?

Manuela D’Ávila está fazendo um giro pelos países europeus falando do seu ponto de vista sobre a política brasileira. Atualmente em Paris, ela deu uma entrevista para a Rádio França Internacional (RFI). Nessa entrevista ela expôs a política de conciliação que o PCdoB e outros setores da esquerda estão tentando fazer com a direita tradicional, apelidada de centrão.

Ela começou ressaltando a necessidade de fortalecer a democracia brasileira, que para a esquerda pequeno-burguesa, na verdade significa procurar acordos com o DEM, PSDB e outros partidos do centrão.

“É preciso dialogar com quem não votou na nossa candidatura, e com aqueles que não foram às urnas, que representam quase um terço do povo brasileiro. É preciso dialogar mesmo com os que votaram em Jair Bolsonaro, porque nós não podemos nos resignar com o discurso radicalizado de enfrentamento ao governo.

Nós queremos voltar a governar o Brasil e para isso é preciso construir maioria. Para impor derrotas ao governo, é preciso construir maioria.”

Não se trata aqui de uma aliança em comum com o típico eleitor arrependido, ou com os confusos que votaram em Bolsonaro sem fazer a menor ideia de quem era o homem. Sua declaração, assim como as que fez previamente, vão no intuito de “construir uma maioria” institucional, que só é possível com o apoio da direita.

A mesma direita que elegeu Bolsonaro por falta de um candidato com base social, agora vê-se com presidente impopular e incontrolável. A esquerda quer aproveitar essa cisão entre a direita para se aliar com os setores que ela julga “mais progressistas”, que nada mais é do que o setor mais controlado e mais articulado da burguesia. Esse setor está diretamente ligado ao imperialismo e foi a peça principal na derrubada de Dilma, na prisão de Lula e no resultado das eleições. É o setor que detém a imprensa e a maior quantidade de recursos para levar a cabo suas pautas políticas. As pautas econômicas de Bolsonaro são impostas por essa parcela da burguesia, o presidente nesse sentido é um subalterno, a única coisa que impede, de certa maneira, seu impeachment, é a urgência de aprovar a reforma da previdência.

O PCdoB, o Psol, e a ala mais direitista do PT estão desesperados para fazer alianças com essa ala “democrática” da burguesia e formar uma “maioria”. Nem que por isso queimem o que restou do PT. No Rio de Janeiro, Washington Quaquá (presidente do PT no estado) e Marcelo Freixo (Psol), rifaram a candidatura de Benedita da Silva (PT), para que pudesse se criar um acordo com o PDT. Uma esquerda que só tem interesses eleitorais, e que em nada consegue representar os anseios populares.

Manuela deixa ainda mais claro quando diz que:

“O que acontece no Brasil é muito grave. Não é uma questão de esquerda ou direita. É uma ameaça ao povo brasileiro, é uma ameaça a quem pensa diferente.”

Para ela devemos esquecer os grandes culpados por trás da situação brasileira que é a direita tradicional, e nos aliarmos com eles, em uma aliança nada vantajosa, nós entramos com a população e eles entram com as pautas políticas, as mesmas de Bolsonaro porém com um verniz fajuto de democracia e progressismo.

Manuela e o resto da esquerda pequeno-burguesa não quer aliança com os que votaram inconsequentemente em Bolsonaro e agora estão arrependidos, mas sim com os que elegeram Bolsonaro para entrar num grande acordo eleitoral.

A tão falada democracia não passa de mais uma capitulação perante a direita causada pelo vício eleitoral mortal das direções.

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