A Seleção Brasileira sofreu um duro golpe a poucos dias da estreia na Copa do Mundo. O lateral-direito Wesley, da Roma, foi cortado do grupo convocado por Carlo Ancelotti após sofrer uma lesão no músculo adutor da coxa esquerda durante o amistoso contra o Egito, disputado no sábado (6), em Cleveland, nos Estados Unidos. Exames realizados no dia seguinte confirmaram que o jogador não teria condições de disputar o Mundial.
Wesley deixou o campo ainda no primeiro tempo, chorando no banco de reservas, em uma cena que acabou se tornando a principal imagem do último teste brasileiro antes da Copa. A lesão interrompeu de maneira brutal a preparação de um jogador que vinha ganhando espaço justamente em uma posição problemática para a Seleção.
O corte tem peso ainda maior porque Wesley era o único lateral-direito de origem entre os 26 convocados. Sem ele, Ancelotti terá de recorrer a improvisações ou adaptações, com Danilo e Ibañez aparecendo como alternativas para o setor. Ou seja, antes mesmo da estreia, a Seleção já entra na Copa tendo de remendar uma posição fundamental.
Para o lugar de Wesley, Ancelotti convocou Éderson, volante da Atalanta. O jogador, revelado no futebol brasileiro e com passagens por Cruzeiro, Corinthians e Fortaleza, atua na Itália desde 2022. A escolha chama atenção porque o corte foi de um defensor, mas a reposição veio no meio-campo.
Do ponto de vista imediato, a convocação de Éderson pode reforçar a marcação e dar mais opções físicas ao meio-campo. Mas ela também escancara um problema antigo: a Seleção Brasileira, que durante décadas produziu laterais em abundância, chega a uma Copa do Mundo sem segurança na lateral direita. O Brasil, país de Djalma Santos, Carlos Alberto, Leandro, Jorginho, Cafu e Daniel Alves, agora depende de soluções de emergência.
O problema também revela a crise mais ampla do futebol brasileiro. Os principais jogadores da Seleção atuam na Europa, submetidos a calendários cada vez mais pesados, clubes que sugam fisicamente os atletas. Quando chega a Copa, o torcedor brasileiro recebe de volta um elenco milionário, mas desgastado.
A estreia do Brasil está marcada para sábado (13), contra o Marrocos, em Nova Jérsei. Depois, a Seleção enfrenta Haiti e Escócia pela fase de grupos. A vitória contra o Egito, por 2 a 1, deveria ter servido para ajustar o time. No entanto, o amistoso terminou marcado menos pelo resultado e mais pela perda de Wesley.





