Volkswagen nazista

Volkswagen vai produzir peças para a máquina de guerra sionista

Unidade de Osnabrück será convertida para a produção militar e terá como primeiro grande parceiro a estatal israelense Rafael, fabricante do Domo de Ferro

A Volkswagen acertou a transformação de sua fábrica de Osnabrück, na Alemanha, em uma unidade voltada à produção militar. O primeiro grande parceiro industrial será a Rafael Advanced Defense Systems, estatal israelense responsável pelo sistema antiaéreo Domo de Ferro.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (7). Pelo acordo preliminar, a fábrica deverá ser vendida à Aurelius Capital, que assumirá o controle majoritário, enquanto o Estado da Baixa Saxônia também ficará com participação na unidade. A Rafael não entrará como proprietária, mas deverá utilizar a instalação para a fabricação de equipamentos militares destinados à Alemanha e a outros países europeus.

Entre os itens previstos estão veículos militares, lançadores e geradores empregados em sistemas de defesa aérea. Os mísseis interceptadores Tamir não deverão ser fabricados em Osnabrück.

A Volkswagen apresentou a mudança como a criação de um “centro de competência para soluções de segurança e defesa”. O presidente do grupo, Oliver Blume, afirmou que o acordo abre um “novo futuro industrial” para a fábrica.

O “novo futuro” consiste em abandonar a fabricação de automóveis e passar a produzir equipamentos para a guerra.

A negociação não surgiu agora. O Financial Times já havia noticiado em abril as conversas entre a Volkswagen e a Rafael para aproveitar a fábrica de Osnabrück na produção ligada ao Domo de Ferro. O anúncio desta semana mostra que o projeto avançou.

A produção de automóveis na unidade deverá terminar em 2027. A conversão militar acompanha a política do governo alemão de ampliar rapidamente seus gastos com armamentos e reconstruir uma grande capacidade bélica no país.

O chefe do governo da Baixa Saxônia, Olaf Lies, ligou diretamente a operação ao rearmamento alemão. Houve, declarou, uma “mudança fundamental em nossa situação de segurança e em nossa necessidade de proteção”.

Enquanto fecha postos de trabalho na indústria automobilística, o grande capital alemão encontra na produção militar uma fonte crescente de negócios. A Volkswagen anunciou planos que podem eliminar até 100 mil empregos em todo o mundo até 2030, em meio às dificuldades enfrentadas pela indústria alemã depois do aumento dos custos de energia, da perda do fornecimento barato vindo da Rússia, das tarifas norte-americanas e do avanço das montadoras chinesas.

Para a fábrica de Osnabrück, a solução encontrada foi produzir armas.

A Alemanha vem destinando enormes recursos públicos ao setor militar. Outras empresas também procuram aproveitar a expansão dessas encomendas. A Mercedes-Benz já declarou disposição para entrar no setor de defesa, enquanto grandes grupos armamentistas alemães aumentam seus investimentos e sua capacidade produtiva.

No caso da Volkswagen, a retomada da produção militar remete à própria origem da empresa.

A montadora foi criada em 1937 sob o regime de Adolf Hitler e integrada à economia de guerra da Alemanha nazista. Durante a Segunda Guerra Mundial, suas fábricas produziram veículos e equipamentos militares e utilizaram em larga escala trabalho forçado.

Em 1944, cerca de 11 mil dos 17 mil trabalhadores da Volkswagen eram trabalhadores forçados, entre eles prisioneiros de guerra, pessoas deportadas dos territórios ocupados e presos de campos de concentração.

A fábrica que agora será convertida também possui antecedentes na indústria militar alemã. Antes de passar para a Volkswagen, depois da falência da Karmann em 2009, a unidade de Osnabrück havia produzido componentes para aviões durante a Segunda Guerra Mundial e recorrido ao trabalho forçado.

A associação atual será com uma das principais empresas da máquina militar de “Israel”.

A Rafael pertence ao Estado sionista e fabrica armas utilizadas pelas Forças Armadas israelenses. Seu produto mais conhecido é o Domo de Ferro, sistema cuja cadeia de produção será beneficiada pela conversão da fábrica alemã.

O acordo ocorre enquanto “Israel” prossegue com o genocídio contra os palestinos e amplia suas agressões militares contra outros povos da região, incluindo libaneses, sírios e iranianos. A indústria armamentista israelense depende diretamente dessas guerras: fornece os equipamentos empregados pelo Exército sionista e transforma sua utilização contra os povos árabes e islâmicos em propaganda para novas vendas.

A relação militar entre Alemanha e “Israel” já é extensa. Berlim está entre os principais fornecedores de armamentos ao Estado sionista e, ao mesmo tempo, compra sistemas produzidos pelas empresas israelenses. Os contratos alemães para o sistema antimíssil Arrow 3, por exemplo, estão entre os maiores negócios de exportação já fechados pela indústria bélica de “Israel”.

Com Osnabrück, a Volkswagen passa a ocupar diretamente um lugar nessa associação.

A operação ainda é apresentada como forma de preservar mais de 1.200 empregos na fábrica. A alternativa oferecida aos trabalhadores é particularmente reveladora: depois de destruir empregos e reduzir a produção civil, a burguesia alemã utiliza o dinheiro destinado ao rearmamento para subordinar uma parcela cada vez maior da indústria à fabricação de armas.

Não há necessidade econômica de escolher entre o fechamento das fábricas e sua transformação em arsenais. Os recursos destinados pelo governo à corrida armamentista poderiam ser empregados para preservar a indústria e os empregos. O que determina a decisão é a política do imperialismo alemão de preparar o país para novas guerras.

Quase 90 anos depois de ter sido fundada sob Hitler e colocada a serviço do esforço militar nazista, a Volkswagen volta à produção de equipamentos de guerra. Agora, a empresa combina o rearmamento do imperialismo alemão com o fornecimento de peças para a indústria militar do Estado sionista, tão genocida quanto os nazistas, que sentiriam orgulho de seus filhotes em Tel Aviv.

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