A Folha de S.Paulo publicou seu “GPS partidário 2026”, uma ferramenta que pretende distribuir os partidos numa escala entre esquerda e direita. Dos 30 partidos registrados no País, 29 aparecem no levantamento. O único ausente é o Partido da Causa Operária (PCO).
O próprio jornal apresentou a seguinte explicação: “o PCO (Partido da Causa Operária) é o único que ficou fora, porque não elegeu deputado, nunca dividiu chapa e fica abaixo dos cortes mínimos de trocas e de doadores de campanha.”
A justificativa é um malabarismo. Se o objetivo é informar ao leitor a posição política dos partidos brasileiros, não ter deputado federal, não participar de coligações e não receber os mesmos doadores de outros partidos não constitui motivo para apagar uma organização da classificação.
A Folha estabeleceu cinco critérios: votações na Câmara, participação em frentes parlamentares, migração de políticos entre partidos, formação de chapas eleitorais e doações de campanha. O método funciona para organizações integradas às relações parlamentares e eleitorais entre as diferentes legendas. Quando chegou ao PCO, que não se encaixa nessas relações, o jornal preferiu eliminá-lo.
A exclusão acaba demonstrando, contra a intenção da própria Folha, uma característica política do Partido.
O PCO nunca fez coligações eleitorais. Seus dirigentes não circulam de um partido para outro, como macacos pulando de galho em galho. O Partido não possui parlamentares participando dos acordos realizados no Congresso e tampouco se organiza em torno da rede de grandes financiadores que abastece as campanhas burguesas.
Essas características deveriam aparecer no resultado da pesquisa como dados políticos. Para a Folha, viraram critérios de desclassificação. Afinal, para um jornal burguês o que importa é a enlameada política burguesa do Congresso Nacional e do STF.
O jornal conseguiu colocar numa mesma régua Novo, PL, União Brasil, MDB, PSD, PT, PSOL, PSTU, UP e praticamente todas as demais organizações existentes. O único partido que não coube no método foi justamente aquele que não participou das combinações eleitorais utilizadas para aproximar as siglas umas das outras.
Nesse sentido, o levantamento oferece involuntariamente uma comprovação do caráter antissistema do PCO. Enquanto partidos que se apresentam como direita, centro ou esquerda participam em graus diversos da mesma hipocrisia, o Partido permaneceu fora dessas combinações.
Isso não reduz a gravidade da exclusão.
O “GPS partidário” será utilizado pela própria Folha em sua cobertura das eleições. Portanto, não se trata apenas de uma curiosidade estatística. O jornal criou um instrumento para explicar aos seus leitores a política partidária brasileira e resolveu retirar dele uma organização que apresenta candidatura própria à Presidência e candidatos em diversos estados.
Não faltam informações sobre o PCO. Rui Costa Pimenta disputa a Presidência da República pelo Partido, com Antônio Carlos Silva como candidato a vice. O PCO também apresentou numerosas candidaturas próprias aos governos estaduais, além de candidatos ao Senado, à Câmara e às assembleias legislativas. É o partido com mais candidatos a governador.
A exclusão da Folha repete um procedimento que já apareceu durante a campanha de 2026.
A Quaest deixou Rui Costa Pimenta de fora de pesquisas estimuladas para a Presidência. O mesmo ocorreu com candidatos do Partido aos governos estaduais. Izadora Dias, em São Paulo; Luan Monteiro, no Rio de Janeiro; Adriano Funileiro, no Paraná; Henrique Áreas, em Minas Gerais, e outras candidaturas do PCO desapareceram de levantamentos nos quais os entrevistados recebiam uma lista de nomes para escolher.
No Paraná, a situação chegou ao ridículo. Adriano Funileiro estava almoçando com a família quando uma entrevistadora se aproximou para realizar uma pesquisa eleitoral. Ela apresentou os candidatos ao governo, mas o nome de Adriano não constava da lista. O próprio candidato estava diante de uma pesquisa que fingia que sua candidatura não existia.
A omissão em pesquisas produz um efeito bastante concreto. Se o entrevistado não recebe o nome de determinado candidato, não pode escolhê-lo. O resultado obtido depois é divulgado como medida da intenção de voto e utilizado pela imprensa para definir quem merece cobertura, entrevistas e participação em debates.
Assim, a falta de exposição produzida pelos próprios meios de comunicação passa a servir de justificativa para manter a candidatura sem exposição.
Jornais e emissoras repetem o método quando organizam entrevistas e debates. Selecionam determinadas candidaturas, concedem espaço a partidos que consideram relevantes e deixam o PCO de fora, ainda que nada impeça a participação de seus candidatos.
A autoproclamada esquerda “radical”, que não incomoda a burguesia, também colabora para esconder o Partido.
Quando surgem campanhas pela inclusão de “todos os candidatos da esquerda” em debates e entrevistas, frequentemente aparecem nomes do PCB, PSTU e UP, enquanto Rui Costa Pimenta e o PCO são deliberadamente omitidos.
A atitude não é casual. Essas organizações procuram disputar espaço político com o PCO e buscam apresentar a si próprias como toda a esquerda que existe fora do Congresso Nacional. Reconhecer o Partido significaria admitir a presença de uma organização revolucionária que segue uma política completamente diferente da adotada por elas.
O PCO não participou da frente ampla com a direita, não transformou o STF em defensor da democracia, combate a ditadura judicial, rejeita as alianças com os partidos burgueses e defende uma política independente dos trabalhadores. Também é o único partido do Brasil que defende, sem pestanejar, a luta armada do povo palestino e a sua vanguarda, o Hamas, contra o Estado terrorista e genocida de “Israel”.
É precisamente essa política que desaparece quando grandes jornais, institutos de pesquisa e até organizações que se dizem radicais decidem quais candidatos o eleitor pode conhecer.
A Folha poderia simplesmente ter informado que seus critérios não permitiam medir determinadas relações do PCO com os demais partidos e, a partir daí, explicado as razões. Preferiu retirar o partido inteiro do mapa.
Sua própria justificativa acaba dizendo mais sobre o Partido do que o GPS pretendia mostrar: o PCO ficou de fora porque não elegeu parlamentares, nunca dividiu chapa e não participa das mesmas redes de circulação de políticos e financiadores que aproximam as demais siglas.
O problema é que a Folha transformou essa independência política em desaparecimento eleitoral para ocultar o partido revolucionário da massa da população.





