O governo da Bélgica está barrando a entrada de 13 estudantes palestinos da Faixa de Gaza que receberam bolsas para estudar em universidades do país. Alguns deles já possuem vistos concedidos pelas próprias autoridades belgas.
A ministra do Asilo e Migração, Anneleen Van Bossuyt, declarou neste domingo que é contra a entrada do grupo. Em entrevista à emissora pública VRT, afirmou que a autorização poderia provocar um “efeito dominó”, com pedidos posteriores de asilo ou de reunião familiar.
Van Bossuyt também questionou por que os palestinos de Gaza deveriam receber tratamento diferente de pessoas atingidas pelas guerras no Iêmen, Sudão e Afeganistão.
Segundo a VRT, alguns dos estudantes esperam há até dois anos para conseguir chegar à Bélgica.
O reitor da Universidade da Antuérpia, Herwig Leirs, afirmou que a entrada dos jovens depende de uma decisão política. Flor Didden, da organização 11.11.11, lembrou que os estudantes foram convidados por universidades belgas, receberam bolsas e, em alguns casos, já tiveram os vistos aprovados pelo próprio departamento comandado por Van Bossuyt.
Outros governos europeus também colocaram obstáculos à saída de estudantes palestinos de Gaza. Na Itália, mais de 200 foram matriculados por meio de um programa criado em 2025, enquanto cerca de 50 ainda aguardam autorização para deixar o território. No Reino Unido, mais de 100 estudantes aceitos em universidades britânicas enfrentaram problemas semelhantes.
Ao mesmo tempo, outros países conseguiram retirar estudantes palestinos de Gaza. Holanda, Irlanda, França e Itália organizaram operações de saída por meio de negociações diplomáticas, inclusive através da Jordânia e da passagem de Karem Abu Salem.
A política do governo belga desmonta mais uma vez a propaganda dos governos europeus sobre “democracia” e “direitos humanos”. Jovens que já foram aceitos por universidades, receberam bolsas e, em alguns casos, vistos oficiais continuam presos em Gaza enquanto Bruxelas transforma sua entrada no país em um problema de segurança migratória.




