A Central Operária Boliviana (COB) decretou greve geral por tempo indeterminado. Mineiros, camponeses, índios, professores e transportadores bloquearam estradas em pelo menos seis departamentos. Em La Paz e El Alto, as mobilizações pedem a renúncia do presidente. O movimento lembra, nas condições atuais, as grandes revoltas populares do início do século, que derrubaram governos pró-imperialistas e abriram caminho para os mandatos de Evo Morales.
O governo Paz respondeu com repressão e perseguição política. Acusou as mobilizações de receberem financiamento do narcotráfico, ameaçou lideranças com prisão e atribuiu a Evo a responsabilidade pelos protestos. A repressão já deixou mortos, feridos e muitos detidos. A crise boliviana repercute internacionalmente e assusta a burguesia imperialista que teme, caso o movimento seja vitorioso, a influência na América Latina. Tanto que um secretário do governo Trump chegou a ameaçar uma intervenção militar norte-americana, mostrando o grau de preocupação do imperialismo diante da mobilização popular.
A situação atual confirma como foi correta uma decisão de um importante setor da esquerda de chamar o voto nulo na última eleição, quando Evo Morales foi impedido de concorrer e o partido do governo lançou figuras sem expressão para encobrir a fraude. A convocação do voto nulo fragilizou o governo da direita eleito pelo golpe contra Evo. O resultado passou de 20% e ficou próximo da votação obtida pelos principais candidatos.
A campanha pelo voto nulo foi, nesse sentido, o primeiro ato de oposição ao governo que sairia da fraude eleitoral. Serviu como preparação política para a mobilização que agora toma as ruas.
Os trabalhadores bolivianos não foram ao Congresso pedir que os deputados contivessem o governo. Foram às ruas. Essa é a principal lição dos acontecimentos. A Bolívia mostra o caminho.





