Perseguição política

Rui Pimenta denuncia dedo do Mossad na operação da PF contra o PCO: ‘querem me expulsar do País’

Presidente do PCO denuncia que serviço secreto de “Israel” está por trás da ação da Polícia Federal; atuação do Mossad junto à PF já ocorreu no caso Lucas Passos

O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e candidato à Presidência da República, Rui Costa Pimenta, denunciou neste sábado (22) que o Mossad, serviço secreto de “Israel”, está por trás da operação realizada pela Polícia Federal (PF) contra ele e militantes do Partido. Segundo informação recebida pelo dirigente, o objetivo seria persegui-lo até que deixe o Brasil.

A afirmação foi feita durante o lançamento das candidaturas do PCO no Distrito Federal. Pimenta explicou que a informação chegou ao Partido por intermédio de uma pessoa ligada a um policial federal. O PCO ainda procura confirmar os detalhes.

“Nós recebemos uma informação, não vou divulgar o nome de quem deu a informação, de que uma pessoa relacionada com esse companheiro, que é policial da Polícia Federal, disse de fonte segura que a operação foi organizada pelo Mossad, a polícia secreta israelense, e que o objetivo da operação seria infernizar a minha vida até que eu saia do país. Nós estamos procurando confirmar essa informação, mas eu vou tornar público porque a perseguição do sionismo contra nós já é uma coisa evidente.”

A PF realizou a operação no dia 11 de agosto, apenas três dias depois do lançamento nacional da candidatura de Pimenta. A residência do dirigente, em São Paulo, e outros endereços ligados ao Partido foram alvo de busca e apreensão. Posteriormente, militantes tiveram contas bancárias e bens bloqueados.

Pimenta relacionou a ação à campanha sistemática do PCO em defesa do povo palestino e da resistência contra “Israel”. O Partido é alvo de mais de dez processos ligados à sua atuação contra o sionismo e tem sido a organização brasileira mais ativas na denúncia do genocídio na Faixa de Gaza.

“Foi feita no meio da eleição, em grande medida, para tentar desacreditar o partido diante da opinião pública”, afirmou.

A atuação do Mossad junto à Polícia Federal já possui precedente no País. Em novembro de 2023, a PF deflagrou a Operação Trapiche, que resultou, entre outras medidas, na prisão de Lucas Passos Lima quando ele retornava ao Brasil depois de uma viagem ao Líbano.

A investigação começou a partir de informações fornecidas por organismos estrangeiros. Um memorando encaminhado pelo escritório do adido do FBI na Embaixada dos Estados Unidos apontava brasileiros como supostamente recrutados pelo Hesbolá. O próprio gabinete de Benjamin Netaniahu confirmou publicamente a participação do Mossad na investigação.

Passos foi acusado com base em elementos como sua viagem ao Líbano, pesquisas na Internet sobre sinagogas e integrantes da comunidade judaica, treinamento de tiro e aquisição de equipamentos de comunicação. Não foram apreendidos explosivos, armas pesadas nem apresentado um plano concreto de atentado.

Em setembro de 2024, ele foi condenado a mais de 16 anos de prisão. Em junho de 2025, porém, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região anulou a condenação por “atos preparatórios de terrorismo”, considerando que a conduta não configurava o crime imputado. A condenação por integrar organização terrorista foi mantida, e a defesa recorre ao Superior Tribunal de Justiça.

Segundo informações divulgadas à época, o Itamaraty sequer havia sido informado previamente sobre a cooperação da PF com o FBI e o Mossad.

Pimenta citou justamente o caso de Lucas Passos ao sustentar que a informação recebida pelo PCO encontra precedente na atuação da própria Polícia Federal.

“Essa afirmação sobre o Mossad e a Polícia Federal tem precedentes. Nós temos aí o companheiro Lucas Passos, que é um brasileiro que esteve no Líbano e, ao voltar ao Brasil, ele foi denunciado pelo Mossad.”

Para o candidato do PCO, o caso pode indicar uma política mais ampla de perseguição contra organizações e militantes que defendem abertamente a Palestina.

“O que é mais significativo é pensar que isso pode ser o começo de uma política geral do Estado brasileiro contra a esquerda que defende a Palestina”, declarou.

Outro lado

O Diário Causa Operária (DCO) tentou contato com a Polícia Federal, a Embaixada de “Israel” no Brasil e o Ministério das Relações Exteriores para que comentassem a denúncia feita por Rui Costa Pimenta sobre a participação do Mossad na operação contra o dirigente do PCO.

Até o fechamento desta edição, nenhum dos três havia respondido aos questionamentos do DCO.

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