O PCB chegou à reta final da eleição no Ceará sem apresentar candidatura própria ao governo, ao Senado, à Câmara dos Deputados ou à Assembleia Legislativa. Na cola eleitoral divulgada por Chico Malta, candidato do PCB em 2022 e em 2024 e militante da agremiação, os votos indicados vão para Renato Roseno e Ailton Lopes, do PSOL; Luizianne Lins, da Rede; Catarina Matos e Serley Leal, da Unidade Popular (UP), além de uma alternativa do PSTU ao Senado. O único nome do PCB na peça é o de Edmilson Costa para presidente, candidatura lançada nacionalmente pelo partido.
PSOL e UP são organizações que reivindicam ser uma alternativa à esquerda do PT, mas seguem uma política reformista e abertamente identitária. O caso da Rede vai além. A legenda de Marina Silva tem ligações umbilicais com fundações e organizações financiadas pelo grande capital internacional, inclusive a Open Society Foundations (OSF), criada pelo especulador George Soros.
As relações entre o grupo de Marina Silva e os banqueiros que financiam o onguismo identitário são documentadas. Maria Alice Setubal, a Neca Setubal, integrante da família controladora do Itaú, participou da criação da Rede e coordenou o programa de governo da candidatura de Marina em 2014. Um ano antes, Neca havia colocado aproximadamente R$1 milhão no Instituto Marina Silva, cobrindo 83% das despesas da organização. Durante a eleição de 2014, também realizou doações eleitorais que ultrapassaram R$2 milhões. Em 2010, o Itaú doou R$1 milhão à campanha presidencial de Marina, então candidata pelo PV.
Outro nome ligado à trajetória política de Marina é Guilherme Leal, acionista da Natura e seu candidato a vice-presidente em 2010. Leal fundou o Instituto Arapyaú, que participa de iniciativas com organizações empresariais e fundações internacionais.
Heloísa Helena, uma das principais dirigentes desde a fundação da Rede, deixou o PSOL ao se revelar abertamente de direita (o que já era muito perceptível, embora o partido lhe conferisse uma posição dirigente). Ao ingressar na Rede, em 2015, afirmou que a defesa institucional da legalização do aborto pelo PSOL havia rompido, segundo ela, o “pacto fundacional” da legenda.
As alianças do PCB com os fantoches dos banqueiros e especuladores reaparecem em São Carlos, no interior paulista. Lá, o PCB apoia Djalma Nery, vereador do PSOL e primeiro suplente de Marina Silva na chapa ao Senado, que declarou em 21 de agosto apoio a Dé Alvim, candidato a deputado estadual pelo Solidariedade. O encontro em que a aliança foi anunciada contou também com Leandro Guerreiro, do PL.
O ato de lançamento reuniu mais de 500 pessoas e contou com Paulinho da Força, do Solidariedade, além do prefeito Netto Donato e do presidente da Câmara de São Carlos, ambos do PP, e novamente Leandro Guerreiro, do PL. Djalma, do PSOL, também estava presente.
Há ainda um adendo: Djalma Nery tem ligação direta com Marina, porque ele ocupa a primeira suplência da candidata da Rede ao Senado. Ele está, inclusive, fazendo campanha aberta com o número 180 de Marina.





