A Polícia Militar de Minas Gerais retirou, na terça-feira (1º), cerca de 150 famílias que ocupavam uma área rural em Uberlândia ligada ao Fundo Bacuri, associado ao caso do Banco Master.
A ocupação havia começado no domingo (30) e era organizada pelo Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL). Muitas das famílias já estão cadastradas no Incra e aguardam uma área para assentamento.
Segundo o movimento e entidades que acompanharam o caso, a PM realizou o despejo sem apresentar ordem judicial. A advogada Marilda Terezinha, que estava no local, chegou a ser algemada e detida ao questionar a operação.
Antes da retirada, a polícia cercou a ocupação e impediu o acesso da imprensa. Organizações que tentavam entregar água, alimentos, toalhas e produtos de higiene também foram barradas.
A presidenta da seção sindical dos docentes da Universidade Federal de Uberlândia relatou que nem mesmo o café da manhã destinado às famílias conseguiu atravessar o bloqueio policial.
O episódio se torna ainda mais escandaloso diante da disputa em torno da propriedade.
O MTL afirma que o terreno teria passado de uma avaliação de R$14 milhões, em 2019, para R$76 milhões em 2025. O fundo proprietário da área esteve ligado a gestoras que aparecem nas investigações relativas ao Banco Master. Essa denúncia deve ser apurada pelos órgãos competentes.
Enquanto trabalhadores sem terra são cercados pela polícia e privados até de água, propriedades envolvidas em operações financeiras milionárias recebem a proteção imediata do aparelho repressivo.
A imagem não poderia ser mais clara.
Para expulsar famílias que reivindicam terra, o Estado mobiliza policiais. Para garantir reforma agrária e moradia, os trabalhadores precisam esperar indefinidamente pelos órgãos públicos.
As entidades que apoiaram a ocupação reivindicam que a área seja vistoriada e que se investigue se ela cumpre sua função social.
Também é indispensável esclarecer sob qual autoridade a PM realizou a retirada, se não existia ordem judicial, como afirmam o MTL e as organizações presentes no local.
A polícia atua como a tropa particular de proprietários, bancos, fundos de investimento e empresas imobiliárias.





