Torcedores palestinos deslocados por ataques de “Israel” assistiram ao jogo entre Bélgica e Egito pela Copa do Mundo de 2026 em Nusseirate, no centro de Gaza, na segunda-feira (15). A partida foi exibida em uma tela gigante instalada no campo de refugiados, em meio a casas destruídas, tendas e edifícios danificados.
Fadi al-Arawi, jogador da Primeira Divisão da Faixa de Gaza, não consegue voltar aos campos desde a suspensão das competições profissionais, há mais de dois anos. Como a maioria dos moradores de Gaza, ele também não tem mais uma casa onde possa assistir à Copa do Mundo pela televisão. Para acompanhar uma partida entre Catar e Suíça, vestiu seu antigo uniforme profissional do Gaza Sports Club e colocou medalhas conquistadas em competições internacionais.
A tentativa de assistir ao jogo ocorreu em uma sala de escola transformada em abrigo para deslocados. Al-Arawi se inclinava sobre um computador portátil com sinal instável de Internet, cercado por amigos, enquanto aeronaves israelenses sobrevoavam a região.
Grande parte de Gaza foi destruída durante dois anos de ofensiva militar de “Israel”. A infraestrutura sofreu danos profundos, e quase toda a população de mais de dois milhões de palestinos vive hoje em uma estreita faixa territorial, sobretudo em tendas e edifícios bombardeados.
Alaa Babli, responsável pelo Royal Café, na cidade de Gaza, instalou duas linhas elétricas alternativas e uma bateria de reserva para manter a transmissão dos jogos noturnos depois que os geradores a combustível param de funcionar após a meia-noite. Hani Abu Rizq, que assistia a uma partida sob bandeiras do Egito e do Marrocos, afirmou que os moradores nunca deixam de sentir medo ao sair de casa. Um café pode ser alvo, um prédio ao lado pode ser alvo, qualquer deslocamento pode terminar em morte.
A Associação Palestina de Futebol informou que, entre os palestinos assassinados por “Israel” desde 2023, havia cerca de mil esportistas, entre crianças, amadores, árbitros e profissionais. A destruição também atingiu cerca de 285 instalações esportivas. Parte delas foi completamente destruída, enquanto outras sofreram bombardeios e danos parciais ou graves. Forças “israelenses” transformaram estádios em campos de detenção, denunciados por maus-tratos contra prisioneiros.





