Apesar de todo o acobertamento dos crimes dos sionistas que a Organização das Nações Unidas vem promovendo desde sempre, Claudio Lottenberg achou de escrever um artigo intitulado O que restou da missão original da ONU?
Sua tese central – a de que a ONU desenvolveu uma “obsessão” contra Israel – não resiste a uma análise crítica, ainda mais se confrontada com os fatos históricos e com o direito internacional.
O autor inicia que esteve “na sede das Nações Unidas, em Nova York, para participar de um encontro sobre antissemitismo e discurso de ódio no futebol. O tema é urgente, especialmente em anos de Copa do Mundo, quando bilhões de pessoas estão conectadas pelo esporte.” A primeira coisa a destacar é a questão do “discurso de ódio”, uma invenção explorada pelo identitarismo para defender justamente aqueles que praticam as ações mais odiosas, como o massacre de civis, especialmente mulheres e crianças, na Faixa de Gaza.
Lottenberg diz que “a ONU nasceu em 1945, depois da maior tragédia da história da humanidade. Foi criada para preservar a paz, promover os direitos humanos, aproximar as nações e ajudar a construir um mundo mais justo.”, o que é absolutamente falso.
A II Guerra estabeleceu a partilha do mundo pelo imperialismo e a ONU foi criada como um organismo visando dar um caráter legal ao funcionamento desse novo arranjo. Esse organismo nunca preservou a paz. Já em 1946, os Estados Unidos criaram no Panamá a Escola das Américas, um centro para treinar torturadores e golpistas que instauraram inúmeras ditaduras pela América Latina. Houve uma infinidade de guerras nas décadas subsequentes.
Para ficarmos em um exemplo, entre 1964 e 1973, os Estados Unidos lançaram mais de 2 milhões de toneladas de explosivos sobre o Laos, um país do tamanho do Maranhão, um volume superior a tudo o que os Aliados lançaram contra a Alemanha Nazista e o Japão somados durante toda a Segunda Guerra Mundial.
Infelizmente, como diz o texto, “o Brasil tem um vínculo histórico profundo com essa missão. Em 1947, o diplomata brasileiro Oswaldo Aranha presidiu a 1ª sessão especial da Assembleia Geral e liderou as negociações que culminaram na Resolução 181 – o Plano de Partilha da Palestina, que abriu caminho para a criação do Estado de Israel.” Essa, sem dúvida, foi uma grande tragédia. A ONU não tinha direito sobre a região e, portanto, não a poderia partilhar.
Embora Lottenberg dia que é atribuição da ONU, “enfrentar a pobreza, reduzir desigualdades, promover saúde, educação e dignidade para todos”, neste exato momento, o Estado de “Israel” está mantendo os palestinos na mais absoluta miséria, destruiu praticamente todos os hospitais na Faixa de Gaza, matou médicos, enfermeiras, não permite a entrada de medicamentos e impõe um regime de apartheid. Apesar disso, a ONU não faz nada contra os sionistas.
Cortina de fumaça
Como não podem faltar falácias nos textos dos apologistas do Estado genocida, Lottenberg escreve que “enquanto o mundo convive com guerras esquecidas, fome, desigualdades crescentes, milhões de refugiados e profundas iniquidades sociais, a organização frequentemente concentra uma atenção desproporcional sobre Israel.”
Em continuação, alega que “os números ilustram essa distorção. De 2015 a 2024, a Assembleia Geral aprovou 173 resoluções contra Israel –enquanto todos os demais países do mundo somados foram alvo de só 80 resoluções no mesmo período.”
Com ocupação territorial, colonização, bloqueios econômicos e violações sistemáticas dos direitos humanos promovidas pelos sionistas, que se arrastam por décadas, é natural que um conflito dessa natureza gere um número elevado de resoluções.
A comparação numérica entre um conflito de mais de 70 anos e crises pontuais em outros países, além de frágil, é desonesta. Não se pode comparar a duração e a gravidade de uma ocupação militar com conflitos esporádicos.
Além disso, muitas dessas resoluções são meramente declaratórias e não têm caráter vinculante. O volume de resoluções reflete a indignação da comunidade internacional, não necessariamente uma “obsessão” irracional.
Credibilidade
O autor diz que “quando a crítica perde a proporcionalidade e se transforma em obsessão, deixa de fortalecer os direitos humanos e passa a enfraquecer a credibilidade da própria instituição.”
Se existe alguma obsessão na ONU é a de defender os genocidas. Historicamente, os Estados Unidos utilizam seu assento permanente no Conselho de Segurança para barrar resoluções multilaterais punitivas ou de cessar-fogo. O que, na prática, é uma blindagem para as operações e políticas de expansão territorial “israelenses”.
Diferentemente de outros Estados-membros que sofreram sanções severas ou intervenções, “Israel” acumula décadas de descumprimento de resoluções cruciais. Um exemplo é a Resolução 2334, que exige a interrupção dos assentamentos na Cisjordânia, ignorada sem que restrições econômicas ou diplomáticas vinculantes sejam aplicadas pelo Conselho.
Cinismo
Se “combater o antissemitismo não é defender um governo, e sim defender um princípio universal: nenhuma forma de preconceito pode ser tolerada”, por que Lottenberg está insinuando o contrário?
Igualar sionismo a semitismo, ou judaísmo, faz com que os judeus paguem por aquilo que fazem os sionistas.
Não tolerar o preconceito significa criticar o sionismo que promove todo tipo de preconceitos contra os palestinos, a começar por impedir que tenham direito a seus país. A ONU deveria exigir a volta dos refugiados e o fim do apartheid .Isso apenas para começar.





