Durante a Copa do Mundo de 2026 ficou evidente que o futebol é um dos maiores ativos geopolíticos do Brasil. Circularam inúmeros vídeos de pessoas ao redor do mundo torcendo pela seleção brasileira. Não eram apenas brasileiros vivendo no exterior, mas também libaneses, indianos, africanos, latino-americanos e pessoas de diversas outras nacionalidades. Há uma identificação dos países subdesenvolvidos com o Brasil, e a torcida pela seleção brasileira é uma expressão dessa identificação. Para milhões de pessoas, o Brasil representa um país que, apesar de sua condição econômica, conseguiu conquistar reconhecimento mundial por meio do futebol. Defender a seleção brasileira é, portanto, defender um dos principais instrumentos de projeção internacional do país.
A importância da seleção também foi reafirmada dentro do próprio Brasil. Durante anos repetiu-se que o futebol havia perdido espaço entre os brasileiros, que a população não se importava mais com a seleção e que Neymar era amplamente rejeitado. A Copa mostrou o contrário. Em todos os jogos do Brasil, as estimativas apontaram audiências superiores a 150 milhões de espectadores somando as diferentes transmissões, como Rede Globo, CazéTV e SBT. O mercado de produtos ligados à seleção também foi fortemente aquecido após a convocação, especialmente com a confirmação da presença de Neymar, que continuou sendo recebido com enorme entusiasmo sempre que entrava em campo.
O mais impressionante é que a seleção brasileira mantém esse prestígio apesar da campanha permanente feita contra ela por boa parte da imprensa nacional, especialmente pela Rede Globo. Essa postura não pode ser compreendida apenas como uma divergência esportiva; há interesses econômicos relevantes em jogo. O futebol movimenta um mercado bilionário, e o Brasil é um dos seus principais ativos simbólicos. Ao mesmo tempo, por ser um país pobre, a maioria da população não tem condições de pagar R$ 500 por uma camisa oficial da seleção. Por isso, a produção e a venda de camisas não oficiais se tornaram um fenômeno de massa, permitindo que milhões de brasileiros continuem consumindo os símbolos da seleção pagando cerca de R$ 50. Isso reduz significativamente os lucros das grandes empresas que controlam o licenciamento desses produtos. Nesse contexto, a disputa em torno da seleção brasileira não é apenas esportiva ou cultural, mas também econômica. Defender a seleção significa preservar um patrimônio nacional cuja importância ultrapassa em muito as quatro linhas do campo.



