Meio Ambiente

O grande capital é quem financia a ‘questão climática’

O debate ecológico na esquerda chama a atenção pela falta de argumentos, e pelo aparelhamento do grande capital vindo por meio de fundações como a Ford e Open Society

Imperialismo verde

Na esquerda a questão do clima virou religião para uns, e fonte de renda para outros por meio de ONGs financiadas principalmente pelo imperialismo. O que mais se nota sobre o assunto do clima é a falta de senso de realidade, como no artigo A coalizão de Santa Marta, apontamentos para um mundo pós-fóssil, de Vanessa Dourado, publicado no sítio Revista Movimento, ligado ao MES-PSOL, nesta quarta-feira (6).

O texto, como informa o olho, trata da “Conferência Internacional para a Transição para Além dos Combustíveis Fósseis, realizada em abril na Colômbia”.

Segundo o artigo, “entre os dias 24 e 29 de abril foi realizada, na histórica cidade de Santa Marta, Colômbia, a Conferência Internacional para a Transição para Além dos Combustíveis Fósseis, organizada pelos governos da Colômbia e dos Países Baixos, e que contou com a participação de 57 países”.

Importa saber que “Santa Marta recebeu diversas organizações sociais, atores políticos e acadêmicos para debater como o mundo deveria sair da dependência atual dos combustíveis fósseis.”, pois aí se vê a mão do grande capital. O evento foi estruturado de forma a ser multissetorial, incluindo não apenas governos, mas também o setor “filantrópico” e think-tanks para “viabilizar” a presença de especialistas e representantes do Sul.

Grandes fundações internacionais, incluindo a Fundação Ford e a Open Society Foundations, estiveram nos bastidores.A participação dessas fundações ocorre principalmente por dois caminhos: 1) financiamento da “Iniciativa do Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis”, que é a principal organizadora para o evento.

A Fundação Ford, por exemplo, tem um histórico consolidado de apoio a essa rede e a movimentos de Justiça Climática que pressionam pelo fim da expansão de petróleo e gás.

2) Viabilização da Delegação do Sul Global: sob o pretexto de garantir que o evento “não fosse dominado apenas por países ricos”, houve uma arrecadação de fundos específica para custear a viagem de líderes indígenas, comunidades tradicionais e especialistas de países em desenvolvimento.

Uma das formas de cooptação da esquerda é por meio do pagamento de passagens internacionais. Sônia Guajajara (PSOL), em 2019 viajou com uma delegação de 7 pessoas por 12 países da Europa. A brincadeira durou 35 dias e teve como pretexto a denúncia de violações de direitos no Brasil. Justamente na Europa, onde há países colocando na cadeia que se manifesta em favor da Palestina e contra o genocídio em Gaza.

Um dos maiores financiadores dessa viagem foi, para surpresa de ninguém, a Fundação Ford, além do Greenpeace. Guajajara se notabilizou por lutar contra a construção de hidrelétrica em Belo Monte, bem como é contra a exploração de petróleo na Margem Equatorial pela Petrobrás.

Fundações como a Ford e a Open Society frequentemente aportam recursos nesses fundos de “equidade” para eventos climáticos internacionais.

Além dessas duas, a Fundação Heinrich Böll (ligada ao Partido Verde alemão) e o Rockefeller Philanthropy Advisors também estiveram envolvidos na articulação e no suporte financeiro a think-tanks que produziram os relatórios técnicos discutidos em Santa Marta.

Imperialismo verde

Apesar da presença do imperialismo e de fundações de fachada, o artigo diz que “com tantos interesses em jogo, a equação é complexa. Como todo processo de mudança estrutural – como é a superação dos combustíveis fósseis, que hoje configuram um sistema central na economia mundial, com uma matriz energética ainda 80% dependente do petróleo, gás e carvão –, as contradições e as diversas visões reunidas em um mesmo espaço expressam mais um diagnóstico honesto do que um manifesto imediato de transição para outro modelo”.

Não existe outro modelo. A maioria da esquerda não consegue entender que “energias limpas” só serão viáveis se houver um grande desenvolvimento industrial. Apesar da aparente contradição, é fácil entender: são as demandas do desenvolvimento econômico que viabilizam o desenvolvimento científico. Portanto, embora pareça absurdo, será preciso queimar muito petróleo até que se descubra fontes de energia “limpa”.

Embora o texto diga que “o diálogo sincero em um espaço seguro não é um esforço menor, mas um primeiro passo para avançar rumo a uma agenda superadora”, isso não passa de uma inutilidade, supondo que a motivação desse tipo de encontro seja sincera. Não existe isso de “conhecer os acordos e as diferenças permite construir sínteses entre os distintos atores, repensar a problemática a partir dos territórios e desenhar saídas coordenadas em nível global”. São as demandas de mercado que determinam a utilização do petróleo, do gás e do carvão para a produção de energia. E isso não vai diminuir enquanto houver demanda.

Enquanto cita cientistas e aquecimento global (aquele que iria derreter as geleiras e inundar cidades), o texto informa que “a próxima conferência será coorganizada por Tuvalu e Irlanda em 2027. O grande desafio consiste em orientar uma arquitetura capaz de impulsionar experiências que permitam a construção de modos de existência pós-fósseis que não reproduzam nem perpetuem as relações de desigualdade inerentes ao modelo atual”. Mais gente viajando e fazendo turismo.

Para o imperialismo vale a pena, pois essas pessoas são as que vão pressionar o governo a não explorar as riquezas do País que estão no subsolo. Devem permanecer por lá até que o próprio imperialismo possa explorar, como tem feito na Guiana.

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