Guerra no Oriente Próximo

‘Israel’ atacou usina nuclear dos Emirados Árabes para culpar o Irã

Autoridades emiradenses relataram interceptação de três aeronaves não tripuladas, duas destruídas e uma responsável pelo impacto, mas não acusaram diretamente o Irã

Fontes militares iranianas divulgaram uma investigação segundo a qual “Israel” lançou, em 17 de maio, um ataque com VANTs contra a usina nuclear de Baracá, nos Emirados Árabes Unidos, para culpar o Irã e ampliar a crise regional. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), um dos VANTs atingiu um gerador elétrico externo, fora do perímetro interno da central, provocando incêndio sem alteração nos níveis de radiação. As autoridades emiradenses relataram a interceptação de três VANTs, dois destruídos e um responsável pelo impacto, mas não acusaram diretamente o Irã.

A usina de Baracá fica na região de Al Dhafra, em Abu Dhabi, cerca de 225 quilômetros a oeste da capital emiradense, próxima à fronteira com a Arábia Saudita. A instalação possui quatro reatores de água pressurizada APR-1400, desenvolvidos na Coreia do Sul, cada um com capacidade de 1.400 megawatts. A construção começou em 2012, e o primeiro reator entrou em operação comercial em 2021. A central produz cerca de 40 terawatts-hora por ano, o equivalente a aproximadamente 25% da eletricidade consumida nos Emirados Árabes Unidos.

No dia 19 de maio, o diretor-geral da AIEA levou o caso ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Ele confirmou que o impacto do VANT causou incêndio em um gerador elétrico fora do perímetro interno da usina, mas afirmou que os níveis de radiação permaneceram normais e que não houve feridos.

A AIEA alertou que um impacto direto contra a usina nuclear de Baracá poderia provocar grande liberação de radioatividade no ambiente. O órgão também afirmou que um ataque capaz de comprometer linhas de alimentação elétrica da central poderia elevar o risco de derretimento do núcleo dos reatores. Em casos graves, seriam necessárias evacuações, abrigo para a população, distribuição de comprimidos de iodo estável, monitoramento de radiação e restrições alimentares em vários países.

A PressTV afirmou que uma fonte militar iraniana investigou o caso e concluiu que o ataque foi realizado por “Israel” como uma provocação para arrastar os Emirados Árabes Unidos a uma posição mais agressiva contra o Irã e outros países do Eixo da Resistência. Segundo essa investigação, a operação buscou criar atrito entre o Irã e seus vizinhos do Golfo Pérsico, alimentando acusações indiretas contra a República Islâmica.

A versão emiradense citada pela PressTV apresentou contradições técnicas. O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos afirmou que o VANT atingiu a central a partir da fronteira oeste e, ao mesmo tempo, havia sido lançado do Iraque. A emissora destacou que um ataque a partir do território iraniano exigiria uma trajetória pelo norte, sobre o Golfo Pérsico, enquanto a indicação de origem pela fronteira oeste apontava outra direção. Caso o VANT tivesse partido do Iraque, teria de cruzar centenas de quilômetros sobre território saudita sem reação das defesas aéreas locais.

Outro elemento apontado pela PressTV é o risco ambiental para o próprio Irã. Baracá fica na costa do Golfo Pérsico, em área de correntes marítimas que poderiam levar eventual contaminação radioativa a países vizinhos, inclusive à costa iraniana entre Asaluyeh e Bandar Abbas, região importante para energia, transporte e turismo. Segundo a emissora, o Irã não teria interesse em atacar uma instalação cuja destruição poderia contaminar diretamente seu litoral.

A matéria também relacionou o ataque a uma campanha de falsa bandeira com VANTs copiados do modelo iraniano Shahed-136. Segundo fontes militares iranianas, Estados Unidos, “Israel” e Ucrânia usaram réplicas desse tipo de arma para atingir infraestrutura de países do Golfo Pérsico e atribuir os ataques ao Irã. O objetivo, conforme essas fontes, foi convencer governos árabes de que a República Islâmica ameaça seus territórios e transformar a agressão contra o Irã em uma guerra regional mais ampla.

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