Oriente Médio

Separatistas da Somália receberam apoio secreto de ‘Israel’

A declaração expôs anos de colaboração entre "Israel" e o Estado africano

O ministro da Defesa de “Israel”, Israel Katz, revelou cooperação secreta de segurança com a Somalilândia, em reunião com o presidente da província rebelde Abdirahman Mohamed Abdullahi, na quarta-feira (17). A declaração expôs anos de colaboração entre “Israel” e a região separatista da Somália; o ministro da Defesa da Somalilândia admitiu treinamento de policiais e militares, mas negou negociações para instalação de base militar de “Israel”.

A Somalilândia declarou separação da Somália em 1991 e opera com autonomia de fato, mas é reivindicada pela Somália como parte de seu território. Em dezembro, “Israel” reconheceu formalmente a Somalilândia como Estado independente, tornando-se o primeiro país a fazê-lo. A decisão foi rejeitada pela Somália, que a classificou como ataque deliberado à sua soberania.

Katz afirmou que, por muitos anos, houve cooperação “por baixo do radar” em operações que continuarão secretas. A fala ocorreu durante visita oficial do presidente da Somalilândia a “Israel”, em um momento de expansão das relações de segurança, econômicas e diplomáticas entre as partes. Do lado de “Israel”, participaram autoridades militares e do Ministério da Defesa, além do embaixador designado para a Somalilândia. Do lado somali separatista, estiveram presentes o ministro da Defesa Mohamed Yusuf Ali, o chefe do Exército, autoridades presidenciais, o vice-chefe de inteligência e o embaixador designado para “Israel”.

A posição geográfica da Somalilândia aumenta o peso estratégico da aproximação. A região fica no Chifre da África, diante do Golfo de Aden e próxima ao Iêmen, onde os Ansar Alá controlam território e realizaram ataques contra navios de países cúmplices do genocídio palestino no mar Vermelho durante o extermínio de Gaza. Essa localização alimentou especulações de que “Israel” buscaria bases ou instalações de inteligência na região para atuar contra forças iemenitas e ampliar sua presença militar no entorno marítimo.

O ministro da Defesa da Somalilândia negou que existam bases de “Israel” no território ou negociações para criá-las. Ele afirmou, contudo, que “Israel” apoia o treinamento de parte das forças policiais e militares locais. Também rejeitou relatos de que haveria uma instalação de inteligência de “Israel” na região, tratando-os como rumores. A negação vindo de “Israel” deve ser vista com cautela, já que o país tem histórico de manter operações em segredo, como também era “rumor” o que era feito na província rebelde da Somália.

A visita também teve pauta econômica. Abdullahi afirmou que a Somalilândia está aberta a investimentos de “Israel” em agricultura, pecuária, gestão de água, energia renovável, saúde e cibersegurança. Autoridades de “Israel” disseram que o reconhecimento da Somalilândia colocou empresários do país em vantagem diante de outros concorrentes. Para a Somália, porém, a aproximação reforça uma tentativa de promover a fragmentação de seu território.

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