O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, confirmou que o país não excluirá a seleção do Irã da Copa do Mundo de 2026, na quinta-feira (23). A afirmação descartou especulações de que o governo norte-americano tentaria substituir a equipe iraniana pela Itália no torneio que será sediado conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México, encerrando uma controvérsia que ganhou força após um assessor do ex-presidente Donald Trump sugerir a troca ao presidente da Federação Internacional de Futebol. O secretário negou veementemente que Washington tenha solicitado o afastamento da equipe iraniana do principal torneio de futebol mundial, classificando a informação como especulação sem fundamento.
Rubio desconheceu a origem da informação sobre a possível exclusão do Irã e afirmou que se trata apenas de especulações sobre a possibilidade de o Irã decidir não participar e de a Itália ocupar seu lugar. A declaração foi feita após um assessor de Donald Trump, Paolo Zampolli, ter afirmado ao jornal Financial Times que havia sugerido a Trump e ao presidente da Federação Internacional de Futebol, Gianni Infantino, que a seleção asiática fosse substituída pela Itália no torneio. A Copa do Mundo de 2026 será disputada entre 11 de junho e 19 de julho em cidades dos três países anfitriões.
Horas depois das declarações do assessor de Trump, autoridades italianas também descartaram essa possibilidade para os tetracampeões mundiais, que pela terceira vez consecutiva não conseguiram se classificar para o torneio após serem eliminados na repescagem europeia pela Bósnia e Herzegovina. A Itália, com quatro títulos mundiais, não participará da Copa pela terceira edição seguida, após ter ficado de fora também das competições de 2018 e 2022, o que representa a maior crise da seleção italiana em décadas.
Embora Rubio tenha descartado a exclusão do Irã, o secretário de Estado deixou claro que os Estados Unidos não permitirão a entrada de indivíduos ligados à Guarda Revolucionária Islâmica. O problema com o Irã não são os atletas, afirmou Rubio, mas sim algumas das outras pessoas que gostariam de trazer junto, algumas das quais têm vínculos com o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica. Rubio explicou que talvez não seja possível deixar essas pessoas entrarem, mas os atletas certamente poderão participar do torneio.
O gesto sinaliza um recuo da posição do imperialismo, que ameaçava excluir o Irã da Copa do Mundo, mas mantém o risco de prisões arbitrárias de atletas, técnicos ou membros das equipes de apoio do esporte, que podem a qualquer momento ter atribuídos a si alguma relação com o Estado iraniano e isso ser usado como pretexto para medidas de perseguição.
A Federação Internacional de Futebol, por meio de seu presidente Gianni Infantino, confirmou que o Irã poderá participar da Copa do Mundo, mas negou o pedido da seleção iraniana de transferência de jogos para outros países. Infantino defendeu que o esporte deve ficar fora da política e que a entidade trabalha para construir pontes entre os países. O Irã está no Grupo G da competição, e suas partidas iniciais serão realizadas nos Estados Unidos, duas em Los Angeles e uma em Seattle, mesmo em meio ao clima de hostilidade entre as duas nações.





