As recentes operações do Hesbolá no sul do Líbano voltaram a demonstrar que “Israel” está longe de alcançar seus objetivos militares. Apesar dos bombardeios, da invasão terrestre e da tentativa de impor uma zona militar dentro do território libanês, o Exército israelense não conseguiu neutralizar a Resistência Libanesa. Pelo contrário: a ocupação se transformou em mais um fator de desgaste para o sionismo.
Nesta segunda-feira (27), o Hesbolá realizou novas operações contra forças israelenses em Bayyada e Taybeh, no sul do Líbano. Em Bayyada, a Resistência atacou uma posição de artilharia recém-estabelecida por “Israel” com um enxame de drones. Em Taybeh, foram atingidas concentrações de soldados e forças militares israelenses, com relatos de baixas entre os invasores.
Essas ações ocorrem dentro da chamada “Linha Amarela”, zona militar que “Israel” tenta impor no sul libanês sob o pretexto de garantir sua segurança. Na prática, trata-se de uma ocupação de partes do território do Líbano, acompanhada pela destruição de casas, estradas e bairros inteiros. Como ocorre em toda guerra imperialista, o discurso da “segurança” serve apenas para encobrir a ocupação, a destruição e o terror contra a população.
A operação em Taybeh, que teria deixado ao menos um soldado israelense morto e vários feridos, mostra que as tropas invasoras não conseguem garantir sequer sua própria segurança. O governo de Benjamin Netaniahu fala em “resposta forte”, mas os próprios relatos vindos de “Israel” indicam que as ações militares seguem limitadas, presas a regras de engajamento que não alteram o quadro geral da guerra.
O problema central para o sionismo é evidente. “Israel” consegue bombardear vilarejos, destruir infraestrutura e assassinar civis, mas não consegue derrotar a organização armada que resiste à ocupação. O Hesbolá, mesmo sob enorme pressão militar e política, mantém capacidade de iniciativa e obriga o inimigo a permanecer em uma guerra de desgaste.
Enquanto isso, a guerra no Oriente Próximo segue diretamente ligada à agressão dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã. O chanceler iraniano Abbas Araghchi chegou a São Petersburgo para consultas com o presidente russo Vladimir Putin, após passagens por Omã e Paquistão. A pauta central é a negociação de um cessar-fogo e a reorganização das condições de segurança no estreito de Ormuz.
O Irã apresentou aos mediadores uma proposta em três fases. A primeira estabelece o fim da agressão norte-americana e israelense e garantias de que os ataques não serão retomados. A segunda trata da administração do estreito de Ormuz, com participação de Omã. Apenas em uma terceira etapa o Irã aceitaria discutir seu programa nuclear.
A proposta iraniana mostra que o Irã não aceita negociar sob chantagem. Os Estados Unidos e “Israel” querem impor concessões ao Irã enquanto mantêm a agressão militar. O Irã, por sua vez, coloca o fim da guerra como condição inicial para qualquer avanço diplomático. É uma posição elementar: não se negocia soberania sob bombardeio.
O estreito de Ormuz permanece como um dos pontos centrais da crise. Por ali passa uma parcela decisiva do petróleo e do gás comercializados no mundo. Ao colocar essa questão na mesa, o Irã demonstra que possui instrumentos concretos de pressão contra o imperialismo e seus aliados no Golfo.
No Líbano, a tentativa de transformar o cessar-fogo em rendição da Resistência fracassa diante das próprias ações israelenses. As demolições, os bombardeios e a ocupação mostram que o problema não é o Hesbolá, mas a agressão sionista. A Resistência aparece, portanto, não como causa da guerra, mas como resposta à ocupação e à destruição do país.
O quadro geral é de crise para o imperialismo. “Israel” não consegue impor uma vitória militar no Líbano. Os Estados Unidos não conseguem arrancar concessões imediatas do Irã. A Resistência continua operando em várias frentes. E cada nova operação do Hesbolá mostra que a ocupação israelense terá um custo cada vez maior.




