O setor de viagens e turismo dos EUA registrou movimento abaixo do esperado às vésperas da Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, com hotéis, companhias aéreas e operadores de turismo enfrentando demanda menor que a prevista. A expectativa de uma grande onda de visitantes internacionais ainda não se concretizou. O custo elevado de ingressos, passagens, hospedagem, vistos e deslocamentos entre cidades-sede reduziu o entusiasmo de torcedores estrangeiros.
Durante anos, o torneio foi apresentado como uma oportunidade de grande arrecadação para o setor de viagens dos Estados Unidos. A Copa de 2026, a maior da história, acontece em 16 cidades-sede distribuídas entre três países. Mesmo assim, poucas horas antes do início do evento, o impulso esperado para hotéis, voos e turismo ainda não aparecia nos números.
As multidões de torcedores com as quais os hotéis contavam não chegaram na proporção prevista. Muitos estabelecimentos passaram a reduzir tarifas, enquanto as reservas de voos caíram em relação à expectativa. Ao mesmo tempo, os preços das passagens subiram, e os ingressos caros para os jogos afastaram parte do público. Analistas do setor avaliam que o entusiasmo está menor que em Copas anteriores.
A dificuldade não está concentrada em um único fator. Os custos de viagem aumentaram, a obtenção de vistos para os EUA permanece cara e incerta para torcedores de vários países, e a distância entre cidades-sede torna a experiência mais complexa. Em um país onde o futebol tem menos peso cultural que em outras regiões, os torcedores locais não preencheram a lacuna deixada pelos estrangeiros.
Na cidade de Nova Iorque, a associação hoteleira reduziu em 60% sua previsão de receita com quartos ligados à Copa para cerca de 60 milhões de dólares. A Federação Internacional de Futebol (FIFA) havia projetado que 1,2 milhão de torcedores passariam pela cidade, sede da final de 19 de julho, mas a expectativa do setor hoteleiro local caiu para cerca de meio milhão.
As reservas de voos da Europa para a maioria das cidades-sede em junho e julho caíram 3,8% em média em relação ao ano anterior, conforme dados da Cirium. Para Nova Iorque, a queda foi de 15,8%. Esses números são especialmente relevantes porque a Copa costuma depender de torcedores internacionais dispostos a viajar grandes distâncias e gastar mais para acompanhar suas seleções.
Os hotéis ainda esperam uma onda de reservas de última hora, especialmente após a fase de grupos. Mesmo assim, a média de reservas nas cidades-sede subiu apenas 0,5% em relação ao ano anterior, conforme dados da CoStar. Em Nova Iorque, o New York Hilton Midtown, maior hotel da cidade, reduziu tarifas para o período do torneio pela metade, chegando a 415 dólares por noite em comparação com valores anunciados em dezembro.
O preço dos ingressos se tornou outro fator de desmobilização. Em cidades como Nova Iorque e Miami, os bilhetes mais baratos se aproximam de 1.000 dólares. A introdução de preços dinâmicos pela FIFA e a autorização de revenda sem teto pressionaram ainda mais os valores. Mesmo que os preços caiam perto das partidas, muitos torcedores estrangeiros ainda terão dificuldade para resolver vistos, voos e hospedagem em curto prazo.
O ponto positivo aparece nos aluguéis de temporada. Plataformas como Airbnb e empresas de análise de hospedagem apontam aumento em reservas de baixo custo em cidades como Boston e Los Angeles. Isso mostra que ainda há demanda, mas ela procura alternativas menos caras que hotéis tradicionais.




