Coluna

Com ajudinha do VAR, Messi marca contra Argélia após ter pisado na panturrilha de adversário

Argentino escapou de expulsão clara na vitória por 3 a 0; França e Noruega também venceram no dia

A Argentina estreou na Copa do Mundo nesta terça-feira (16) com vitória por 3 a 0 sobre a Argélia, em uma partida marcada não apenas pelos três gols de Lionel Messi, mas também por uma ajuda decisiva da arbitragem. Aos 30 minutos do primeiro tempo, o camisa 10 argentino pisou na panturrilha de Mandi, da Argélia, em uma entrada que colocou em risco a integridade física do adversário. O árbitro polonês Szymon Marciniak não expulsou Messi e o VAR também nada fez.

O episódio é uma demonstração clara do tratamento privilegiado dado ao jogador argentino. A jogada era de expulsão. Messi errou um passe, perdeu a disputa e, na sequência, atingiu o adversário com a trava da chuteira. Os argelinos imediatamente pediram o cartão vermelho, mas a arbitragem preferiu ignorar o lance.

A própria imprensa burguesa especializada foi obrigada a reconhecer o escândalo. A comentarista de arbitragem Renata Ruel afirmou que Messi deveria ter sido expulso, pois houve “contato pleno” da trava da chuteira na panturrilha do jogador argelino. Segundo ela, o lance caracteriza “jogo brusco grave”. Também disse que árbitro e VAR “pipocaram”.

O argentino, tratado como intocável pela imprensa esportiva internacional, recebeu uma proteção que dificilmente seria dada a outros jogadores. Se o lance tivesse sido cometido por Neymar, a gritaria seria ensurdecedora. O jogador brasileiro seria tratado como irresponsável, violento, mimado, indisciplinado. Haveria programas inteiros, colunas e comentários exigindo punição do craque.

Com Messi, o tratamento foi outro. O pisão praticamente desapareceu diante da comemoração em torno de sua marca pessoal. O argentino marcou os três gols da vitória e chegou a 16 gols em Copas, igualando Miroslav Klose na artilharia histórica do torneio.

A Argélia, que já tinha enormes dificuldades diante de uma das seleções favoritas ao título, acabou jogando contra a Argentina e contra a complacência da arbitragem. A partida poderia ter tomado outro rumo caso a regra fosse aplicada como deve ser. Com um jogador a mais desde o primeiro tempo, a seleção argelina teria condições muito melhores de disputar o jogo. A vitória argentina, portanto, ficou marcada por esse favorecimento.

Mais cedo, a França venceu Senegal por 3 a 1 em Nova Jersey, pelo Grupo I. A seleção francesa teve dificuldades no primeiro tempo, quando os senegaleses criaram as melhores oportunidades e chegaram a acertar a trave com Nicolas Jackson. No fim da etapa inicial, Ismaila Sarr também desperdiçou boa chance após jogada de Sadio Mané.

No segundo tempo, a França melhorou. Mbappé abriu o placar aos 21 minutos, Bradley Barcola ampliou aos 37 e Ibrahim Mbaye diminuiu nos acréscimos. Logo depois, Mbappé fez mais um, em chute forte da intermediária, encerrando o placar.

O atacante francês chegou a 14 gols em Copas do Mundo e ultrapassou Pelé, que marcou 12. Também se tornou o maior artilheiro da história da seleção francesa, com 58 gols. Apesar da vitória, o jogo mostrou que Senegal poderia ter complicado muito mais a estreia francesa.

Muitos torcedores senegaleses não conseguiram viajar aos Estados Unidos por causa da política de vistos do governo norte-americano. A presença senegalesa no estádio foi parcialmente sustentada por imigrantes e torcedores da diáspora africana.

No outro jogo do Grupo I, a Noruega venceu o Iraque por 4 a 1, em Boston. Erling Haaland foi o principal nome da partida, com dois gols e uma assistência. Foi a primeira partida do atacante em uma Copa do Mundo, já que a Noruega não disputava o torneio desde 1998.

A Noruega abriu o placar aos 29 minutos, quando Wolfe cruzou para Haaland completar. O Iraque empatou aos 38, com Aymen Hussein, de cabeça. Quatro minutos depois, Haaland aproveitou erro da defesa iraquiana e recolocou os europeus na frente.

Na etapa final, o Iraque tentou reagir, mas a Noruega controlou melhor a partida. Ostigaard marcou o terceiro aos 31 minutos, após cobrança de escanteio, e Thorstvedt fechou a goleada no último lance. Com o resultado, a Noruega assumiu a liderança do Grupo I, empatada em pontos com a França, mas com melhor saldo de gols.

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