Após quatro anos de ausência nas telas, o programa Zona do Agrião reestreou na Causa Operária TV (COTV) neste sábado (13). Sob o comando dos comentaristas Juca Simonard e Henrique Áreas, o novo episódio teve início minutos depois da estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, que terminou em um empate por 1 a 1 contra o Marrocos.
De forma bem-humorada, Juca Simonard destacou o tamanho da expectativa do público para o retorno da bancada.
“Isso daqui teve mais pressão do que pro Neymar ser convocado. Faz uns dois anos que todas as mensagens que eu recebia no WhatsApp diziam: ‘Tem que voltar o Zona do Agrião, tem que voltar'”, relatou Simonard.
Henrique Áreas celebrou o reinício dos trabalhos justamente no dia da estreia da Amarelinha, sinalizando que a atração deverá seguir no ar de forma regular ao menos até o fim do torneio.
Ao analisar o placar de 1 a 1, a bancada rechaçou qualquer leitura de “desastre” ou crise imediata na seleção comandada por Carlo Ancelotti. Os jornalistas traçaram paralelos históricos com campanhas vitoriosas do Brasil que também começaram com tropeços ou empates na fase de grupos, como em 1978, 1994 (empate com a Suécia) e 2018 (1 a 1 contra a Suíça).
Henrique Áreas lembrou que o Marrocos consolidou-se como uma das equipes mais competitivas do futebol atual, tendo sido semifinalista da Copa anterior e vencido o Brasil em um amistoso recente por 4 a 2. Diante do regulamento atual da FIFA, que classifica os melhores terceiros colocados, os analistas apontaram que o resultado não ameaça a sobrevivência das duas potências no grupo.
“Eu sei que o torcedor em geral sempre quer ganhar, eu também queria, mas é uma coisa boa porque a gente teve uma oportunidade agora que o próprio Ancelotti mostrou, que foi de testar o time contra uma seleção competitiva. Então, eu acho que é um resultado OK”, ponderou Áreas.
O início da partida foi descrito como um período de “sufoco previsto”, reflexo da imensa pressão psicológica que recai historicamente sobre a Seleção Brasileira. Contudo, a bancada elogiou a leitura de jogo de Ancelotti no segundo tempo. O treinador substituiu os jogadores que já carregavam cartões amarelos, sacando o zagueiro Ibañez (improvisado na lateral) e o volante Casemiro para as entradas de Danilo e Fabinho, o que garantiu maior solidez defensiva e equilíbrio ao time.
O principal problema técnico apontado na partida foi a falta de articulação e criatividade no meio-campo, setor que sofre com a ausência temporária de Neymar, ainda em recuperação física. Lucas Paquetá, que herdou a função de armador, não fez uma boa exibição.
“O Neymar foi, como qualquer craque, saindo da ponta para o meio justamente porque virou um cara inteligente. Hoje em dia o Neymar tem que jogar por dentro, ele virou o cérebro da seleção. Ele é o cara que vai pensar o jogo e dar aquele passe de qualidade”, avaliou Henrique Áreas, endossando uma antiga tese do ex-técnico Tite.
O gol brasileiro foi fruto de uma jogada individual descrita como “sensacional” por Vinícius Júnior. O atacante, frequentemente contestado por não replicar o desempenho do Real Madri na seleção, teve sua permanência no time titular defendida de forma categórica pela bancada.
Simonard e Áreas denunciaram o ambiente hostil e os abusos burocráticos promovidos pelos Estados Unidos, um dos países-sede do torneio. Foram citados os casos de atletas do Iraque retidos em interrogatórios, o banimento de um árbitro da Somália e o tratamento dado à delegação do Irã.
Os jogadores iranianos foram proibidos de se concentrar em território norte-americano, sendo obrigados a se hospedar no México e a realizar viagens de bate-volta apenas nos dias de seus jogos na Costa Oeste.
“O que os Estados Unidos estão fazendo deveria, se a FIFA fosse uma entidade séria e não uma entidade que segue os interesses financeiros do imperialismo, levar a um banimento do país de sediar qualquer torneio de futebol para sempre. Isso tira completamente a isonomia da competição”, protestou Áreas.
A bancada também repudiou o veto da FIFA à camisa oficial do Haiti, que continha uma estampa em homenagem à Revolução Haitiana e à primeira revolta de escravizados vitoriosa das Américas. Para os analistas, a censura estética comprova o caráter reacionário da organização.
A atuação da arbitragem por vídeo (VAR) voltou a ser alvo de pesadas críticas no Zona do Agrião. Relembrando as edições de 2018 e 2022 — onde o Brasil sofreu com penalidades não marcadas contra a Bélgica e a Croácia —, os jornalistas ironizaram a hiper-regulamentação do esporte moderno.
Segundo a análise de Henrique Áreas, as regras do futebol estão se tornando excessivamente interpretativas, assemelhando-se à complexidade da Constituição Brasileira. O jornalista reforçou a denúncia feita pelo programa desde a Copa da Rússia de que o VAR funciona, muitas vezes, como um mecanismo institucionalizado para “arrumar resultados” de acordo com interesses econômicos de bastidores.
O programa dedicou um momento solene para homenagear o ex-zagueiro Hércules Brito Ruas, o Brito, campeão do mundo com a Seleção de 70, que faleceu na última quinta-feira em decorrência de complicações de uma pneumonia.
Brito, lembrado por ser o único zagueiro de ofício da mítica equipe de Pelé e Tostão, havia sido condecorado na época pelo maior preparo físico do torneio no México. Áreas resgatou a famosa crônica “Cobrantina”, de João Saldanha, escrita após o título de 1970 para calar os críticos da época: “a cobrantina é para quem falou que o Brito não conseguia dominar uma bola”.





