EUA

Professora da Universidade Columbia é ex-espiã israelense

Professora de departamento de deportação da Universidade Columbia é ex-espiã israelense

A professora no centro do escândalo de deportação da Universidade Columbia é uma ex-oficial da inteligência israelense, conforme revela a MintPress News.

Mahmoud Khalil, recém-formado pela Escola de Assuntos Internacionais e Públicos (SIPA) da universidade, foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) no sábado por seu papel na organização de protestos no ano passado contra o genocídio promovido por “Israel” em Gaza. A reitora de Khalil, Dra. Keren Yarhi-Milo, chefe da SIPA, é ex-oficial da inteligência militar israelense e ex-funcionária da Missão de Israel nas Nações Unidas. Yarhi-Milo teve um papel significativo ao fazer a campanha sionista, denunciando suposto antissemitismo “intolerável” que estaria se espalhando pelo campus, estabelecendo assim as bases para a ampla repressão às liberdades civis que se seguiu aos protestos.

Espiões entre nós

Antes de ingressar na academia, a Dra. Yarhi-Milo atuou como oficial e analista de inteligência nas Forças de Defesa de Israel (IDF). Como foi recrutada para os serviços de inteligência devido à sua fluência em árabe, é provável que seu trabalho envolvesse a vigilância da população árabe.

Após deixar o mundo da inteligência, ela trabalhou na Missão Permanente de Israel junto às Nações Unidas, em Nova York. Foi lá que conheceu e se casou com seu marido, o porta-voz oficial de “Israel” na ONU.

Embora agora atue como acadêmica, ela nunca se afastou do campo da segurança internacional, que se tornou sua área de especialização. Tem se dedicado a promover a presença feminina nesse setor. Um exemplo disso foi seu diálogo em 2023 com Avril Haines, então diretora de Inteligência Nacional dos EUA. No entanto, mesmo com Khalil sendo aluno de sua escola, ela não se pronunciou sobre sua prisão. Na verdade, em vez de comentar o caso (como exigiram ativistas), ela optou nesta semana por convidar Naftali Bennett — primeiro-ministro de Israel entre 2021 e 2022 — para palestrar na Universidade Columbia. Estudantes que protestaram contra o evento na terça-feira foram condenados pelas autoridades da universidade por “assediarem” Yarhi-Milo.

Protestos Sem Precedentes, Repressão Sem Precedentes

Columbia foi o epicentro de um enorme movimento de protesto em todos os campi universitários do país no ano passado. Estima-se que pelo menos oito por cento de todos os estudantes universitários americanos participaram de manifestações denunciando o ataque genocida à Gaza e pedindo que as instituições educativas se desvinculassem de Israel. A resposta foi igualmente dura em sua escala. Mais de 3.000 manifestantes foram presos, incluindo membros do corpo docente.

O movimento nacional começou em Columbia em 17 de abril, quando um modesto acampamento de solidariedade à Gaza foi estabelecido. Os manifestantes ficaram chocados quando a presidenta da universidade, Minouche Shafik, imediatamente chamou a Polícia de Nova York – a primeira vez que a universidade permitiu que a polícia suprimisse a dissidência no campus desde os famosos protestos de 1968 contra a Guerra do Vietnã.

Mahmoud Khalil foi um dos líderes do movimento. O refugiado palestino nascido na Síria estava disposto a falar de forma calma e coerente à imprensa sobre os objetivos do protesto. Residentes permanentes nos Estados Unidos, ele foi sequestrado pela ICE no sábado.

“A ICE orgulhosamente prendeu e deteve Mahmoud Khalil, um estudante radical pró-Hamas no campus da Columbia University. Esta é a primeira prisão de muitas que estão por vir”, afirmou o presidente Trump. O Secretário de Estado, Marco Rubio, ecoou a ameaça sombria de Trump, anunciando: “Revogaremos os vistos e/ou green cards dos apoiadores do Hamas na América para que possam ser deportados.” Em outra clara ameaça, a administração Trump moveu para cancelar $400 milhões em financiamento para a Universidade de Columbia, citando a falha da instituição em reprimir adequadamente os incidentes “antissemíticos” no campus.

A esposa de Khalil, grávida de oito meses, foi inicialmente informada de que ele tinha sido levado para uma instalação em Elizabeth, Nova Jersey. Na verdade, ele tinha sido transferido para o meio do país, para um centro em Jena, Louisiana. O jornalista Pablo Manríquez, da Migrant Insider, explicou que a ICE frequentemente faz “shopping de juiz de imigração”, colocando detidos em centros de detenção sob jurisdições de tribunais que muito raramente decidem a favor de migrantes.

A tentativa de grande destaque de deportar um portador de Green Card devido a uma fala política criticando um governo estrangeiro deixou muitos advogados de direitos civis profundamente preocupados. Alec Karakatsanis, por exemplo, declarou que “nunca vi uma violação da Primeira Emenda tão clara, ou uma declaração tão flagrante do governo indicando a intenção de violar a lei”. “O governo não afirma que ele cometeu um crime, apenas que ele tinha opiniões que o governo não gosta sobre Israel. De arrepiar”, acrescentou.

Financiadores bilionários pró-Israel da Columbia

Grande parte do financiamento da Universidade Columbia vem de doações de benfeitores bilionários. Mas essas doações vêm com condições. Isso ficou evidente após o surgimento do movimento de protesto, quando muitos patronos pró-Israel exigiram que a universidade tomasse providências. O magnata da indústria Robert Kraft, por exemplo, anunciou publicamente que cortaria o financiamento generoso à sua alma mater por ela não ter reprimido de forma eficaz as manifestações.

O gestor de fundo de hedge Leon Cooperman fez o mesmo, exigindo que os “jovens malucos” da Columbia “fossem controlados”. Esses “jovens”, ao que parece, incluíam também o professor jordaniano de 61 anos Joseph Massad, cujas opiniões sobre o Oriente Médio foram consideradas intoleráveis por Cooperman, que pediu sua demissão. Já o oligarca nascido na União Soviética, Len Blavatnik, instou a polícia a responsabilizar os manifestantes.

Juntos, acredita-se que Kraft, Cooperman e Blavatnik tenham doado quase US$ 100 milhões à Columbia, o que lhes confere considerável influência sobre a orientação política da universidade.

Também houve vozes dentro da própria universidade clamando por uma repressão violenta ao movimento estudantil. O professor assistente de Gestão Empresarial Shai Davidai, por exemplo, denunciou os manifestantes como “nazistas” e “terroristas” e pediu que a Guarda Nacional interviesse no acampamento, fazendo uma referência velada ao Massacre da Universidade Estadual de Kent. Davidai, israelense-americano, serviu nas Forças de Defesa de Israel (IDF) e expressou publicamente orgulho desse serviço.

Dada a mais recente adição ao corpo docente, parece improvável que a Escola de Assuntos Internacionais e Públicos (SIPA) venha a moderar suas posições pró-Israel. Em janeiro, a escola anunciou a entrada de Jacob Lew como novo membro da equipe. Lew havia acabado de deixar seu cargo como embaixador dos EUA em Israel no governo Biden — função na qual facilitou a cumplicidade americana no genocídio, fornecendo armas a Israel e oferecendo apoio diplomático às suas ações.

Defendendo ‘Israel’, Destruindo a Liberdade de Expressão

Leitores de longa data do MintPress News podem estar menos surpresos do que muitos ao saber que oficiais de inteligência militar israelenses ocupam posições tão importantes na vida pública americana. Investigações anteriores do MintPress descobriram enormes redes de ex-espiões israelenses trabalhando em cargos de destaque em grandes empresas de tecnologia e redes sociais, incluindo Microsoft, Google, Meta e Amazon. Até o TikTok, frequentemente rotulado como um aplicativo de espionagem chinês, contratou ex-espiões israelenses para administrar seus assuntos. E em outubro, revelamos que ex-agentes israelenses estão escrevendo as notícias da América, com múltiplos ex-agentes trabalhando em importantes veículos dos EUA, incluindo CNN, Axios e o New York Times.

Talvez, então, o fato de que o reitor da própria escola que está no centro de uma tempestade midiática mundial seja um ex-oficial de inteligência militar israelense não deva ser tão chocante. Mas continua a ser um lembrete claro do nível extraordinário de viés institucional em favor de Israel exibido em toda a extensão dos Estados Unidos.

 

 

 

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