Manifestação de Bolsonaro

O maior ato dos últimos 12 meses… e daí?

Articulista do 247 ignora por completo a importância da mobilização na luta política

No artigo Versão “Tchutchuca” de Bolsonaro não vai livrá-lo da cadeia, publicado pelo Brasil 247, o jornalista Bepe Damasco nos apresenta a ideia de que a mobilização de pessoas em defesa de uma determinada política não causaria nenhum efeito no regime político. Ao analisar a manifestação de 25 de fevereiro, convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Damasco afirma que:

“O diabo é o dia seguinte. Como não consta do Código Penal, do Código de Processo Penal e da Constituição da República que colocar muita gente na rua tem o condão de livrar investigados e indiciados do acerto de contas com a justiça, segue dura a vida de Bolsonaro.”

De fato, não consta no Código Penal que colocar gente na rua livre alguém da cadeia. Também não consta no Código Penal que ter muito dinheiro livre alguém da cadeia, mas isso acontece a todo momento. Nos presídios brasileiros, quase todos superlotados, 99% da população encarcerada é pobre. Será que isso tem algo a ver com a letra da lei?

É óbvio que se existem julgamentos baseados em interesses políticos, há também julgamentos influenciados pela pressão política da mobilização de rua. Um caso é bastante conhecido dos brasileiros e de Bepe Damasco: o do presidente Lula, que não foi condenado pelo que está escrito no Código Penal, no Código de Processo Penal ou na Constituição da República. Tanto é assim que muito do que foi usado contra a liderança petista e seus aliados teve de ser inventado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O mesmo Lula, por sua vez, foi solto porque as condições políticas mudaram. E parte dessa mudança se deve à mobilização pela soltura do hoje presidente.

A mobilização é uma demonstração de força. E, portanto, pode ser decisiva para alterar a correlação de forças. Um ato com dezenas de milhares de apoiadores tem muito mais impacto que milhares de manchetes de jornais criticando Bolsonaro. A manifestação, portanto, deixa um recado claro: a prisão do ex-presidente poderá causar uma grande crise no regime político.

A vontade de ignorar a manifestação é tão grande que Bepe Damasco chega ao ponto de dizer: “a propósito, qual foi o fato político novo trazido pela manifestação deste domingo, na Avenida Paulista? Por óbvio, na medida em que se tratou de um ato de natureza política, não seria razoável menosprezar a grande quantidade de pessoas presentes à micareta golpista. Mas e daí?“.

Dito de outra forma: “e daí que Bolsonaro seja capaz de mobilizar dezenas de milhares de pessoas?”. É uma loucura desprezar esse dado. A disposição das pessoas que saíram às ruas é um óbvio sinal de alerta àqueles que estão procurando bloquear o avanço do bolsonarismo pelas vias da Justiça e da polícia.

Também chama a atenção o seguinte trecho do texto de Damasco:

“Qual é o próximo passo imaginado pelo ex-presidente? Convocar um ato em Copacabana? Uma motociata? Um passeio de jet ski? Que efeito prático teriam? […] Não ficou a sensação que o último cartucho foi gasto na Paulista?”

Os próximos passos são óbvios, e pouco têm a ver com um passeio de jet ski. No ato de 25 de fevereiro, a esposa de Michele Bolsonaro, por exemplo, deixou claro qual será o mote da campanha bolsonarista: o de que Bolsonaro é um perseguido político pelo “sistema”, que envolve o STF e o governo federal. O de que os bolsonaristas são perseguidos pelos “maus”, são injustiçados, e que, por isso, devem lutar pela anistia dos “pobres coitados” do 8 de janeiro.

O ato de 25 de fevereiro não foi, nem de longe, o “último cartucho”. Foi, na verdade, o início de uma campanha política. E que tem tudo para dar certo, uma vez que o STF está jogando lenha na fogueira do bolsonarismo, na medida em que leva adiante uma perseguição com medidas arbitrárias.

Por fim, convém também destacar o trecho em que Damasco afirma que “a partir desta segunda-feira, nem as imagens da multidão na Paulista, nem os tapinhas nas costas dados pelos áulicos, e tampouco a ordem unida de seu clã, farão Bolsonaro escapar da continuação de seu calvário, um pesadelo que lhe assombra na forma de várias siglas: PF. MPF. PGR e STF“.

Neste parágrafo, fica claro o porquê de Damasco falsificar tanto a importância do ato. No final das contas, tudo se resume a uma política de avestruz, ao medo de que o bolsonarismo esteja de fato se fortalecendo. E esse medo não é por acaso: na medida em que um setor da esquerda fez de sua política “torcer” pelo STF em vez de travar a sua própria luta contra o bolsonarismo, resta torcer para que de fato o STF não “afine” diante da mobilização bolsonarista.

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