O Ocidente não sabe o que fazer com a guerrilha iemenita. Não há sinal mais emblemático do quão vai mal a estratégia ocidental de dominação econômica e militar dos países periféricos, desde pelo menos a invasão russa na Ucrânia, que as potências imperialistas não saberem como lidar com o que, até pouco tempo, parecia um absolutamente incapaz movimento de luta armada equipado com restolhos de armamentos iranianos, massacrados pela guerra alimentada pelos países ricos e que usa outros países árabes como ponta de lança. Se pareciam heroicamente resistentes ante a Arábia Saudita, que dizer de quando enfrentam Estados Unidos e Reino Unido, além do próprio Estado de Israel, e seguem vitoriosos?
Vale lembrar que a guerra é um acontecimento político, e não é necessariamente matando mais que se vence. Os Estados Unidos mataram dez vezes o que mataram e destruíram os vietnamitas, na Guerra do Vietnã, mas perderam a guerra por falta de sustentação política, e o Vietnã do Norte venceu a guerra porque atingiu seu objetivo: unificar o país sob o socialismo.
Dito isso, vê-se que as lutas armadas islâmicas estão vencendo a guerra, pois, ainda que morram muitos mais, dia após dia os orientais atingem seus objetivos. Afinal, o Hamas atacou Israel e causou a maior desestabilização ao seu país inimigo desde que fora fundado, o que sequer Estados nacionais como Síria e Egito conseguiram. Nunca Israel esteve tão perto de perecer em sua existência, não somente em sua integridade, pois não se sabe o que será do país, conforme o concebemos hoje, no longo prazo. E os houthis, que lideram a luta armada iemenita, entraram no conflito subestimados pelo Ocidente, tal como fosse apenas um ato simbólico, e interromperam o tráfego de carga no Mar Vermelho. Quando os americanos e ingleses foram atacá-los, imaginaram neutralizá-los em poucos dias, e a guerrilha segue e parece ter se fortalecido.
Se o Ocidente não tem mais controle sobre pequenos grupos armados que sequer têm domínio territorial sobre um país, mas são capazes de inviabilizar o comércio marítimo dos países imperialistas na região, a ponto de as companhias de seguro entregarem os pontos e não ressarcirem mais navios que passam ali, é sinal de que o próprio capital já não crê no seu aparato imperialista.
Aquilo que tanto se diz sobre o aquecimento global, de que estão acontecendo hoje as catástrofes que prevíamos para daqui a trinta anos, deveria ser apontado para o desmoronamento das estruturas políticas e econômicas que dominaram o mundo desde a consolidação do capital, no século XIX.





