Guerra 'Israel'-Palestina

Assassinato de líder do Hamas: uma nova etapa no conflito?

Hesbolá pode aumentar o seu ataque à ocupação nazista israelense, mostrando que ataques no Líbano não serão tolerados

Nessa terça-feira (2), o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas, na sigla em árabe) confirmou que Saleh al-Arouri, vice-chefe do birô político do partido palestino, foi assassinado por “Israel” após um ataque de drones em Dahinyeh, município ao sul de Beirute, capital do Líbano.

Al-Arouri era conhecido por estar profundamente envolvido nos assuntos militares do Hamas. Anteriormente, ele chefiou a atuação do grupo na Cisjordânia ocupada. O canal oficial do partido islâmico no Telegram também confirmou a morte de outros seis membros: os comandantes das Brigadas al-Qassam Samir Findi e Azzam al-Aqraa e os membros do Hamas Mahmoud Zaki Shahin, Mohammad Bashasha, Mohammad al-Rayes e Mohammad Hamoud.

Em resposta, o Hamas deixou claro que o assassinato de al-Arouri não iria “minar a contínua resistência corajosa” em Gaza. “Isto prova mais uma vez o fracasso total do inimigo em alcançar qualquer um dos seus objetivos agressivos na Faixa de Gaza”, disse Izzat al-Rishq, alto funcionário do Hamas, em comunicado.

Segundo Zeina Khodr, correspondente da Al Jazeera na capital libanesa, a população entrou em pânico após o ataque. “O assassinato seletivo fez com que muitas pessoas aqui na capital sentissem que este conflito poderia se ampliar e escalar, e todos os olhos estão agora voltados para a reação do Hesbolá”, disse Khodr.

O governo do país árabe, por sua vez, condenou o ataque, destacando que se trata de uma violação de sua soberania. O gabinete do primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, afirmou que o ataque “quer atrair o Líbano em uma nova fase de confronto” com “Israel”.

Abbas Ibrahim, chefe de segurança do Líbano, afirmou numa publicação nas redes sociais que o assassinato de Saleh al-Arouri é uma tentativa israelense de “correr para o front depois de não ter conseguido qualquer vitória em Gaza que não fosse crimes de guerra e massacres”.

Após o assassinato, Ibrahim também levantou questionamentos sobre o destino da resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que pôs fim à guerra de 2006 entre o Líbano e “Israel” e proibiu os dois lados de se atacarem.

Um porta-voz do Ministério dos Assuntos Estrangeiros iraniano condenou o que chamou de “assassinato pelo regime sionista [“Israel”]” de Saleh al-Arouri. O porta-voz acrescentou que o assassinato foi resultado da “pesada e insubstituível derrota de Israel contra as facções da resistência”.

“Condenamos a violação da soberania e integridade territorial do Líbano pelo regime sionista”, disse o porta-voz.

Os líderes da resistência islâmica não pouparam adjetivos para descrever quão covarde foi a ação israelense em questão.

Ismail Haniyeh, o principal líder do Hamas, condenou o ataque como um “ato terrorista”, uma violação da soberania do Líbano e uma expansão do raio de hostilidades de “Israel” contra os palestinos. Ele também afirmou que o assassinato de al-Aruori foi “covarde”, uma “agressão brutal” e um “crime flagrante que demonstra, mais uma vez, a brutalidade efetuada pela ocupação contra o nosso povo”. “A ocupação é responsável por quaisquer repercussões”, afirmou.

As declarações de Hanieyeh foram feitas durante um discurso televisionado logo após o assassinato de seu companheiro de partido. Ele ressaltou que al-Arouri deixa para trás “homens fortes que defenderão a nossa terra”.

“Todos estes assassinatos e ataques nos tornarão mais fortes e determinados do que nunca. Esta é a história da resistência e do nosso movimento. Sempre nos tornamos mais fortes e determinados”, disse Haniyeh, antes de concluir seu discurso.

O Hesbolá, partido libanês que está atuando em conjunto com o Hamas contra a ocupação nazista de “Israel”, elogiou o falecido líder palestino em uma declaração oficial, deixando claro que o assassinato não deterá os combatentes da resistência no Líbano, na Síria, no Iraque e no Iêmen.

“Consideramos o crime de matar Saleh al-Arouri e os seus companheiros no coração de Dahiyeh, em Beirute, uma agressão perigosa contra o Líbano e o seu povo, a segurança, a soberania e a resistência”, disse o Hesbolá. A expectativa é que o partido libanês aumente sua ofensiva contra o Estado sionista, algo que pode desestabilizar de vez a ocupação israelense nazista.

O Hesbolá, ainda em seu comunicado, destacou que o ataque israelense em seu país é um “desenvolvimento perigoso” no conflito entre “Israel” e a resistência armada, prometendo retaliação:

“Nós, no Hesbolá, enfatizamos que este crime não passará sem resposta ou punição, e que a nossa resistência ainda cumpre a sua promessa – desafiadora e leal aos seus princípios e compromissos com os dedos no gatilho, e os seus combatentes estão ao mais alto nível grau de prontidão”, afirmou o grupo no comunicado.

Pouco tempo depois, o grupo libanês atacou o lado oriental da fronteira libanesa-israelense, atingindo “com as armas apropriadas” uma unidade de soldados sionistas. Segundo o Hesbolá, as tropas foram mortas e feridas.

Além das declarações dos governos árabes e dos partidos que fazem parte da resistência armada contra “Israel”, a população na Palestina, principalmente, realizou protestos contra o assassinato de al-Arouri. Em Ramala, na Cisjordânia ocupada, e em várias cidades próximas, como Deir Qaddis, foram registrados protestos contra o Estado nazista israelense.

Ao mesmo tempo, nas mesquitas de Arura, a cidade natal do falecido líder do Hamas, também na Cisjordânia, os palestinos se reuniram para lamentar a morte de al-Arouri. Segundo a Al Jazeera, foi marcada uma greve geral em Ramala para a quarta-feira em protesto ao assassinato.

 

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