Na última quarta-feira (20), os Estados Unidos anunciaram a soltura de 20 cidadãos venezuelanos que estavam presos no país imperialista, dentre eles o diplomata Alex Saab. A troca se deu no âmbito de um acordo com a Venezuela para a libertação de 10 norte-americanos.
O governo Maduro emitiu um comunicado pouco tempo depois celebrando a libertação de Saab, que ficou detido por mais de três anos. Ele foi preso em Cabo Verde, em junho de 2020, com base em um mandado de prisão farsesco emitido pelos EUA sob a acusação de lavagem de dinheiro. Posteriormente foi extraditado para território norte-americano.
Em uma coletiva de imprensa feita pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e chefe da equipe negociadora do Executivo, Jorge Rodríguez, foram revelados detalhes sobre o tempo que Saab passou na prisão: o diplomata venezuelano foi torturado durante os três anos que ficou detido nos Estados Unidos.
Em seu comunicado, Rodríguez afirmou que Saab sofreu golpes, afogamentos e chutes, bem como um tratamento desumano que resultou na perda de três dentes devido às agressões. Ele enfatizou a gravidade dos abusos cometidos contra Alex, deixando claro que os responsáveis por esses crimes serão identificados.
“Vão ser conhecidas as torturas indizíveis às quais ele foi submetido, os golpes, os afogamentos, o tratamento desumano, [o fato de] terem arrancado três dentes dele a pontapés”, declarou Rodríguez durante a coletiva.
Saab, por sua vez, concordou com tudo que foi dito por Rodríguez. Ele disse que sua detenção foi, na prática, um sequestro no qual foi isolado, torturado, difamado e caluniado. O diplomata ainda firmou que tanto as autoridades cabo-verdianas quanto as norte-americanas não conseguiram comprovar qualquer crime contra ele ou contra a Venezuela, mesmo ficando 1.286 dias no inferno que ele descreveu.
Durante a coletiva, o presidente da Assembleia Nacional fez, também, uma breve retrospectiva do caso de Saab. Rodríguez relembrou que Mark Esper, ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos, confessou, em seu livro A Sacred Oath, o verdadeiro motivo do sequestro de Saab em Cabo Verde: ele estava negociando um acordo especial para contornar as sanções genocidas que o imperialismo impôs sobre a Venezuela durante a pandemia.
Rodríguez ainda ressaltou que as declarações de Esper em seu livro foram respaldadas por Mike Pompeo, ex-secretário de Estado dos EUA, que admitiu que não havia ordem de prisão internacional contra Saab no momento de sua detenção. Ademais, segundo sua declaração, o governo do então presidente norte-americano Donald Trump utilizou o sequestro de Saab como uma oportunidade para enfraquecer o governo Maduro, aproveitando a crise que a pandemia da COVID-19 abriu no mundo inteiro.
Antes da coletiva de Rodríguez, ainda na quarta-feira, Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, recebeu Saab no Palácio Miraflores, sede do Executivo venezuelano, após o diplomata chegar ao país latino-americano por meio do Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, no estado de La Guaira:
“Quero dar as boas-vindas a este homem corajoso e patriótico, que resistiu 1.280 dias, 40 meses, às condições mais adversas, mais dolorosas, aos sequestros, às prisões imundas, à tortura física, à tortura psicológica, às ameaças, às mentiras; e depois de 1.280 dias de sequestro, a verdade e a justiça triunfaram”, disse Maduro.
Ele reforçou a caracterização de Jorge Rodríguez acerca da prisão de Saab, declarando que “o único crime de Alex Saab foi superar as sanções [impostas à Venezuela pelos Estados Unidos] para procurar medicamentos em tempos de pandemia”, ressaltando que, apesar da prisão do enviado venezuelano enquanto viajava ao Irã a fim de procurar soluções para o país durante a crise sanitária, “todos os remédios, gasolina e comida chegaram ao povo venezuelano”.
O chefe do Executivo da Venezuela, na cerimônia de boas-vindas, enviou um recado para Joe Biden, presidente dos Estados Unidos: “aqui está a Venezuela de pé, com o seu próprio modelo, independente, soberana, não seremos colônia de ninguém”. Maduro afirmou que já havia acordado a libertação de Saab com o governo Trump, “mas ele perdeu as eleições e houve uma mudança de governo, então tivemos que começar tudo novamente”.
O caso de Saab mostra como funciona a ditadura que os EUA – e o imperialismo, no geral – impõem sobre o resto do mundo. O diplomata venezuelano foi sequestrado, preso e torturado por mais de três anos simplesmente porque estava procurando um jeito de burlar o bloqueio norte-americano contra a Venezuela.





