Um policial militar deu tapas no rosto de uma mulher, em Barreiras, no oeste da Bahia, na noite de domingo (14), durante uma abordagem em que o marido dela era revistado por agentes. A Polícia Militar da Bahia afastou o policial do serviço operacional na segunda-feira (15), depois da divulgação das imagens nas redes sociais; o caso segue sob investigação interna.
A agressão ocorreu quando a mulher se aproximou do ponto da abordagem, foi colocada contra a parede, sem opor qualquer resistência, e recebeu golpes no rosto. As imagens mostram o policial se aproximando da vítima e perguntando repetidamente por que estava sorrindo antes de desferir os tapas. Após a agressão, o agente ainda pediu seus documentos.
A cena ganhou repercussão porque expôs mais uma ação policial agressiva, ilegal e intimidatória. O material mostra que a mulher estava obedecendo às ordens dadas pelos policiais e mesmo assim foi estapeada. A agressão ocorreu durante a noite do último domingo e foi comunicada publicamente pela corporação no dia seguinte.
A Polícia Militar da Bahia informou que, diante das imagens veiculadas na manhã de segunda-feira, identificou o servidor envolvido e determinou seu afastamento do serviço operacional até o esclarecimento dos fatos. Como sempre, a corporação declarou lamentar o ocorrido e afirmou compromisso com a legalidade e a imparcialidade nas ações policiais.
A nota também informou que as circunstâncias da abordagem seriam apuradas. Todos sabem que nada será apurado, o agente que agiu exatamente como foi ensinado, tratando a população como inimiga. E o comunicado público só ocorreu após pressão pela repercussão do caso na imprensa.
O afastamento, entretanto, não encerra o caso. A investigação interna deveria apurar a conduta do policial, a responsabilidade dos demais integrantes da guarnição e as condições em que a abordagem foi feita. Mas o resultado é o de sempre.
O vídeo indica que a mulher não foi ouvida antes de ser agredida e que a violência ocorreu em uma situação de controle policial já estabelecido, pois o marido estava sendo revistado e ela havia sido orientada a permanecer junto à parede.
Esse tipo de agressão reforça a percepção para o trabalhador que a polícia existe apenas para oprimir, não para proteger. O fato de a vítima ser mulher e de ter sido atingida no rosto por um agente armado e em serviço mostra o tamanho da covardia.





