Roberto França

Militante do Partido da Causa Operária. Professor de Geografia da Unila. Redator e colunista do Diário Causa Operária e membro do Blog Internacionalismo.

Contra o imperialismo

Lula retoma a integração da América Latina por meio da Unila

Lula anuncia investimentos na Unila, uma das ideias do Presidente para promover a integração nacional e da América Latina

O presidente Lula anunciou na terça-feira (4), a retomada das obras do campus Niemeyer – último projeto assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, falecido em dezembro de 2012 -, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila). A solenidade foi em um palco montado próximo ao canteiro de obras da Unila, no terreno doado pela Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR). Durante o evento, foi empossada a nova Reitora da universidade, professora Diana Araujo Pereira, eleita em maio e nomeada em 14 de junho. Além da retomada das obras, diversos investimentos populares foram anunciados, juntamente com a inclusão da Unila no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

A Unila foi criada no segundo mandato do presidente Lula, sendo considerada um símbolo da integração da América Latina e da “cooperação Sul-Sul”. Em 16 de março, durante a posse do atual diretor-geral brasileiro da Itaipu, o presidente Lula assumiu publicamente o compromisso de concluir as obras durante seu mandato com investimento de R$ 600 milhões provenientes dos caixas da Itaipu Binacional. O prazo para a conclusão da obra será de três anos.

Além desse projeto articulado para a integração da América Latina, foram anunciados o repasse de R$ 17 milhões para compra de equipamentos e mobiliários para 278 escolas no Oeste do Paraná, e a construção de moradias populares em Foz do Iguaçu.

Com essa iniciativa, Lula continua a tendência de atuação na contramão do imperialismo, também contrariando a sabotagem de setores do governo que andam lado a lado ao imperialismo, como é o caso de Marina Silva, que ao contrário do Presidente, vem se encontrando com líderes de ONGs e outros representantes de governos que tentam desestabilizar Lula.

No evento que contou com a presença de membros da comunidade acadêmica, autoridades e movimentos populares, Lula demonstra sua tendência ao enfrentamento das contradições impostas pelo imperialismo, além de avançar para reconstruir o País, a partir de uma política que se demonstra cada vez mais bem-sucedida. A desenvoltura com que Lula se desprende da burguesia produz um efeito cada vez maior em torno de um grande apoio popular. O discurso muito além da academia é a definitiva demonstração de que Lula se fortalece junto aos diversos setores que estavam na plateia, desde professores, alunos e técnicos, até movimentos sociais. Foi uma das maiores demonstrações de força de Lula no enfrentamento da sabotagem interna e do próprio imperialismo, conforme trecho obtido na tarde desta terça-feira (4).

A educação é definitivamente a base principal pela formação intelectual, profissional e cultural de uma sociedade. Por isso quanto melhor for a educação, a sociedade será forte, firme, será mais avançada, mais solidária, mais fraterna e mais humanista. O que nós estamos entregando que eu tive pra poder chegar na Unila é que uma vez. Eu estava no PT e recebi uma carta do presidente e na carta o presidente Miguel Castro me comunicava que ele estava dez vagas para alunos filiados ao PT, crianças pobres que estudaram em medicina. Eu fiquei atônito! Como é que eu recebo uma carta do Presidente da República de um país oferecendo de graça para o PT dez da universidade? No momento de que teve dificuldade de arrumar o menino. Porque a gente não tinha certeza como é que as coisas iam acontecer. Depois eu descobri que não era só suspender, ele deu para o PSB também, ele deu para o PCdoB, ele deu para o PDT, ele deu para todos os partidos de esquerda e partidos progressistas, a chance de a gente mandar um grupo de alunos estudar, e o PT mandou dez alunos para Cuba e fui visitar esses alunos, fui visitar a universidade e eu fiquei pensando se um país do tamanho de Pernambuco porque Cuba, que tem cento e dez mil quilômetros, que é igual Pernambuco (tamanho). Cuba tem dez milhões de habitantes, mas Cuba sofre um bloqueio econômico desde mil novecentos e sessenta e um. O país que está impedido de crescer, se não recebe recursos porque há um bloqueio americano em Cuba, consegue fazer uma universidade e oferecer vaga para estudantes pobres de todos os países da América e de todos os países africanos, não era só para o PT, era pra todas as pessoas pobres, sabe? Que tinham chance de fazer uma universidade. Então, fique atento esse país pequeno. Pelo socialismo. Pode fazer isso, por que que nós não podemos fazer isso? Por que que um país do tamanho do Brasil. Por que o Brasil não é o mais pobre? Pobre é povo, o País é rico. O país tem um potencial extraordinário, mas acontece que a riqueza produzida neste País não é distribuída. Tem uma parte da sociedade que vai ficando com o resultado da riqueza e o povo vai ficando com o resultado da pobreza. Por isso é que eu tenho dito. Numa sociedade em que poucos tem muito dinheiro e muitos não tem nada, é uma sociedade condenada à pobreza, fome, a violência, a prostituição, a destituição, porque apenas pouco fica com recurso e a bandeira fica sem nada. Isso significa a destruição de riqueza; significa que todos vão poder comer todo mundo que vestir, todos vão ter dinheiro pra fazer aquilo que as pessoas querem fazer pra comprar comida, pra tomar uma cerveja, pra comprar um refrigerante por quê? Por isso é que não apenas o conhecimento, mas o dinheiro tem que circular na mão do povo. Porque senão o dinheiro fica concentrado na mão de poucas pessoas e a maioria fica por aí, morando na rua […] desencantada da vida […]. É por isso que eu tomei a decisão de fazer uma universidade latino-americana.

Com a crise do imperialismo, Lula vem governando no sentido de viabilizar uma verdadeira plataforma nacional, incluindo ações diplomáticas em associação com o desenvolvimento nacional, retomando obras, organizando setores de apoio composto por trabalhadores, universidades, movimentos populares entre outros. A retomada da Unila como centro estratégico, que se vinculará às demandas populares e posta para construir uma via progressista de desenvolvimento, é um dos anúncios mais importantes até o momento.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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