Em apenas dois dias saberemos o resultado das mais decisivas eleições brasileiras do último período. De um lado Bolsonaro, o candidato financiado pela burguesia e apoiado pelos grandes capitalistas, de outro está Lula, o candidato que tem como sua base de apoio fundamental a classe trabalhadora.
Se no primeiro turno a confusa campanha do Partido dos Trabalhadores possa ter embaralhado as cartas sobre quais realmente eram os setores fundamentais de cada candidato, o segundo turno, e o direcionamento mais claro da candidatura de Lula à mobilização dos trabalhadores, deixou nítido que a polarização política no Brasil é representada por fortes interesses de classes completamente antagônicas.
Lula colocou seu bloco na rua e apresentou de maneira mais decidida projetos econômicos voltados aos trabalhadores, como aumento dos salários, extensão do auxílio emergencial, defesa das empresas nacionais etc., e serviu para impulsionar todo um setor militante, pouco visto no primeiro turno, que nesta reta final de campanha está se dirigindo às comunidades e aos locais de trabalho. Já Bolsonaro desapareceu das ruas, não há grandes atos, não há cabos eleitorais, nem mesmo panfletos para a população; sua campanha vem se mostrando a típica campanha golpista, com bilhões injetados na economia para a compra de votos desenfreada, na participação de toda burguesia na coerção dos trabalhadores, ameaçando-os de demissão e perseguição caso votem em Lula.
A base da campanha de Bolsonaro são os capitalistas, que em todo Brasil pressionam seus funcionários em uma dura campanha golpista para fraudar as eleições. Sua adesão verdadeiramente popular é baixa. Há, graças à falta de presença das organizações de esquerda, alguma inserção dentro da classe operária, no entanto o bolsonarismo se faz presente em grande maioria na pequena burguesia, nos setores médios da sociedade e, sobretudo, na burguesia.
Na coluna passada, comentei a respeito da fraude eleitoral presente em todo país e diversos relatos de trabalhadores diretamente afetados pela pressão patronal e justamente o problema da luta dos trabalhadores contra a burguesia golpista. Agora, com as mais recentes atividades de rua realizadas pelo Partido e no quesito mobilização partidária, da vitoriosa campanha por Lula Presidente realizada pelo PCO, ficou ainda mais evidente onde de fato está a base eleitoral de Lula.
Estando presentes em atividades de bairro em Florianópolis, um local que de longe se destacou foi o Morro da Caixa, uma das comunidades mais pobres da cidade e que no primeiro turno das eleições foi responsável por, naquela zona eleitoral, dar 79% dos votos para Lula, praticamente o exato oposto do que foi visto no bairro mais rico da cidade, Jurerê Internacional, onde Lula ganhou pouco mais de 26% dos votos. Dentro dos trabalhadores, a aceitação a candidatura de Lula é grande, e a conversa com os indecisos e até mesmo com aqueles que votaram em Bolsonaro se faz fundamental, sendo, inclusive, um atividade de fácil realização, o que comprova a grande adesão dos trabalhadores a candidatura de Lula.
Dessa maneira, a reta final do segundo turno foi responsável para expor às claras os lados de cada candidatos, a luta entre os trabalhadores e o regime golpista, mostrando que, desde o primeiro momento, não era por meio de alianças e táticas demagógicas com a direita que alavancaria a candidatura de Lula, mas sim, mobilizando os trabalhadores. Faltam dois dias, é preciso visitar cada comunidade e cada local de trabalho restante, mobilizar os trabalhadores e garantir, de uma vez, Lula Presidente.





