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Golpe eleitoral

Sabotagem aos transportes impediu 3 mil índios de votarem em Lula

Denúncias mostram que burguesia atuou ao lado de Bolsonaro para impedir que Lula fosse eleito


No último domingo (30), a luta da classe trabalhadora consagrou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência do Brasil. Foi uma conquista apertada, o que demonstrou a força de organização e mobilização das forças bolsonaristas, um indicativo de que tanto Lula, quanto a classe trabalhadora e demais organizações sociais, terão de se mobilizar contra as ameaças à governabilidade do presidente no futuro.

Fato dado, não podemos nos esquecer, como bem lembrando no discurso de Lula, imediatamente após o resultado das eleições, “que esta foi uma campanha contra todo um aparato estatal”. O mais novo presidente é assertivo ao levantar essa questão, ainda mais se levarmos em conta a intensa campanha golpista no sentido de engendrar um golpe eleitoral em favor da reeleição de Jair Bolsonaro.

Para tal, exemplos não faltam. Poderíamos citar aqui a questão de um dos maiores esquemas de compra de votos da história, o orçamento secreto, ou do fato de inúmeros eleitores terem seus títulos anulados, ou as diversas mudanças de sessões eleitorais às vésperas das eleições. Mas, por hora, fiquemos com um fato específico, isto é, a violação do direito ao voto de milhares de indígenas da região do Xingu.

Violação do direito ao voto

No dia da votação do segundo turno, cerca de 3.000 indígenas deixaram de votar de acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) por falta de transporte e segurança. Entre as causas de tal violação, foram enumerados fatores como a falta de combustível para os barcos, ônibus escolares para transportar os indígenas, além da ameaça, que não é exclusiva do período eleitoral, de fazendeiros que bloquearam as vias de acesso aos locais de votação com intuito de impedir milhares de moradores da região do Xingu, Mato Grosso, de exercerem seu direito ao voto.

Apesar de ter sido solicitado pela Apib ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, por meio dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), providenciasse “medidas de apoio logístico necessárias para garantir a segurança e o transporte para o exercício do voto pela população indígena em todo o território nacional durante o segundo turno das Eleições 2022”, nada efetivamente foi feito nesse sentido. Por fim, o que foi divulgado pela imprensa burguesa como impedimento real para tal fato foram as chuvas recentes, que danificaram as estradas.

É uma situação que, diga-se de passagem, mostra que a Apib, ao contrário de toda a propaganda que o imperialismo faz em relação a ela, é absolutamente limitada. Promove uma luta identitária em prol dos índios que, no final das contas, como aferido, não resulta em nada. Principalmente porque, ignorando a mobilização popular, apelam para o judiciário golpista.

Kaku Junior Kayabi, indígena do Xingu, afirmou que ele e mais dezenas de representantes de sua aldeia tiveram de vencer uma jornada exaustiva, cerca de 120 km de barco, para poderem chegar a uma cidade vizinha, de onde deveriam pegar um ônibus para chegar de fato ao local de votação, isto é, a 200 km do local de votação. Acontece que os transportes fornecidos pela prefeitura de Querência, que deveriam levá-los às respectivas zonas eleitorais, não chegaram, o que deixou todos, entre eles mulheres, idosos e crianças, esperando por horas sem que, por fim, pudessem efetivamente votar.

Kayabi relata ainda que, no primeiro turno, “a prefeitura não organizou nenhum tipo de abrigo para acolhê-los nem ofereceu café da manhã. Eles tiveram até às 11h para votar e pegar o ônibus de volta às aldeias. No último domingo, contudo, ninguém apareceu para buscá-los e, devido ao cansaço, todos decidiram retornar para casa sem votar”. O que demonstra que todo um aparato para impedir os indígenas de votar foi montado propositalmente, o que se configura em um golpe eleitoral contra essa comunidade.

O indígena finaliza afirmando que “a gente se sente discriminado, como se não fossemos nada, não fossemos cidadãos. Isso nunca aconteceu antes, em nenhum dos outros governos nós deixamos de votar. É revoltante, a viagem é cansativa, são horas e horas até chegarmos à zona eleitoral e, dessa vez, voltamos para casa sem exercer nosso direito. O ideal era que mandassem urnas para as aldeias e não que fossemos obrigados a fazer tantos deslocamentos em vão”.

Tal indignação é totalmente justificável ainda mais se tivermos em mente que esses povos são tratados como seres humanos de segunda categoria pelas instituições estatais em todos os âmbitos.

Pela luta dos povos indígenas

Ao longo do governo ilegítimo de Bolsonaro, os indígenas foram, mais do que nunca, atacados pelo Estado e por suas instituições, tanto no que diz respeito aos constantes ataques de latifundiários, na grilagem de terras, na mineração predatória, tanto pelo STF, por exemplo, no que diz respeito à questão do marco temporal, e agora com esse atual golpe eleitoral que impediu que milhares de indígenas fossem às urnas exercer seu direito e contribuir para a luta do agora presidente Lula.

Cabe ao governo que se iniciará no próximo ano fortalecer a luta por direitos desses povos já tão massacrados, atender às suas reivindicações, bem como trabalhar não em prol de todo o Brasil, mas em prol de toda classe trabalhadora, seja ela do campo ou da cidade.


COTV

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