A prefeitura de Los Angeles acelerou a retirada de acampamentos de moradores de rua antes da Copa do Mundo de 2026 e dos Jogos Olímpicos de 2028, nos Estados Unidos, em junho. A cidade receberá oito partidas do Mundial e adotou um plano de remoção de barracas das vias principais, enquanto organizações de sem-teto denunciam que a política prioriza a aparência turística e o negócio esportivo, não a moradia permanente. Crise que atinge dezenas de milhares de pessoas no condado.
O governo local destinou 300 milhões de dólares para levar parte da população sem teto a hotéis e a complexos de pequenas casas pré-fabricadas. Os dados oficiais apontam queda de 17,5% no número de pessoas dormindo ao relento em dois anos. Mesmo assim, o condado de Los Angeles ainda registra cerca de 72 mil pessoas sem moradia, e aproximadamente 47 mil continuam nas calçadas da cidade. A dimensão do problema mostra que o programa emergencial apenas tenta esconder a crise sistêmica.
A área de Skid Row concentra uma das situações mais graves. Essa região tem cerca de 50 quarteirões e abriga de 3.800 a 5.000 pessoas sem casa. Há anos, o lugar reúne pobreza crônica, uso pesado de drogas, crises de saúde mental e barracos improvisados. A remoção dos acampamentos nas áreas mais visíveis desloca a população, mas não garante vaga suficiente em abrigo. Quando os barracos são desmontados, muitos moradores acabam montando novas tendas em outras ruas.
Organizações que atendem essa população denunciam que o sistema está colapsado. Representantes de fundações comunitárias afirmam que o número de pessoas nas ruas pode ser até cinco vezes maior do que a quantidade de camas disponibilizadas para o empreendimento de ocultação dos sem-teto durante a Copa. Mesmo os que conseguem entrar nos programas de abrigo enfrentam condições limitadas. Alguns trabalhadores que perderam moradia por problemas econômicos do país, ou acidente de trabalho, descrevem os cubículos de plástico como celas, com regras que isolam os residentes.
As estatísticas também indicam que a política é instável. Cerca de 40% das pessoas atendidas pelos programas voltam à situação de rua pouco depois. O pano de fundo é a crise dos aluguéis na Califórnia, com valores básicos em torno de 1.800 dólares mensais. Para trabalhadores de baixa renda, esse custo inviabiliza a manutenção de uma casa.




