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O próximo passo

Por um governo operário: mobilizar os comitês populares

O novo governo Lula não se apoia em nenhum setor da direita, que deve se unificar toda contra ele, só os trabalhadores podem garantir a presidência de Lula


Está chegando o governo Lula, após 6 anos de uma intensa luta contra o golpe de Estado os trabalhadores brasileiros obtiveram uma grande conquista, o seu candidato chegou ao governo. Lula terá o mais importante cargo do Brasil, o do governo federal, mas apenas esta cargo. O judiciário é totalmente controlado pelo imperialismo, o Congresso e os principais governos são controlados pelo bolsonarismo. Para governar Lula precisará se apoiar sobre a mobilização, está por sua vez deve lutar para assumir o poder, lutar por um governo operário.

As últimas 3 semanas deixaram claro que Lula não tem uma carta branca para governar o país. Aqueles que achavam que o PSDB, o STF e os demais golpistas lacaios do imperialismo no Brasil estavam de fato apoiando Lula já estão percebendo que na verdade o que acontecia era o oposto, Lula foi usado para melhora a imagem desse setor. Na realidade o bloco da 3ª via, os banqueiros, a imprensa, os monopólios estrangeiros, ou seja, o imperialismo, estão exercendo uma enorme pressão direitista para controlar o governo Lula.

O presidente eleito já esbarrou na muralha estabelecida pelos banqueiros, o Minsitério da Fazenda deve ser neoliberal, se for possível até mantenha Paulo Guedes como ministro. Todos os candidatos que o PT cita como possíveis são descartados pelos banqueiros como possibilidade, nem mesmo Haddad, da ala direita do PT, ligado ao PSDB de São Paulo, é aceitável para os vampiros do capital financeiro. O caso Mantega deixa isso claro, o ex ministro é tratado como demônio pela imprensa burguesa, a campanha foi tão intensa que ele renunciou ao cargo da equipe de transição.

E não é só em cima do Ministério da Fazenda que a campanha vem pesada, quaisquer declarações de Lula ou de importantes petistas, como a presidenta do partido, Gleisi Hoffmann, acerca de investimentos em outros setores, que não sejam os bancos, são tratados como um escândalo. O “mercado” é invocado pela imprensa todos os dias como uma entidade que deve ser respeitada a qualquer custo, o sagrado teto de gastos deve ser mantido. Para os banqueiros esse teto está até com um pé direito muito alto, bom mesmo seria reduzir os gastos máximos com qualquer coisa que não a dívida pública.

A responsabilidade fiscal também foi invocada como outra lei sagrada da economia. É uma pressão enorme sobre o presidente eleito, que será ainda maior quando ele estiver no governo tentando aplicar qualquer política em defesa dos trabalhadores. A imprensa brasileira já mostrou quão baixo consegue chegar ao realizar uma campanha, basta lembrar dos anos de 2014, 15 e 2016, que precederam o golpe contra a presidenta Dilma. Ao que tudo indica essa é a conjuntura que o Brasil entrará novamente.

Mas para além desse setor, que é o principal inimigo da classe operária brasileira, ainda há outro rival que não pode ser ignorado, o bolsonarismo. As relações entre essas duas alas da direita são conturbadas, contudo em uma coisa elas concorda, não deve haver um novo governo Lula, e os bolsonaristas sairam na frente no quesito desafiar o governo. O PL de Bolsonaro questiona o resultado das eleições, as manifestações acontecem todas as semanas, há um movimento latente pela derrubada do presidente Lula, que a qualquer momento pode ganhar um enorme aliado na direita.

O ministro ditador Alexandre de Moraes ataca agora o PL, acumula poderes que a qualquer momento se voltarão contra a esquerda. O governo Lula se sustentará justamente por essa ala esquerda, a ala ligada a mobilização dos trabalhadores, qualquer ataque do judiciário a esse setor enfraquecerá o novo governo. E agora há um novo fenômeno, o PL está discutindo embarreirar a PEC da transição devido aos ataques do STF. As medidas anti democráticas do judiciário podem servir de base para o movimento bolsonarista atacar Lula e o PT.

O quadro político é claro, não estamos em 2002 mas sim em 1989. Não há setor nenhum da direita para o governo Lula se apoiar, os aliados do PT são todos uma farsa. Eduardo Leite no Rio Grande do Sul ganhou apoio do PT no segundo turno mas já declarou que não apoiará Lula, esse é o padrão. Aqueles que entrarem no governo estarão lá de forma totalmente oportunista, como Alckmin, que é claramente um possível plano golpista da burguesia caso lance uma ofensiva contra Lula. O mesmo vale para todos os direitistas que apareceram na eleição, Tebet, Persio Arida, Janones etc.

O único aliado real de Lula são aqueles que garantiram a sua vitória eleitoral, os trabalhadores. Lula não foi eleito pela burguesia, ele assume o governo de forma independente, na realidade contra a burguesia e por isso seu governo tende a ser um governo de crise. E da mesma forma que o movimento popular de luta contra o golpe garantiu a vitória de Lula ele deve seguir e se ampliar para garantir o seu governo. Lula não tem o judiciário nem o legislativo e nem os governos para se apoiar, tem apenas as ruas.

E por isso é necessário mobilizar os comitês populares, organizá-los nas fábricas, nos bairros, nas universidades, nas escolas, nos assentamentos e nas retomadas. Eles serão a base mobilizadora que agitará também os sindicatos e os movimentos dos trabalhadores em geral. Com essa base popular Lula terá força para controlar também o governo federal e até mesmo indicar ministros que provem justamente dos movimentos populares, ou seja, é por meio da mobilização o governo Lula pode se transformar em um governo operário.

O PCO defendeu ao longo dos últimos anos a palavra de ordem de Lula presidente, por um governo dos trabalhadores. A primeira foi conquistada agora é o momento de conquistar a segunda. E o governo dos trabalhadores não é uma metáfora, é de fato um governo composto pelos representantes do movimento dos trabalhadores. Contra a política dos banqueiros de indicar minisitros vampiros neoliberais as organizações de luta devem colocar a sua posição, contra os latifundiários o movimento dos sem terra devem também intervir e assim por diante. A mobilização popular em apoio ao governo Lula deve se transformar no próprio governo, um governo operário.

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