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Presídios

Os campos de concentração brasileiros e o silêncio da esquerda

Chances de morte por coronavírus em prisões chega a 98% em comparação a quem não está encarcerado


Com a pandemia do coronavírus, os presídios brasileiros se tornaram locais cada vez mais temerosos, matando ainda mais a população carcerária.

Em estudo realizado pelo Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais em conjunto da Organização Mundial do Combate à Tortura, foi estimado que os homens morrem 98% mais nos presídios e as mulheres se contaminam 22% mais.

De acordo com a socióloga e coordenadora da pesquisa, Ludmila Ribeiro, os motivos para esses números seriam, no caso feminino, pelas unidades prisionais não serem suficientes para garantir o distanciamento social necessário. Já no caso dos homens, o fator seria o maior tempo de cumprimento de pena e a existência de comorbidades. Outro fator para o número mais baixo de letalidade das mulheres seria porque as mulheres procuram mais por atendimento médico dentro das prisões, que oferecem mais serviços do que nas prisões masculinas.

No caso dos homens, a medida para conter a disseminação do vírus foi a suspensão das visitas. Com essa suspensão, os presidiários agora não podem mais contar com a ajuda de familiares que costumam levar alimentos e produtos de higiene, o que acaba agravando o seu estado de saúde.

Outro dado importante é da Defensoria Pública de São Paulo, que revelou que 81,48% das 27 unidades prisionais inspecionadas estavam superlotadas.

A falta de condições de higiene é um dos fatores que mais pesa. Nas celas masculinas, por exemplo, a insalubridade é tanta que os presidiários não têm colchões, o que facilita a propagação de doenças. Em uma unidade no interior de São Paulo, os homens cumpriram uma quarentena isolados por 15 dias sem banho de sol, em local sem circulação de ar e sem banheiro

O relatório da Defensoria Pública constatou que as celas apresentam “total insalubridade, são mal iluminadas e com pouquíssima ventilação”. Sobre a estrutura dos locais, 92,59% não possuem laudo da Vigilância Sanitária, 57,7% sem laudo do Corpo de Bombeiros e 74,1% sem laudo da Defesa Civil.

O relatório ainda menciona que grande parte das unidades inspecionadas apresentou infestação de insetos e outras pragas, como percevejos, que se escondem debaixo de colchões e se alimentam de sangue.

A falta de atendimento médico também é gritante: nenhuma unidade possui equipe médica completa e 48,1% não possuem nenhum médico para prestar atendimento. Em 62,69% dos casos não há quantidade mínima de médicos. Falta inclusive medicamentos. O documento revelou que pessoas tiveram que dividir “bombinhas” para tratamento de problemas respiratórios, aumentando risco de contaminação.

Dentre outros dados absurdos, está o racionamento de água, constatado em 70,4% das unidades. Em relação a distribuição de máscaras, uma das principais formas de proteção contra o vírus, em 57,1% das unidades os presos não receberam reposição suficiente.

Os números mostram que os presídios brasileiros são verdadeiros campos de concentração. A grande maioria dos presos no Brasil foram colocados lá por pequenos delitos ou por falta de um julgamento adequado. E são esses que morrem todos os dias. Desde sempre, morrem pela violência e pelas péssimas condições impostas para sua sobrevivência. Agora, sofrem com o terror da Covid-19, em celas superlotadas com todos compartilhando de tudo o que é possível, numa insalubridade diabólica.

Chegaram a ser impedidos até de receberem visitas. São tratados como lixo. Um tratamento comparável aos campos de concentração nazista, com a diferença de que não se decreta oficialmente a morte das pessoas. Os dados levantados, por exemplo, não dão conta de todo o problema pois o próprio relatório menciona que as informações são obscuras. Logo, o cenário real pode ser muito pior do que os dados apresentados.

Grande parte da esquerda brasileiro esquece completamente dessa barbaridade. Estão muito preocupados em defender censura, prisão e outros tipos de medidas punitivas contra qualquer um que discorde de suas posições. Estão totalmente perdidos.

Os calabouços onde são torturados e maltratados os presidiários não recebem um pingo de atenção dos esquerdistas, dos defensores dos pobres, dos defensores dos negros (que são a grande maioria da população carcerária), dos defensores das mulheres, etc.

Os presidiários não possuem direito algum e nada se faz em relação a isso. O movimento negro não luta pelo fim do encarceramento, pelo fim das prisões arbitrárias, pelo fim da polícia militar, os maiores “moedores” de pobre. Não fazem nada, não apresentam nenhuma pauta concreta que toque diretamente na vida do povo negro. O lado mais explícito dessa política direitista do movimento negro pode ser expressado pela garota propaganda Djamila Ribeiro, que prestou serviços para Prada, Johnnie Walker e outras grandes empresas que exploram a população negra diariamente.

Essa demagogia barata precisa ser superada e colocada em prática uma luta real do povo negro. O Coletivo de Negros João Cândido irá realizar, nos dias 19 e 20 de março, a sua conferência, para organizar efetivamente os negros em prol de uma política de combate a todas essas barbaridades e em defesa da candidatura de Lula. A verdadeira luta dos negros está nas ruas, na organização dos trabalhadores e não em comerciais de TV e de internet.

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