O Departamento de Justiça dos Estados Unidos autorizou a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, nos Estados Unidos, na sexta-feira (12). A operação, avaliada em cerca de US$ 110 bilhões, recebeu aval da divisão antitruste após oito meses de análise. A decisão favorece uma nova concentração de capital no setor de cinema, televisão e transmissão de filmes e séries dos EUA e recebeu críticas de trabalhadores, artistas e autoridades estaduais.
O órgão do governo dos EUA concluiu que a fusão não prejudicaria a concorrência nem os consumidores. A análise abrangeu serviços de transmissão por assinatura, televisão tradicional e produção e distribuição de filmes para cinema. A Paramount afirmou que a compra permitiria disputar público, tecnologia, investimentos e talentos com empresas gigantes do setor digital.
A decisão, porém, não encerra todos os obstáculos. A Comissão Federal de Comunicações ainda precisa tratar de pontos ligados a interesses estrangeiros na operação. Também há avaliações em outros países e a possibilidade de ações judiciais por estados dos EUA, como Califórnia e Nova Iorque. O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, afirmou que a fusão ainda estava sob investigação em seu gabinete.
A compra colocaria sob um mesmo comando ativos de enorme peso, incluindo Paramount Pictures, Warner Bros., HBO, Paramount+, CBS e CNN. A reunião de estúdios, canais de televisão, catálogos e plataformas reforça a tendência de oligopólio no entretenimento dos EUA. Mesmo quando o governo afirma que haverá concorrência com Netflix, Amazon, Apple e outros grupos, o resultado prático é a formação de conglomerados cada vez maiores, com capacidade de controlar produção, distribuição, contratação e acesso do público aos conteúdos.
Há riscos de demissões, redução de oportunidades para roteiristas, diretores, atores e produtores, além de menor diversidade de histórias exibidas ao público. A promessa de US$ 6 bilhões em sinergias costuma significar corte de estruturas duplicadas, fechamento de postos de trabalho e centralização administrativa. Também existem preocupações sobre a eventual fusão de operações jornalísticas, especialmente envolvendo CBS News e CNN.
A concentração no setor cultural não afeta apenas preços e assinaturas. Ela interfere no que pode ser produzido, financiado, promovido e exibido. Quanto maior o domínio de poucos grupos, mais a indústria tende a privilegiar conteúdos seguros para o grande capital, para os interesses do imperialismo dos EUA e para os setores mais poderosos da sociedade. A compra da Warner pela Paramount, portanto, não é apenas uma operação empresarial: é mais um passo na centralização de meios culturais decisivos nas mãos de poucos conglomerados.



