Um veículo da Polícia Militar atingiu e matou um homem de 59 anos, na zona sul de São Paulo, na sexta-feira (12), durante uma perseguição. O assassinato do idoso pela polícia ocorreu por volta das 23h, no Jardim São Savério, depois que o motorista da viatura perdeu o controle do carro. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que o pneu dianteiro teria estourado enquanto policiais perseguiam uma motocicleta suspeita de envolvimento em roubo.
A viatura atingiu dois veículos e atropelou pedestres que passavam pelo local. Um dos automóveis estava estacionado e foi lançado para a frente com a força da batida. O homem de 59 anos não resistiu aos ferimentos e morreu. Outra pessoa também ficou ferida e precisou de atendimento médico.
Imagens de câmeras de segurança registraram a ocorrência e mostram o carro da Polícia Militar em alta velocidade antes do acidente. O caso expõe novamente os riscos assumidos em perseguições policiais em áreas urbanas densas, nas quais moradores e pedestres acabam submetidos a operações de alta velocidade em ruas comuns da cidade.
Os dois policiais que estavam na viatura também ficaram feridos e estão internados no Hospital das Clínicas, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública. A pasta informou que exames periciais foram solicitados ao Instituto de Criminalística e ao Instituto Médico-Legal (IML), como parte da apuração sobre as circunstâncias do acidente.
O registro do caso foi feito no 26º Distrito Policial, no Sacomã. A ocorrência foi enquadrada como lesão corporal culposa na direção de veículo, furto no interior de veículo e homicídio culposo na direção de veículo. Além da investigação da Polícia Civil, a Polícia Militar informou que abrirá inquérito próprio para apurar a conduta dos agentes e as circunstâncias da perseguição.
O atropelamento fatal ocorreu em meio a uma ação policial que, pela versão oficial, tinha como alvo uma motocicleta suspeita. A morte do idoso, porém, desloca o centro do fato para a conduta da corporação durante a perseguição. Mesmo quando não há intenção direta de matar, operações desse tipo podem provocar consequências graves para pessoas que não tinham relação com a ocorrência inicial. Isso mostra, na verdade, que a polícia simplesmente não se importa se suas ações imprudentes resultam em morte, ferimentos ou danos à população.
A apuração do caso terá de esclarecer a velocidade da viatura, a real necessidade da perseguição, as condições do veículo policial e se havia alternativa menos perigosa para abordar os suspeitos.





