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O deus Mercado

O “mercado” vai aceitar uma conciliação com Lula?

A esquerda, em vez de se apoiar na classe trabalhadora para garantir governabilidade para o futuro governo, fica apelando para a 'compreensão' e bom senso do 'mercado'.

Mercado

A esquerda está demorando um pouco para entender o que está acontecendo no Brasil. Não basta quem acredite que o Supremo Tribunal Federal (STF) esteja defendendo a democracia, temos agora aqueles que creem em uma conciliação entre Lula e o ‘Mercado’.

A matéria de Luiz Henrique Dias, no Brasil247, entra nessa última categoria. Como ele próprio diz, “muita gente – [o autor] inclusive – está torcendo pela escolha do ex-Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad”. No entanto, o que foi que aconteceu quando surgiu o primeiro boato de que o petista poderia ser indicado para a Economia, ou a Fazenda? A Bolsa caiu, o dólar subiu, os grandes jornais gritaram, os militares se coçaram…

Parte da esquerda insiste no nome de Haddad porque quer evitar atrito com o mercado, todos sabem que o ex-prefeito é o mais ‘tucano dos petistas’, como disse o próprio Lula uma vez. Como está no artigo, Fernando Haddad “atua como professor na USP e na INSPER, este último terreno do liberalismo à brasileira”.

A reação ruidosa a um nome tão moderado deveria ter alertado Dias sobre o que espera o novo governo. O ‘mercado’ anda nervoso. E quem é o ‘mercado’ senão o mercado financeiro, os tubarões, os bancos? São os apoiadores do golpe, os sanguessugas que querem ganhar dinheiro, e ganham, sem trabalhar, sem ter que fazer nada.

O autor da matéria assume que o mercado, “mesmo com o compromisso de manutenção da responsabilidade fiscal, reagiu negativamente. Mas não reagiu negativamente frente à farra irresponsável do atual governo nos últimos meses, quando a gestão abriu mão de qualquer critério técnico para atuar com absoluto fim eleitoral,” (qual é a novidade?) “colocando em risco bancos públicos, as contas orçamentárias e as próprias estabilidade e credibilidade internacional do país. Ou mesmo quando apresentou uma proposta orçamentária que apaga o investimento e deixa sem dinheiro programas e serviços básicos para o funcionamento do país”.

A burguesia estava apoiando Bolsonaro nas eleições, como fica claro no trecho acima, não queria Lula. A PEC da bondade, que distribuiu dinheiro público em ano eleitoral, o que é contra a Constituição, não foi barrada pelo STF, apesar de a corte ser considerada nossa última barreira entre Bolsonaro e a democracia. Aqui, temos de nos perguntar: pode haver democracia quando um governo, com a conivência das instituições, usa a máquina estatal para comprar votos?

Tudo foi perdoado a Bolsonaro, e agora querem o máximo rigor com Lula. Ou melhor, querem criar um empecilho para que o futuro governo não gaste com programas sociais.

O mercado sabe com quem está lidando. Como escreve Luiz Dias, “Lula, quando foi presidente, governou com absoluta responsabilidade fiscal e social e não há motivos para esses movimentos caóticos do setor financeiro”. O seu erro é acreditar que ‘não há motivos para esses movimentos caóticos’.

O motivo é simples: Lula não é o candidato da burguesia e muito menos do imperialismo, ao contrário do que tem sustentado parte da esquerda.  O ‘mercado’ sabe que o dinheiro que será usado para evitar que o povo morra de fome deixará de migrar para os cofres dos bancos e dos cupins do mercado financeiro.

Para essa gente, o máximo que aceitam é que Lula amplie o programa de renda básica e pronto, não se fala mais em gastos sociais. E nem isso estão aceitando, como comprovado pela verdadeira novela mexicana que é a apresentação da PEC da Transição.

Democracia

Soa estranho aos ouvidos quando nos deparamos com a frase “a relação entre Lula e o Mercado deve ser programática”. Ora, não existe isso, não podemos esperar uma neutralidade, como se a relação entre o governo e a burguesia pudesse se dar de uma forma meramente técnica. Não podemos nos esquecer que a sociedade é dividida em classes e a burguesia vai tratar de defender seus próprios interesses.

Por isso soa quase como ingenuidade dizer que “é preciso que a banca, se não entende, ao menos aceite que o resultado das eleições aponta para uma plataforma de governo que deve ser respeitada e colocada em prática, e que, em uma democracia, quem tem voto são as pessoas e não um ente abstrato e simbólico como o Mercado”.

Por acaso a banca respeitou a eleição de Dilma Rousseff? Não, em vez disso, foi ela a principal responsável pelo golpe em 2016.

A burguesia só defende a “democracia” quando lhe convém. A burguesia imperialista, que planejou o golpe contra o PT e a prisão de Lula, usa a democracia para atacar outros países. Quando ela mesma não se cansa de apoiar ditaduras e revoluções coloridas pelo mundo todo.

O “mercado”, por outro lado, não é um ente abstrato, é um setor importante da burguesia. O setor financeiro, os bancos, consomem mais da metade do orçamento brasileiro, mas ainda não está contente, quer muito mais, não se importando se sua voracidade impede o crescimento da economia, provoca fome e desemprego.

Os votos

“Quem tem votos são as pessoas”, exatamente, é disso que se trata. Portanto, em vez de ficar pedindo ao mercado que seja condescendente, é preciso que a esquerda mobilize aqueles que votaram em Lula, a classe trabalhadora, para pressionar e derrotar a sanha do “mercado”. Caso contrário, o governo Lula estará em maus lençóis. Apelar à burguesia para que tenha bom senso é um passo largo em direção à derrota.

A classe trabalhadora é quem tem a força para derrotar a sanha dos bancos e do mercado financeiro e será o único apoio de fato que poderá dar sustentação ao governo Lula.

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