Bolsonaro no JN

Não foi uma entrevista foi uma briga

Veja a análise política de terça-feira, com o companheiro Rui Costa Pimenta. Entrevista de Bolsonaro, Grupo Prerrogativa, a Campanha do Lula e os golpistas entre outros assuntos

Nessa terça-feira (23), o presidente do PCO participou do programa que substitui o encontro que ele realizava no Brasil 247, agora no canal de YouTube “Rádio Causa Operária”, às 16 horas. Um programa ágil no qual o companheiro Rui Costa Pimenta responde as perguntas sobre os temas mais quentes do momento com ampla participação da audiência através de perguntas e comentários por meio de “superchats” e de mensagem de áudio enviadas para o número 11 979595355.

Com tantas formas de participar dos temas abordados foram vários. A “entrevista” de Jair Bolsonaro no Jornal Nacional, a situação política na Argentina, a campanha de Lula e o destaque dado aos golpistas, a perseguição ao candidato do PCO ao governo no Mato Grosso entre outros assuntos.

Bolsonaro no Jornal Nacional

O primeiro assunto a ser comentado foi a entrevista concedida pelo presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição, no Jornal Nacional nessa segunda a noite. Um dos aspectos que chamaram a atenção foram os elevados índices de audiência, superando os índices de jogos do Flamengo e do Corinthians.

Rui apontou que isto desmente quem considera que a televisão está superada como veiculo de propaganda na campanha eleitoral, comprovando que “a televisão é um meio de comunicação central na campanha”, muito mais poderoso que todos os outros, uma vez que alcançar uma audiência equivalente nas redes sociais é muito difícil. Além de comprovar a tese defendida pelo partido que a “campanha eleitoral é propositalmente curta para permitir que o poder destes meios de comunicação como a Rede Globo atue sem freios e de uma maneira absolutamente decisiva nas eleições”.

Mas o que mais chamou a atenção ao companheiro Rui foi a que não pareceu ser uma entrevista e sim “uma briga onde os dois repórteres da Globo buscaram hostilizar e encurrala-lo numa tentativa de caçar o candidato presidencial da extrema direta”.

Ele lamentou que muitas pessoas tenham gostado desta postura dos repórteres, lembrando que em política não se pode permitir que se faça tudo para prejudicar uma pessoa mesmo se você estiver contra esta pessoa. Na verdade, isto revela o caráter antidemocrático das entrevistas, uma verdadeira armadilha.

Em suma, “não é uma coisa séria. Sério seria perguntar qual o seu programa?”. Perguntas hostis é até natural que ocorra. Entretanto, a função da entrevista é permitir que a pessoa diga o que pensa”.

Ele imagina que “com o Lula não será muito diferente disso também”. Logo “a manipulação das eleições está a pleno vapor e está encoberta com a campanha antibolsonarista”.

O Companheiro Rui destaca que não é uma novidade “A Globo sempre fez isso”. É uma coisa histórica. “Sempre encontraram o diabo de plantão para manipular os incautos e os inconscientes. Então não é uma coisa nova, mas estamos vendo este filme de novo.”

Ele igualmente considera que a entrevista não foi definitiva para a campanha mesmo tendo tido uma audiência estimada de 23 milhões de pessoas em comparação à entrevista dada por Bolsonaro ao canal do YouTube “Flow” que teve 600 mil pessoas ao vivo. Mas destacou que estas 23 milhões vão comentar com outras pessoas podendo chegar a 70 % do eleitorado.

Ao mesmo tempo, ele esclarece que “a emissora, a Rede Globo, tem um plano e a emissora tem a liberdade de colocar este plano em prática do jeito que ela quiser. Ela começou entrevistando os convidados”, ele conclui dizendo que ‘tenho certeza que a Simone Tebet vai ser tratada assim como ela fosse uma princesa”. Ele completa dizendo “vamos ver como é o roteiro deles”

O presidente do PCO destaca que os debates organizados pelas emissoras também podem ser instrumentos de manipulação, tanto que “o próprio Lula não queria um debate e sim uma atividade que os candidatos pudessem expor o que eles pensam”.

A conclusão de Pimenta é de que o poder de uma emissora como a Rede Globo é muito grande nas eleições. Isto é inegável”.

A postura dos entrevistadores em relação a Bolsonaro

O segundo tema abordado refletindo um debate principalmente da esquerda nas redes sociais. Era se Rede Globo tenha sido condescendente nas perguntas ao candidato da extrema direita ou se William Bonner teria sido o “carrasco na entrevista, fato elogiado por alguns setores esquerdistas?

Na avaliação do Companheiro Rui foi que sem dúvida “eles foram para entrevista para encurralar o Bolsonaro”. Ele alerta que uma pessoa querer que “o entrevistador seja o carrasco do entrevistado uma coisa estranha”, pois “isto corresponderia mais a uma execução, a uma forca, uma guilhotina, um pelotão de fuzilamento”.

Completa dizendo que “o entrevistador não pode ser carrasco de ninguém” porque “se todo mundo tolera este tipo de atividade” está dando poder para emissora de escolher quem ela vai favorecer. “Um poder de chantagem muito grande” destaca o companheiro Rui Costa Pimenta

Logo, ele entende que a vida de Bolsonaro não foi facilitada na entrevista. “O entrevistado foi muito acintoso”. O presidente do PCO disse se fosse o entrevistado iria questionar a postura do jornalista. Ele afirmaria “eu vim aqui para ser entrevistado ou vocês querem me linchar?”.

O Papel do Grupo Prerrogativas na manipulação da esquerda

A primeira intervenção da audiência foi através de um “superchat” afirmando que o NED não precisaria atuar no Brasil pois o Prerrogativa, este grupo de advogados e de juristas brasileiros, muito pior que o IREE no papel de manipular a esquerda.

Incitado a comentar, o presidente do Rui concorda com a afirmação, entretanto entende que esta manipulação é facilitada pela campanha do PT que está sendo dominada por direitistas como Geraldo Alkmin e que precisa ser denunciada, pois não importa se eles dizem que apoiam o Lula visto que se sabe que eles participaram da execução do golpe para derrubar a presidenta Dilma Rousseff. Em suma, uma coisa grotesca que estaria acontecendo na campanha do Lula.

O novo ataque do “defensor da democracia” Alexandre de Morais

Foi pedido para que fosse comentado a determinação do ministro do Superior Tribunal Federal, Alexandre de Morais, para fosse que aberto um inquérito criminal e executado uma série de depoimentos e de mandados de busca e apreensão em relação a um grupo de empresários bolsonaristas, entre eles o dono da Rede Havan, Luciano Haag e o dono da rede de restaurante Coco Bambu, Afrânio Peixoto Filho, por manterem conversas em uma rede social sobre a possibilidade de um golpe militar no Brasil.

Ele apontou que é uma política de intimidação e avalia que não existe possibilidade de golpe haja visto que se houvesse um golpe em marcha nada seria feito para impedi-lo por esta corte.

Para Rui Costa Pimenta o relato das conversas se dá em torno de um debate sobre as oportunidades perdidas durante o governo bolsonarista e não sobre a articulação de um futuro golpe e seria mais uma jogada da alta corte para a torcida.

Em resumo este juiz “aproveita para pisotear os direitos democráticos das pessoas” já que discutir hipoteticamente a possibilidade de um golpe não é crime e “não justifica a invasão da casa de ninguém” conclui Pimenta.

A situação política na Argentina e a relação com a candidatura de Lula

Por meio de um áudio enviado pela audiência foi solicitado que o companheiro Rui comparasse a situação da Cristina Kirchner, ameaçada de ser presa, e o que isto poderia apontar de riscos para um futuro governo Lula.

Rui aponta que é muito instrutiva a situação na Argentina. Ele destaca que o governo Fernandez foi um completo fracasso e a Cristina ainda que fosse a vice-presidente como não pode ter um papel determinante na condução governamental procurou se mostrar afastada de modo a ser uma alternativa a esquerda nas próximas eleições presidências. Logo esta acusação busca impedir a sua candidatura.

Na eventualidade da vitória do Lula o governo seria mais a esquerda do que na Argentina ainda que uma forte presença direitista, limitando a atuação de Lula. Entretanto, os efeitos do PSB na chapa são mais efetivos para a atual campanha, provocando uma grande desmoralização e deixando a temperatura fria.

Entrevista do um sócio da BR Partners avaliando o Lula ao Jornal Estado de São Paulo

Rui foi solicitado a comentar a afirmação deste investidor que disse que este era o pior Lula dos últimos quarenta anos, ou seja, a candidatura mais esquerdista das cinco que Lula já participou ainda que muitos setores da esquerda não concordem com esta afirmação pela presença do Geraldo Alkmin, um representante do PSDB do B na chapa.

O presidente do PCO concordou com a avaliação do capitalista caso se desconsidere a primeira candidatura em 1989. O investidor estaria certo porque as declarações do Lula não são direitistas e por isto uma campanha esdruxula pela presença de pessoas como Alkmin, Marcio França e agora Janones, um grupo de direitistas que parecem controlar a campanha só que Lula não diz que vai privatizar algo.

Para Rui esta declaração confirma que a Burguesia não quer Lula como presidente

Perseguição a candidato indígena do PCO em MS

Durante o programa veio mais uma comprovação da manipulação das eleições e da interferência da justiça eleitoral visto que a Procuradoria Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul entrou com um pedido de impugnação da candidatura do candidato do PCO a governador Magno Souza, um indígena, por ter roubado uma bicicleta há vinte anos mesmo que isto não consta na certidão de antecedentes criminais.

Incitado a comentar esta notícia, o companheiro Rui disse que era algo totalmente irregular pois era algo que já teria caducado, todavia mostra que é um evidente caso de perseguição. “Porque o candidato não é uma pessoa qualquer, é um líder da comunidade indígena e a comunidade indígena do Mato Grosso do Sul é uma das maiores do Brasil” esclarece o companheiro.

Sua candidatura tem tido muito apoio na comunidade indígena e ao mesmo tempo o Centro Oeste é o paraíso do latifundiário, da criação de gado, criação da soja” elucida Rui.

Ele destaca que os latifundiários tem realizados uma perseguição implacável contra Magno Souza e já mataram um irmão dele. Rui assevera que é preciso fazer uma ampla denuncia a esta perseguição e realizar uma veemente defesa ao companheiro Magno Souza.

Em relação a esta perseguição ela demonstra que a manipulação não se dá somente a nível nacional, mas também a nível regional alerta o companheiro Rui. Igualmente relembra que a candidata Simone Tebet foi eleita senadora por este estado, auto declarada ser ligada ao agronegócio, um eufemismo para o latifundiário.

Estes foram os principais assuntos abordados na análise desta terça. Muito mais foi comentado sempre com a lucidez e a profundidade costumeira de um dos maiores analistas políticos do Brasil. Desta feita o convite para assisti-la, se inscrever no canal Rádio da Causa Operária e divulgar para amigos e familiares.

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