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Esquerdices

Mais uma nulidade política “trotskista” que pediu voto nulo

Grupo pequeno-burguês não consegue entender o fenômeno social, que é o bolsonarismo, não espanta que tenham apoiado o golpe contra Dilma e a prisão de Lula.


O grupo Transição Socialista não consegue entender o que se passa na política brasileira. Não reconhece a onda bolsonarista como fenômeno político; portanto, não conseguirá lutar contra a direita. Na verdade, esteve no mesmo campo que a direita desde pelo menos 2012, conforme confessa no próprio sítio: “Fomos a favor do Fora Lula (no Mensalão), Fora Dilma (no Petrolão) e da prisão de Lula”.

Para esse grupo, o PT não passa de “partido burguês, de direita, que serve aos interesses da burguesia nacional e internacional, e atua enquanto um bloqueio à organização da classe proletária”. Caracterização encontrada em diversos agrupamentos que se reivindicam revolucionários.

Essa caracterização do PT é um dos motivos de chamarem o voto nulo nas presidenciais deste ano. Todo o movimento social que se formou para a eleição de Lula; os protestos por sua prisão, o acampamento que durou 580 dias exigindo sua libertação; a enorme porcentagem de intenções de voto; tudo isso foi olimpicamente ignorado pela TS.

A mobilização da classe trabalhadora se deu porque os trabalhadores viram em Lula a expressão de seu descontentamento com as políticas neoliberais aplicadas desde o impeachment (que a TS apoiou) de Dilma Rousseff.

O PT é um partido grande, complexo, heterogêneo, não se pode simplesmente dizer que se trate de um partido da burguesia. As ‘reformas’ produzidas a partir do governo golpista de Michel Temer jamais poderiam ter sido levadas adiante pelo PT, pois entraria em choque com sua própria base. Foi exatamente por não poder implementar essas políticas que a burguesia, especialmente o imperialismo, orquestraram e conduziram o golpe de 2016.

Números que não contam

A TS faz uma série de cálculos com base nos resultados do primeiro turno para tentar explicar que a coisa não está tão boa assim para o bolsnarismo e que o PT até que teria saído fortalecido.

O principal estado do país, São Paulo, está nas mãos do bolsonarismo, assim como Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro. David Uip, um tucano tradicional, acaba de pedir desfiliação do PSDB porque está havendo ali, segundo ele, uma bolsonarização. Não se trata de “observar que o chamado “bolsonarismo” ocupou o tradicional espaço do PSDB e aliados”, mas de que a polarização política varreu o centro político no Brasil e está atraindo para o bolsonarismo setores inteiros da direita.

O PSDB, que foi o principal articulador do golpe de 2016, foi vítima da polarização que ajudou a criar, como aquele aprendiz de feiticeiro que não consegue controlar as forças que despertou.

O golpe tirou o PT do governo e tinha o plano inicial de colocar o PSDB novamente no poder, mas o candidato da burguesia teve um desempenho fraquíssimo. Bolsonaro foi o candidato improvisado que conseguiu capitalizar o descontentamento de parte da população. Durante esses quatro anos, conseguiu formar uma base social e isso se refletiu no resultado das eleições.

O bolsonarismo para ser entendido, tem que ser comparado com o restante do mundo. O trumpismo, a extrema-direita se alastrando por toda a Europa, é um dos sintomas da crise aguda do imperialismo. O choque das burguesias locais contra o grande capital, as políticas neoliberais, têm feito surgir um extrema-direita com tonalidades nacionalistas e antissistema, coisa que a esquerda não tem conseguido capitalizar.

Os números das eleições brasileiras demonstram que a extrema-direita está criando corpo, e será necessário apoio na classe trabalhadora para que Lula consiga governar.

Bipartidarismo

A Transição Socialista faz uma caracterização confusa, de que no Brasil não há um avanço da extrema-direita, mas um “certo bipartidarismo”. Para esse grupo, o bolsonarismo só “mostra força porque ocupou o espaço dos tucanos e porque está coligado ao Centrão”.

O que o grupo não explica é como o PSDB foi tragado para dentro do bolsonarismo. O Centrão, que a burguesia utilizou para controlar o governo Bolsonaro, também perdeu muitos parlamentares para a extrema-direita.

A tentativa de justificar esse ‘bipartidarismo’, que não sabemos se se trata de um empréstimo, de um transplante, daquilo que ocorre nos EUA para o Brasil, tenta igualar o atual momento político com os idos de 1989, uma vez que “Collor fazia ataques “anticomunistas” ao PT que pouco ou nada deviam aos atuais, de Bolsonaro”.

Essa ‘tese’ do bipartidarismo é – e aqui só podemos supor, dado o grau de confusão –, uma maneira de dizer que nada mudou, que o PT e o bolsonarismo são expressões de uma única coisa com duas tendências que se alternam dentro do jogo democrático por meio das eleições.

Não entende que tanto o PT como o bolsonarismo não são representantes natos do regime político. Esses são o PSDB, o MDB e o União Brasil (antigo DEM). Lula e Bolsonaro são a expressão, precisamente, da decomposição desse regime político, ou seja, do descontrole da burguesia e do imperialismo sobre a situação nacional. Um pela esquerda, outro pela extrema-direita.

O voto nulo

A única saída para a Transição Socialista, uma vez que não consegue caracterizar o bolsonarismo e, ao mesmo tempo, o iguala ao petismo, é dizer “No segundo turno, vote nulo!”.

Para azar desse agrupamento, o número de votos nulos e brancos caiu, o que mostra que a classe trabalhadora não concorda com a tese de que é tudo a mesma coisa. A vitória de Lula, apesar de todos os percalços e erros da campanha, demonstrou que a polarização política está muito acirrada.

O governo Lula vai enfrentar grandes dificuldades, a única maneira de conseguir obter algum êxito será radicalizando, apostando na polarização, não na conciliação de classes.

A burguesia não está disposta a abrir mão da pilhagem que produziu nos direitos da classe trabalhadora. Será preciso, portanto, demonstrar força para reconquistarmos direitos. A força é a única linguagem que a burguesia compreende. A classe trabalhadora é justamente quem detém o poder para mudar de fato a situação política.

O voto nulo, nessas condições, representou apenas o atraso, a ação antirrevolucionária daqueles que não compreenderam a tendência das massas. A classe trabalhadora quer experimentar o governo Lula, e precisamos aprofundar essa experiência, levá-la aos limites para que os trabalhadores possam daí tirar consequências e evoluir politicamente.

Ficar preso dentro da própria cabeça, falando para si, em vez de se juntar na luta contra a burguesia e sua extrema-direita, não passa de capitulação.


COTV

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