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Pelo que lutar?

Índios precisam de tudo, menos de uma política vazia e abstrata

Enquanto não se desenvolver um programa e uma política de luta por reivindicações concretas os índios permanecerão na situação de penúria e atraso de sempre


A campanha demagógica com o índio brasileiro não tem fim. Como toda propaganda identitária, vive de chavões e “lacrações”, como dizer que “não são os povos indígenas que estão na cidade, é a cidade que está na aldeia” ou que “antes da chegada dos portugueses estima-se que havia mais de 5 milhões de habitantes” no Brasil.

É o que repete Txai Suruí, colunista da Folha de S.Paulo. Não é possível levar a sério esse tipo de afirmação, principalmente aquela sobre o tamanho da população indígena antes da descoberta do nosso País. Cinco milhões de habitantes não tinham nem mesmo os impérios Inca e Asteca, civilizações com um desenvolvimento incomparável ao dos primitivos índios brasileiros. Nenhuma dessas sociedades tinha condições de abarcar tal número de habitantes, pois umas estavam restritas a um território relativamente pequeno e outras não tinham a mais simples estrutura para comportar tantas pessoas. Sequer as nações europeias, séculos à frente das indo-americanas, detinham uma população como essa. Era impossível, pois regiões como essas só poderiam receber tão grande quantidade de pessoas com o desenvolvimento do capitalismo, o que ainda não existia no século XV.

Essa é apenas uma das fantasias disseminadas pelo texto da colunista, que ainda destaca o fato da maioria dos indígenas terem o português como língua materna “por terem tido suas línguas extintas pelo processo de colonização”. Enquanto uma parte do que escreve é apenas invencionice e outra parte é uma incompreensão e simplificação de um processo histórico, os verdadeiros interesses dos índios passam longe da preocupação de Txai Suruí.

A sociedade indígena é algo do passado. Isso não é algo bom nem mau, porque não se trata de fazer um juízo de valor. Trata-se do desenvolvimento histórico da humanidade. O processo econômico e seu desenvolvimento, que leva a humanidade a percorrer o seu caminho, que não é linear, é, mesmo assim, um progresso. Nesse sentido, a sociedade indígena é um anacronismo, retrato de um tempo quando as condições de vida do Homem eram extremamente precárias. A colonização portuguesa e a posterior implantação do capitalismo, mesmo que atrasado, representaram uma evolução progressista do que hoje é a nação brasileira.

Uma grande parte dos índios foi integrada à nossa sociedade, muito mais desenvolvida, e melhorou de vida com relação ao que era na aldeia. Contudo, outra parte dos indígenas não se integrou à nova civilização. O Estado capitalista, que deveria zelar por todos os seus cidadãos, deixa ao relento as comunidades indígenas ainda existentes, que vivem em uma verdadeira penúria e lutam para sobreviver. Como superar essa situação é o ponto chave que interessa aos índios brasileiros, e com o qual os índios da Folha de S.Paulo e das organizações imperialistas – como Txai Suruí, líder de uma associação indígena parceira de uma série de ONGs europeias – não demonstram a menor preocupação.

Não existe nenhuma proposta concreta para melhorar a situação dos indígenas. Ela fala na “construção e implementação de políticas públicas voltadas para nossos povos” mas não apresenta nenhuma política para isso. Que tipo de políticas públicas precisam os índios brasileiros? A revisão da história do Brasil para tachar de monstros os portugueses e brasileiros que foram responsáveis pelo desenvolvimento do País? A aplicação de uma lei que conceda ao guarani o status de língua oficial junto com o português? Se depender dos identitários e dos indígenas da Folha de S.Paulo e das ONGs imperialistas, a luta concreta por uma vida digna para os índios seria trocada por abstrações as mais absurdas.

O passado e aspectos absolutamente secundários do presente seriam mais importantes do que acabar com a fome que assola a maior parte da população que vive nas comunidades indígenas do interior do Brasil. Uma assembleia realizada na semana passada no Mato Grosso do Sul, em que participaram os militantes do PCO, centenas de indígenas guarani de várias partes do País concordaram em articular uma luta conjunta por eixos básicos como terra, implementos agrícolas e financiamento estatal. Os índios de verdade, que não têm nenhuma relação com a burguesia e suas organizações, estão chafurdados na mais absoluta miséria e querem deixar de plantar mandioca – como destacou Magno Souza, militante guarani do PCO e ex-candidato ao governo do MS nas últimas eleições. Querem tecnologia, postos de saúde, hospitais, creches, escolas, saneamento básico, moradia e emprego.

Com relação à língua, duas iniciativas concretas que deveriam ser implementadas são as seguintes. Uma é o ensino do português mas também da e na língua nativa de determinada comunidade indígena em escolas públicas construídas na comunidade. Outra é o trabalho nas universidades brasileiras de pesquisa que realizasse um registro de todas as línguas indígenas nacionais para ao menos preservá-las como acervo histórico e cultural, uma vez que a tendência natural do próprio desenvolvimento da sociedade, conforme dissemos anteriormente, é o próprio desaparecimento das línguas indígenas, com a assimilação de sua sociedade à sociedade capitalista e urbana do País. A ideia de preservação da língua por meio de sua utilização na vida cotidiana é absurda e inviável, nesse sentido. Tanto é que a maioria dos índios brasileiros sequer fala sua língua nativa.

O tipo de campanha disseminada pela colunista da Folha de S.Paulo não contribui para a luta dos índios brasileiros – e do povo brasileiro oprimido em geral, que tem em comum com os índios algumas necessidades básicas como saúde e educação, mesmo que os índios tenham as suas particularidades. Pelo contrário, a Folha de S.Paulo e as organizações afiliadas ao imperialismo dentro do Brasil promovem esse tipo de campanha para desnortear a luta, sabotá-la e manter os índios e todos os oprimidos subservientes à mesma opressão – que é atual e concreta, e não pregressa e abstrata.

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