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Coitado do tio do zap!

E a luta de classes?

Pretensos trotskistas pregam "intolerância" com o peão e a vovó "fascistas", mas nada contra os verdadeiros fascistas da burguesia


Em texto para o portal Esquerda Online, da corrente psolista MAIS, pretensamente trotskista, Ademar Lourenço diz que, após a vitória de Lula, a esquerda não pode “perdoar” uma parcela do eleitorado de Bolsonaro.

Embora ele diga que há uma parcela que votou no presidente fascista por ingenuidade, há uma outra que é bolsonarista ideológica e que, portanto, não tem salvação.

“Mas quanto ao bolsonarista militante, aí a história é outra. O que usa o perfil nas redes sociais para fazer propaganda, o que faz questão de usar aquela toalha ridícula na sacada da casa, o que foi ativo na campanha de Bolsonaro, o que bloqueou estradas contra o resultado das eleições. Esse aí não tem cura. Esse aí é um inimigo para o resto da vida. Veja bem, não é adversário, é inimigo. Ele quer o nosso extermínio, ele trabalha para que sejamos torturados e mortos. A única relação com esse tipo de ratazana é a inimizade incondicional e perpétua”, diz.

Lourenço passa a impressão de que os métodos usados por esses bolsonaristas são execráveis. Mas não é assim. Propaganda nas redes sociais, uso de toalha como bandeira e bloqueio de estradas não fazem mal a ninguém. E não são necessariamente praticados por uma pessoa que “não tem cura”. O “tio do zap” ou os caminhoneiros que bloquearam estradas podem até “querer o nosso extermínio”, mas seriam eles realmente perigosos e nossos inimigos mortais?

A resposta é não. Os únicos inimigos mortais da classe operária são os capitalistas. E o tio do zap e os caminhoneiros não são capitalistas. Eles estão, na verdade, mais próximos de nós do que dos capitalistas. Seria um erro grosseiro e mesmo fatal seguir o conselho do nosso pseudotrotskista de ter com essas pessoas uma “inimizade incondicional e perpétua”. Porque a esquerda não disputaria esse setor da classe trabalhadora ou da pequena burguesia e o jogaria definitivamente no colo da extrema-direita, jogando com ele parcelas cada vez maiores da população que não se encaixaria no conto de fadas do mundo perfeito prejudicado por fascistas de sofá que acredita a esquerda pequeno-burguesa.

Afirma ainda que um tipo como esse “jamais pode ter a nossa tolerância”. E brada: “em 2022, é dever de todo democrata ter ódio e nojo do fascismo e dos fascistas.” Intolerância, ódio e nojo devido a pensamentos contrários. Isso lembra o quê? Precisamente o fascismo! A esquerda é o setor mais avançado da sociedade, portanto o mais racional. Ela não age por emoções e por abstrações. O seu método é a luta de classes. Mas Lourenço ignora completamente o fundamento do marxismo, do trotskismo.

Para terminar, o autor explica o que está querendo dizer com tudo isso: “não se trata de desumanizar o fascista. Ele é que se desumaniza por si próprio. Achar que eles vão mudar é uma ilusão que pode custar caro. O fascista é um lixo humano que deve ser combatido. Ele deve ser silenciado, desmoralizado e isolado. E devemos usar a autodefesa quando ele partir para a violência. E agora é a hora de atacar com força, pois o inimigo está enfraquecido.”

O que pede o autor é o escracho total não dos verdadeiros fascistas, mas sim de pés-rapados como o tio do zap ou os caminhoneiros. Ele quer lidar dessa forma com a pessoa comum. Mas o fascismo não é nem nunca foi um movimento cujo responsável era a pessoa comum. Não importa o quão reacionária ela seja, em última instância ela não passa de um ingênuo manipulado pelos verdadeiros fascistas. E quem são os verdadeiros fascistas? É a própria burguesia, ou, como indica Lourenço, o “democrata”. Aquela mesma com a qual o Esquerda Online tanto promove a conciliação. Aquela classe que domina o regime, as instituições do Estado, a grande imprensa e as empresas e bancos.

Se há alguém que não podemos tolerar, esta é a burguesia. Se há alguém que nunca passará para o nosso lado, são os capitalistas. Qualquer outra classe social pode sim passar para o nosso lado. Não entender isso significa fracassar eternamente na luta pelo socialismo.

Os bolcheviques tinham como principal método, mesmo no auge do período revolucionário de 1917, o convencimento político. Sua principal arma para enfrentar o exército de Kornilov, em um primeiro momento, foi fazer propaganda entre os seus membros para explicar que os bolcheviques estavam do lado do povo e dos oprimidos, e que eles próprios eram oprimidos. Resultou que, em uma determinada batalha, o exército se desmobilizou e não combateu os bolcheviques. Venceram pelo convencimento. Os soldados que passaram para o lado da revolução, que travavam a I Guerra Mundial, também foram convencidos pela propaganda bolchevique que chegava ao front. Se Lourenço estivesse na Rússia à época, diria que aqueles pobres soldados eram bolsonaristas e um “lixo humano que deve ser combatido”.

Se os bolcheviques tivessem seguido a mesma linha torta de raciocínio do autor aqui referido, nunca teriam feito a maior revolução que o mundo já viu. Nunca teriam mudado a história. Depois da experiência bolchevique, a esquerda na maior parte do mundo não conseguiu uma vitória semelhante também por não ter aprendido aquela lição de como tratar os pretensos inimigos e os verdadeiros inimigos. O stalinismo representou um enorme retrocesso ideológico e estratégico nas fileiras da esquerda, inclusive afetando autodeclarados trotskistas. Trótski seguiu Lênin e combateu essa concepção idealista que não leva em conta a luta de classes e pensa que “o seu vizinho é fascista”. A burguesia ri à toa com esquerdistas quebrando a cabeça com isso, preocupando-se em combater os pobres coitados que até mesmo gostariam de ser convencidos, enquanto permitem que os latifundiários, banqueiros e as instituições do Estado capitalista “passem a boiada”.


COTV

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