A luta política recente na América Latina se dá entre a classe operária e governos nacionalistas e os golpistas apoiados pelo imperialismo. O identitarismo entra ideologicamente nessa luta ao lado dos golpistas. No Brasil, isso ficou claro tanto pela esquerda quanto pela direita. A esquerda identitária é toda anti-Lula e a direita identitária, o PSDB, foi a base do golpe de Estado. Mas na Bolívia e no Peru, o identitarismo golpista foi levado ao extremo: em ambos os países as vice-presidentas serviram de testa de ferro para os golpes de Estado.
Na última quarta-feira, no Peru, o Congresso Nacional derrubou o governo de esquerda de Pedro Castillo e assumiu a sua vice, Dina Boluarte. A embaixada dos EUA, a polícia, a Suprema Corte e a imprensa burguesa brasileira todas apoiaram o golpe. Agora esses mesmos setores destacam o fato do Peru ter a sua presidenta mulher, é um caso extremo de utilização do identitarismo para atacar os trabalhadores. O que é mais importante, o fato da presidência estar nas mãos de um golpista ou que esse golpista é uma mulher?
Na Bolívia, o mesmo aconteceu em 2019. O presidente Evo Morales foi derrubado e assumiu a presidenta do Senado, Jeanine Áñez. A primeira mulher presidenta da Bolívia assumiu com um golpe militar que derrubou o presidente eleito, era ligada diretamente ao governo dos EUA e às milícias fascistas organizadas para atacar os sindicalistas e movimento indígena da Bolívia. Mesmo assim, a campanha foi a mesma, usar a mulher para justificar a opressão de todo o povo boliviano.
No caso peruano, a nova presidenta golpista já assumiu um discurso contra a corrupção. Ela afirmou que sua pauta principal é lutar contra “as estruturas corrompidas por máfias no interior do Estado”. A questão da corrupção também é conhecida pelos brasileiros como ponta de lança do golpismo, no caso peruano ela deverá ser usada para expurgar todos os setores ligados a Castillo, a esquerda e ao nacionalismo peruano, do governo. O próprio presidente foi destituído por “incapacidade moral permanente”, uma acusação de corrupção.
O interessante é que nunca aparece um identitarismo nacionalista. Os mesmos que elogiaram Áñez e agora Boluarte são os que atacavam violentamente a presidenta Dilma e agora Cristina Kirchner na Argentina. O identitarismo é comprovado na prática como base ideológica da política do imperialismo, serve para controlar a esquerda, a desviando da luta dos trabalhadores, e também como apoio para governos pró-imperialistas em todo o planeta. É o caso do governo Boric, o exemplo mais bem acabado do identitarismo no governo na América Latina.
O caso do Peru também é um alerta vermelho para aqueles que consideravam a vitória eleitoral de Lula como algo acachapante. A verdade é que foi uma vitória importante, porém não total, pois o golpismo no continente ainda corre a todo vapor. Lula terá um desafio semelhante a Pedro Castillo. Ele, ainda assim, tem uma arma muito mais poderosa, a classe operária. Contudo, ela apenas tem força por meio de sua mobilização.





