A crise mundial do capitalismo, ao contrário dos que dizem setores conservadores e pequenos burgueses da sociedade, não é um simples processo cíclico, mas de fato um processo materialista histórico, linear e decadente do sistema atual. Por vezes, mesmo diante da crise, a classe operária apresenta um refluxo, contudo naturalmente se colocam na oposição diante da situação calamitosa que os capitalistas impõem e pode dali nascer as tantas revoluções que o mundo já viu. É a luta de classes no seu aspecto mais natural e visível da situação.
A Inglaterra que depois de 1947, quando na obrigação abriu mão da Índia, com o próprio Churchill acusando o golpe quando dizia que os Bretões nunca mais seriam os mesmo sem essa colônia enorme, entra numa situação de crise espiral. A economia industrial Inglesa já foi quase toda destruída, e por muitos anos a sustentação inglesa se dá por meio da especulação bancária. Aprofundando a crise, através de manobras eleitoreiras já muito conhecidas, em um suposto plebiscito, foi aprovado o Brexit: significando BRitain (Reino Unido) EXIT, ou seja, a saída da Inglaterra do bloco da União Europeia que de fato aconteceu em 31 de Janeiro de 2020. A saída, apoiada e efetuada pelo governo de extrema-direita de Boris Johson, refletiu um aprofundamento da crise Inglesa, criando um isolamento maior da sua já fraca economia industrial.
Inglaterra que por anos vive uma sequência de crise, vê a classe operária sair do refluxo e se colocar na dianteira do movimento e iniciam-se movimentos grevistas intensos pela Europa. Mais de 600 trabalhadores do Porto de Liverpool, no dia 23, iniciaram uma greve de duas semanas. Os trabalhadores rejeitaram a proposta patronal de um aumento de 11%. Também o Sindicato dos Trabalhadores de Comunicação fizeram algumas rodadas de greves de 24h na Inglaterra. Em novembro, já existe a programação para diversos setores dos trabalhadores dos trens fazerem greves em alguns dias específicos. A previsão é que apenas liberem menos de 20% da frota nos horários de pico.
O ensino superior inglês pode ser levado a “uma paralisação completa” antes do Natal, depois que os trabalhadores das universidades votaram a favor de uma ação de greve em duas cédulas nacionais sobre salário, condições de trabalho e pensões. Mais de 70.000 funcionários de 150 universidades podem entrar em greve, após o comparecimento dos membros do Sindicato das Universidades e Faculdades Inglesas ter ultrapassado o limite de 50% de votos em ambas as cédulas e mais de oito em cada 10 dos que votaram disseram sim à greve. O sindicato relatou que foi uma vitória “impressionante” e pediu que a burocracia universitária revisse a mesa de negociações e melhorassem suas ofertas se quiserem evitar uma interrupção generalizada nos campus em todo o país, seja este ano ou no início do próximo. A oferta de 3% de aumento é considerada um deboche frente a inflação que está corroendo os salários dos trabalhadores ingleses.
A situação mostra uma tendência geral de mobilização na Europa, visto que semelhante acontece em países como a Alemanha. Relatos falam que na Áustria os mercados estão tendo que colocar etiqueta de segurança em alimentos como manteiga, visto que diariamente estão sendo furtados pela população austríaca em crise.
É notório que o movimento do país inglês colocará em marcha todo outro setores de trabalhadores ingleses, e se inicia uma nova perspectiva de luta na Europa. Os governos não têm uma alternativa real para a crise e ainda vão aproveitar a recessão para diminuir a força dos sindicatos. É um ponto de inflexão sutil que poderá inverter a relação de forças e criar situações pré-revolucionárias para os ingleses. É um momento importante também para dar uma guinada à esquerda do partido trabalhista inglês e retomar a luta política dentro do parlamento.
É nessa exemplo que no Brasil devemos organizar os trabalhadores nos seus sindicatos e lutar para que estes saiam do refluxo que a sua burocracia o jogou. A situação na frente é muito perigosa, e mesmo com uma vitória do Lula, a pressão deve ser grande para um endireitamento do PT. Os trabalhadores aqui, devem seguir e aprofundar o exemplo dos trabalhadores britânicos, que se veem diante de uma das maiores crises inglesas e verão umas das maiores crises mundiais do capitalismo.




