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Análise Política na COTV

Aprofundar a guinada à esquerda na campanha de Lula

Presidente do PCO falou a respeito da campanha eleitoral, da polarização, das pesquisas eleitorais e da guinada à esquerda da campanha de Lula.


No programa Análise Política da Semana, exibido ontem, o companheiro Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) falou a respeito do segundo turno das eleições e sobre a situação internacional. A Análise está disponível no YouTube, no canal da Causa Operária TV (Reserva). 

Balanço da Conferência Nacional do PCO

Trazendo o que foi discutido na Conferência Nacional do PCO, o companheiro Rui ressaltou que as eleições representaram o esvaziamento do centro político. Inclusive, o MDB considera se fundir a outros partidos e deixar de existir, o que representa a crise terminal desses partidos do centro democrático.

Além disso, as eleições representam algo muito maior: a falência do regime político constituído na Nova República, regime de aliança entre a oposição consentida e os partidos da ditadura militar, é representada pela falência dos partidos de centro que os representam. Mas muito mais que um fim jurídico, meramente formal do ponto de vista jurídico, essa falência dos partidos de centro representa um fim real, na correlação de forças sociais, do regime político, um esgotamento real desse regime.

Se o Bolsonaro ganhar, esse esgotamento se dará de modo muito mais acelerado, colocando de maneira mais clara o problema da Constituição e das bases do regime político. Muito possivelmente, sem chamar uma Assembleia Constituinte, mas fazendo alterações através da maioria do Congresso, principalmente no STF.

Se Lula ganhar, o esgotamento do regime político continuará colocando em questão a derrubada do regime político, visto que ele não terá nem de longe a maioria para governar e o regime político continuará em crise. Portanto, a esquerda têm de se adiantar a situação e lançar uma campanha em defesa de uma Assembleia Constituinte e em defesa do fim do regime político atual, que foi um pacto político com a Ditadura Militar; tal campanha deve levantar as principais reivindicações dos trabalhadores, como a nacionalização do petróleo, o aumento do salário mínimo, etc.

Polarização

A polarização é um aprofundamento da luta de classes. Do lado de Bolsonaro, está a burguesia de conjunto – por exemplo, na questão do petróleo, sua política é a de entrega completa da Petrobrás. Do lado de Lula, está a classe operária, os setores da pequeno-burguesia democrática e a camada pobre do povo; apesar de que a estratégia do PT seja confusa, não dê uma expressão consciente à polarização e, ao contrário, procure resolvê-la, trazendo para si um grupo de políticos burgueses, o Lula não agrupa os setores da burguesia imperialista. A situação política, portanto, fica turva por conta dessa estratégia equivocada do PT, mas o seu conteúdo real é o seguinte: Lula, com toda confusão que a estratégia eleitoral do PT trouxe, agrupa a classe operária e os trabalhadores – como a vitória na cidade de São Paulo representou –, Bolsonaro agrupa a burguesia e ganhou em todo o resto do estado de São Paulo – onde o peso da burguesia é maior. 

A respeito das fraudes dos institutos de pesquisa, foi explicado porque houve manipulação contra Bolsonaro. Ela ocorreu para evitar o crescimento do ímpeto bolsonarista, que levou grande parte do país nas eleições, que poderia acabar resultando em Bolsonaro ganhar no primeiro turno de lavada e, com isso, com um grande capital político.

Além disso, pesquisas como o antigo IBOPE deixaram de existir. O IBOPE virou IPEC, que faz a pesquisa eleitoral, enquanto o IBOPE segue dissociado das pesquisas eleitorais e segue fazendo pesquisas comerciais; já o DataFolha, demitiu todos os seus diretores. Tudo isso indica como a fraude foi premeditada: o que já é óbvio, afinal, as pesquisas são controladas pela burguesia e expressam o interesse de manipular a opinião pública.

Por que a terceira via não foi para frente?

Não é que a burguesia não tenha conseguido emplacar a terceira via, até porque, a burguesia consegue impulsionar qualquer candidato para ter pelo menos 20%, como foi com Fernando Collor em 1989. O que aconteceu é que a burguesia desistiu de lançar a terceira via na última hora, porque o voto da terceira via viria dos votos do Lula, o que colocaria o Bolsonaro em amplíssima vantagem, podendo vencer no primeiro turno e ganhar em ainda mais estados do que tinha vencido.

A burguesia precisa controlar Bolsonaro, visto que qualquer pessoa com tanto poder quanto Bolsonaro conseguiu – e que poderia ter conseguido ainda mais – é um problema para o grande capital. Para a burguesia, não pode haver nenhum político independente – nem mesmo com uma independência política relativa em relação a ela. Foi para segurar Bolsonaro no primeiro turno que a burguesia abandonou a terceira via; no entanto, para o segundo turno, a burguesia abandonou os ataques ao Bolsonaro e partiu fundamentalmente para o apoio ao Bolsonaro.

A guinada à esquerda da campanha do Lula

Lula começou a fazer grandes atos vermelhos para o segundo turno, abandonou a ciranda da Janja, deixou o Alckmin totalmente de fora e foi para bairros populares fazer a campanha – como foi o comício de Lula no Complexo do Alemão. Isso indica que Lula está buscando o apoio dos trabalhadores e do povo pobre, que é o apoio natural da esquerda – mas que, justamente por isso, precisa ser buscado, visto que o Lula perdeu em diversos bairros pobres –, e não está atrás da classe média. Até porque, a pressão de Bolsonaro é essencialmente em cima da classe média; ademais, a campanha da imprensa que era dirigida contra Bolsonaro e era voltada à classe média, arrefeceu totalmente.

No entanto, essa guinada à esquerda é profundamente associada ao Lula, mas não tem encontrado correspondência em outros setores do PT. A falta de materiais de campanha do PT, como panfletos, é um sinal negativo de como o restante do PT está levando adiante a campanha eleitoral. Os militantes que defendem a vitória de Lula devem seguir o exemplo do ex-presidente e ir aos bairros operários fazer campanha em defesa da eleição de Lula. É preciso fazer a campanha eleitoral nos bairros como a Cidade Tiradentes, Complexo do Alemão, etc. e conquistar o voto do povo pobre, que é o apoio fundamental de Lula. Além dos atos públicos – que são importantes –, é preciso ir às ruas para virar o voto popular. E o PT deveria produzir uma grande quantidade de material para o pessoal ir às ruas e discutir politicamente com os trabalhadores, com panfletos por exemplo.

Contra Tebet e sua ideia de ir de branco: ir de vermelho

A esquerda não deve se disfarçar ou abandonar sua fisionomia política para atrair o conjunto do povo – ao contrário, isso é adotar uma campanha despolitizada e antioperária. O verde-amarelo é a cor do bolsonarismo e da extrema-direita. A política de se camuflar de neutros não é a política correta; a política correta, no momento de polarização, não é tentar desfazer a polarização, mas, sim, impulsionar de maneira consciente a polarização. O país está dividido, e a esquerda deve aproveitar a ocasião para crescer politicamente e desenvolver uma luta política intensa contra o bolsonarismo.

Além do mais, ninguém deixará de ir ao ato se as pessoas estiverem de vermelho. As pessoas vão para o ato público se estiverem convencidas – e, se não estiverem, não vão. A esquerda deve, ao invés de camuflar sua política, impulsioná-la e, com isso, atrair a grande massa de trabalhadores revoltados com o regime político golpista.

A Análise pode ser acessada na íntegra através deste link:


COTV

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