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A esquerda brasileira está em processo de “tucanização”


Por meio da votação mais acirrada de toda a história da República brasileira, Lula venceu as eleições de 2022, reservando o seu lugar, no ano que vem, no Palácio do Planalto. Sua campanha, no segundo turno, adquiriu um caráter popular, uma guinada muito significativa à esquerda quando comparado com o primeiro turno. Sua vitória, portanto, foi de encontro com os interesses da burguesia que, como ficou evidente com a enorme operação fraudulenta de compra de votos, coação eleitoral, operações da PRF etc., estava do lado de Bolsonaro.

Os capitalistas falharam em impedir que Lula voltasse ao poder. Isso não muda o fato, entretanto, de que a crise do imperialismo aumenta a cada dia que passa, colocando o grande capital em direto confronto com a política nacionalista de Lula. Logo, a burguesia precisa agir para assegurar seus interesses e, na ausência de um golpe direto, algo que carece de indicações concretas agora, precisa intervir de maneira mais amena na situação política.

O resto da América Latina indica que o imperialismo procura, justamente, infiltrar a sua ideologia na esquerda para controlar os ânimos dos trabalhadores. O caso Boric é modelo disso, afinal, se diz de esquerda enquanto governa de maneira reacionária contra o povo chileno. No Brasil, não é diferente e, de maneira geral, a esquerda pequeno-burguesa vem adotando posições cada vez mais direitistas.

As eleições deste ano mostraram bem isso. Ao estilo bolsonarista, a esquerda teve como política central, durante a campanha de Lula, não as reivindicações que importam para a classe operária, como emprego, alimentação e moradia, mas questões meramente morais, como o canibalismo e a pedofilia. Mais adiante, após o caso Roberto Jefferson, começaram a denominá-lo de “bandido” e “terrorista”, alcunhas típicas da direita. Agora, com atos bolsonaristas surgindo em todo o País, vemos o mesmo padrão.

Frente aos bloqueios dos caminhoneiros a rodovias ao longo do território brasileiro, setores da esquerda começaram uma campanha para que as forças policiais e o judiciário atuassem de maneira repressiva para acabar com as manifestações bolsonaristas.

Gloria Trogo, por exemplo, em artigo intitulado Pra cima deles! Nenhuma tolerância com os bloqueios de estradas!, defende que a polícia não tenha dó com eles, afirmando que deve haver repressão. Política que, nem por engano, representa os interesses dos trabalhadores. Já Paulo Moreira Leite, colunista do jornal Brasil 247, afirma praticamente o mesmo em artigo de nome É preciso investigar o golpe e punir os responsáveis.

Antes, é uma defesa típica não dos bolsonaristas, principalmente, mas sim, dos tucanos, que tiveram como sustentáculo de seus governos, seja em âmbito federal, com FHC, seja em âmbito estadual, com Dória, as polícias militares e suas ações sanguinolentas. Então, cabe a pergunta: o que diferencia a posição da esquerda pequeno-burguesa da defendida pelo PSDB?

Ou seja, por várias frentes, fica claro que existe um processo ativo de “tucanização” que está infiltrando as ideias coxinhas e reacionárias da burguesia “limpinha e cheirosa” na esquerda brasileira. Esse problema aparece, também, em relação a Lula, no qual existe uma tentativa de colocar gente de direita em seu governo. Ao mesmo tempo, a imprensa burguesa, seguindo esse avanço da direita dita democrática na esquerda, tenta pressionar Lula a adotar políticas cada vez mais neoliberais, como a aceitação ao teto de gastos e às reformas do governo Temer.

Finalmente, com a polarização crescente no País, o centro político está em vias de pulverização. O PSDB, principal representante desse setor, foi praticamente varrido do mapa após as eleições deste ano. O partido está prestes a ser extinto e, com isso, seus membros procuram alternativas para se salvarem. Para esse fim, vale tudo, inclusive ir à esquerda com um disfarce democrático, como foi o caso de Alckmin, que tenta reviver o PSDB de São Paulo dentro do PSB.

É um desmanche também ideológico, que procura abrigo nos elementos mais direitistas da esquerda. Uma operação que, no final e principalmente agora, visa infiltrar o PSDB no governo Lula para impedir que este leve adiante um governo baseado nas reivindicações dos trabalhadores, e não dos banqueiros.

Não podemos deixar que o PSDB encarne na esquerda. Ela deve, acima de qualquer coisa, defender os interesses dos trabalhadores, algo impossível caso defenda, também, os interesses do centro democrático. É uma contradição que, no final, acabará favorecendo a burguesia que, historicamente, “come pelas beiradas”, avançado com a sua política gradualmente.

Por isso, é imprescindível que a esquerda defenda seus princípios políticos e abandone o oportunismo, considerando, sempre, os interesses de classe por trás de cada situação. O combate contra o bolsonarismo não deve se dar por meio dos métodos da burguesia, pois é algo que apenas aproxima o povo da extrema-direita, uma das principais causas, inclusive, do próprio bolsonarismo.


COTV

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