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Fábio Picchi

Militante do Partido da Causa Operária (PCO). Membro do Blog Internacionalismo e do Coletivo de Tecnologia do Partido da Causa Operária. Programador.

"Twitter files"

A censura nas redes sociais é mais simples do que imaginávamos

O bilionário Elon Musk, novo dono do Twitter, tornou público documentos que comprovam ingerência externa na plataforma


Há pouco mais de um mês, o suposto homem mais rico do mundo, Elon Musk, assumiu o controle de uma das maiores redes sociais do planeta, o Twitter. A compra da empresa, no valor de mais de US$54 bilhões, tem origem num “blefe” do famoso executivo – conhecido por suas posições extravagantes. O dono da Tesla e da SpaceX prometeu que, sob sua direção, a plataforma seria mais “democrática”. Musk fez declarações em defesa da liberdade de expressão na plataforma e demonstrou publicamente sua intensão de comprá-la, o que foi efetivamente forçado a fazer, apesar de ter desistido no começo do ano.

Para encurtar a história, as autoridades norte-americanas obrigaram o bilionário a dar o lance porque sua proposta, naturalmente, teve um amplo efeito especulativo no valor das ações do Twitter. Parece que até mesmo o selvagem mercado financeiro norte-americano está sujeito a um certo conjunto de regras.

Desde que Musk assumiu o controle da rede social, centenas de profissionais foram demitidos. Outras centenas demitiram-se em processo. Esse seria o expurgo “woke“, isto é, o expurgo dos identitários que, segundo Musk, estavam controlando o que podia e o que não podia ser dito na plataforma, silenciando vozes da “direita” e dando espaço para ideias de “extrema-esquerda”.

Musk diz querer construir uma plataforma que “sirva aos 80% de usuários de centro”. Para o bem de seus investidores – com os quais não temos muita simpatia – espero que o bilionário saiba mais sobre administração de empresas do que aparenta saber sobre política.

Apesar de sua proposta, a censura nas redes sociais não sofreu uma modificação significativa. Musk prometeu restaurar as contas de diversos usuários que haviam sido banidos, como o ex-presidente norte-americano Donald Trump e o famoso rapper Kanye West. Ainda assim, West já teve sua conta suspensa novamente por suas falas absolutamente delirantes sobre o nazismo.

Musk se esconde atrás da Lei. Não sabemos exatamente qual, já que ser louco, até onde se sabe, não é um crime.

Mas se a política arbitrária de banimentos e suspensões continua em vigor, Musk conseguiu desviar a atenção do público para essa contradição com uma das mais importantes revelações dos últimos tempos. O executivo abriu ao público um amplo acervo de documentos, comunicações internas realizadas entre ex-funcionários do Twitter, realizadas ao longo dos últimos anos. O conteúdo cobre, especialmente, o período que antecedeu as polêmicas eleições norte-americanas de 2020.

Segundo o jornalista Matt Taibbi, que apenas começou a debruçar-se sobre o vasto conteúdo, “em 2020, pedidos de atores conectados para deletar tweets eram rotineiros”. Como prova, Taibbi mostra um e-mail onde um funcionário do Twitter envia a outro uma lista de perfis com as seguinte mensagem: “mais para ser analisado, da equipe de Biden.” A resposta é direta: “demos conta desses”.

A censura, naquele contexto, conduzida especialmente por setores associados ao Partido Democrata (“extrema-esquerda”, segundo Musk!) contra a ala trumpista do Partido Democrata, era realizada de forma mais simples do que imaginávamos. Na era da inteligência artificial, da censura das massas feita de forma impessoal através dos “algoritmos” que determinam o que é e o que não é relevante, o bom e velho empastelamento realizado por autoridades políticas ainda está em vigor. O mais escandaloso, neste caso em particular, é que o partido político que não estava no controle do Poder Executivo norte-americano tinha mais autoridade sobre o Twitter que o próprio mandatário do país.

Musk abriu uma caixa de Pandora. Será que finalmente saberemos a verdade sobre o famoso laptop do filho do atual presidente norte-americano Joe Biden? O tradicional jornal nova-iorquino The New York Post teve sua conta na plataforma suspensa por sua reportagem sobre o conteúdo do laptop. O que mais aprontaram durante aquelas eleições?

Independentemente disso, a censura deve continuar no Twitter sob Musk. Seus objetivos políticos ainda não são plenamente claros, mas a revelação da infiltração democrata no Twitter mostra que o bilionário quer comprar uma briga contra a ala guerreira do imperialismo que busca domar as grandes empresas de tecnologia – como as que Musk controla – para atuarem segundo a sua política. Para nós, essa disputa no interior da burguesia imperialista oferece munição pesada contra o imperialismo e sua política de repressão no mundo real e no virtual.

Ainda há muito para ser analisado no que Musk publicou, mas uma coisa é certa: a semana promete.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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