Na França, a taxa de ocupação dos leitos nas unidades de terapia intensiva (UTIs) na região de Île-de-France (Paris) chegou a 83,7%. Por essa razão na última segunda-feira (08/03) a Agência de Saúde (ARS) da região parisiense através do seu diretor-geral, Aurélien Rousseau pediu aos hospitais a suspensão parcial das operações programadas uma vez que os casos de COVID-19 encontram-se em crescimento.
O pedido do diretor-geral da ARS consiste em suspender 40% das intervenções médicas e cirúrgicas sem relação com a COVID-19. Os hospitais privados estão incluídos no pedido. Ele declarou que o número de casos tem aumentado nos últimos quinze dias sendo que o número de internações diárias é de 70 a 80 com poucas altas de pacientes intensivos.
A suspensão das operações proporcionará que 1.577 leitos estejam disponíveis para o tratamento da COVID-19 no lugar dos 1.127 disponíveis até então e que se mostram insuficientes para atender a demanda. No próximo fim de semana os postos de vacinação permanecerão abertos. Cinco milhões e meio de doses das vacinas Pfizer/BioNTech, Moderna e AstraZeneca já foram aplicadas naquele país. O governo francês diz que pretende vacinar 30 milhões de pessoas até o final do verão (23 de setembro). Os números da pandemia na França para 10 de março de 2021 são de 3.992.759 infectados, 89.455 mortos e 274.331 restabelecidos.
Um centro de estudos canadense, Instituto MacDonald-Laurier do Canadá mediu o “índice de sofrimento” com relação à COVID-19 com dados recolhidos em 15 países desenvolvidos. Entre os 16 tipos de dados coletados estão as hospitalizações por conta da pandemia, as mortes, as restrições a uma vida normal, o aumento do desemprego e da dívida pública.
A França figurou como 13ª colocada nesta pesquisa à frente apenas da Espanha e o Reino Unido. As estatísticas da pandemia considerando-se a proporcionalidade da população não são muito melhores que as do Brasil. Nas últimas semanas, a França tem sido palco de vários tipos de manifestações muitas delas violentas que demonstram a existência de um descontentamento geral da população. Estas vão de brigas de gangues a manifestações dos “Coletes Amarelos”, passando por agressões a policiais, manifestações feministas, reivindicações salariais e manifestações de desagrado com as medidas restritivas por conta da pandemia da COVID-19.
O clima geral é de insatisfação e tensão, e o que se percebe é uma grande incapacidade do governo em dar respostas para a crise instaurada que não é apenas uma crise sanitária. É uma crise do sistema capitalista que há muito parou de funcionar, e encontra-se em estado de decomposição. Por outro lado, como em outros lugares, na França a resposta da oposição de esquerda ainda é incapaz de se apresentar como força que unifique os diversos setores que de maneira fragmentada tem saído às ruas para manifestar o seu descontentamento.




