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Receita para a derrota

Os trabalhadores não devem aceitar a imposição de Alckmin vice

Centrais pelegas e de brinquedo, uma máfia a serviço dos golpistas, decidiram se rastejar aos pés do criminoso ex-governador de São Paulo


Por mais que a presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffman, tenha dito, no programa Giro das 11, na TV 247, que “não há nenhuma discussão no partido sobre o vice para Lula”, o assédio da burguesia em torno do nome de Geraldo Alckmin (PSDB) é monumental. Nascida de uma fofoca da Folha de S.Paulo, a possibilidade de aliança entre Alckmin e Lula chegou, ao fim desta semana, como um dos assuntos mais comentados da política nacional.

Da direção do PT e do próprio Lula, não houve qualquer confirmação de que Alckmin teria sido escolhido como o candidato a vice do petista para as eleições de 2022. Não houve, contudo, qualquer refutação enfática, o que só fez com que os articuladores da “frente ampla” entrassem em ação e ganhassem terreno.

O PSB, partido indicado pela burguesia para servir de guarda-chuva para Alckmin, deu várias declarações no último período demonstrando a sua empolgação com a suposta aliança. Alckmin, falido politicamente, não esconde que quer faturar em cima do prestígio de Lula. E como se não bastasse o assédio da imprensa burguesa, do PSB e de Alckmin, a máfia das chamadas “centrais sindicais”, composta por um conjunto de grupelhos que se opõem à CUT e que se dedicaram a referendar toda a política da direita golpista nos últimos anos, já embarcou na campanha pró-Alckmin.

Pisando na cabeça dos trabalhadores que essas centrais de brinquedo dizem representar, Força Sindical, CTB, UGT e outras se reuniram com o ex-governador de São Paulo. A reunião é uma espécie de aval: Geraldo Alckmin pode vir para o PSB e ser vice de Lula que as organizações que “representam” os trabalhadores o irão apoiar.

Felizmente, esses senhores, que muito se assemelham aos caciques das legendas de aluguel, não expressam em nada o sentimento das massas. O fato de que a CUT não participou do encontro não é puro acaso: as suas bases, que são filhas de um movimento operário poderoso e pulsante, estão radicalizadas e não vão aceitar uma traição como essa. Ciro Gomes, que é apresentado como “centro-esquerda” pela imprensa golpista, foi vaiado e hostilizado no ato de 2 de outubro por essas bases. Já o PSDB, que é a face mais bem acabada do golpe de Estado de 2016, apanhou dos aguerridos militantes da CUT.

A essa altura do campeonato, já não é possível negar que há uma campanha dos donos do golpe — a Rede Globo, os monopólios e os banqueiros — para impor Alckmin à candidatura de Lula. O objetivo, ao contrário do que creem os mais incautos, não é chegar a um “acordo” com Lula, pois isso equivaleria a um acordo com as massas, que são incapazes de aceitar qualquer acordo que o imperialismo queira fazer. O objetivo é colocar um embuste, um cidadão odiado por todo o País, para que, assim, os trabalhadores desistam de lutar pela candidatura de Lula. Afinal, se é para repetir, de forma piorada, o desastre de 2014, quando Michel Temer foi escolhido de vice, por que o povo sairia às ruas como o saiu o povo insurrecto do Chile em 2019?

É papel da esquerda e de todas as organizações da classe operária, portanto, travar uma luta no sentido oposto. Se a burguesia está usando os seus meios para impor Alckmin, é preciso que os trabalhadores encontrem os meios para fazer uma campanha ainda mais poderosa contra esse farsante, genocida, capacho dos banqueiros e amante da repressão. É preciso ir de porta em porta, estampar sua cara em milhões de panfletos e gritar no carro de som: “Fora Alckmin golpista! Por um governo dos trabalhadores, com Lula presidente e vice trabalhador!”.

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