Pedro Burlamaqui

Editor e colunista do Diário Causa Operária. Militante do Partido da Causa Operária (PCO) e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). Estudante de Jornalismo na Universidade de Brasília (UnB)

Coluna

Governo Lula não tem autoridade para chamar Eduardo Bolsonaro de traidor da pátria

Encontro com sionistas escancarou a submissão do Estado brasileiro perante criminosos de guerra

A reunião do governo Lula, chefiado naquele momento por Geraldo Alckmin, presidente em exercício, com representantes do sionismo no Brasil, é mais uma capitulação diante do lobby sionista.

O encontro foi apresentado pelo governo como uma iniciativa inédita para discutir o combate ao antissemitismo. Participaram, pelo governo, Geraldo Alckmin, presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Gleisi Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais; Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania; Esther Dweck, ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos; Maria Laura, ministra substituta das Relações Exteriores, e Clara Ant, da Presidência da República. O problema, portanto, não está apenas no golpista Alckmin, mas em uma orientação geral do governo diante da pressão dos setores que defendem “Israel” no Brasil.

Desde a intensificação do genocídio em Gaza, a partir de 7 de outubro, o lobby sionista tem agido para empurrar o governo brasileiro cada vez mais para longe da defesa da Palestina. Seu objetivo é impedir que o Brasil adote uma posição efetiva contra o genocídio perpetrado por “Israel” e fazer com que o Estado brasileiro atue segundo os interesses do sionismo.

O Instituo Brasil-Palestina (Ibraspal) já denunciou vários casos em que a Polícia Federal atuou sob orientação direta do Mossad e de outros serviços de inteligência estrangeiros para impedir a entrada de palestinos no Brasil. Isso ocorreu independentemente de filiação partidária, orientação política ou mesmo da situação humanitária dessas pessoas.

Um dos casos mais evidentes foi o do dr. Muslim Abuumar, impedido de entrar no País por ação da Polícia Federal, a mando do Mossad. Um dos principais problemas do Brasil é justamente a infiltração de serviços de inteligência estrangeiros em órgãos como a Polícia Federal. Ao abaixar a cabeça para o grupo de pressão sionista, o governo permite que um Estado estrangeiro interfira no funcionamento do Estado brasileiro. Isso não atende aos interesses do povo brasileiro, mas aos interesses desse Estado e das forças políticas que ele representa.

Nesse sentido, trata-se de uma ação de lesa-pátria. É uma agressão à soberania nacional. Quem se reúne com os sionistas para ceder às suas pressões não tem autoridade política para chamar Eduardo Bolsonaro de traidor da Pátria. O caso é ainda mais grave porque envolve o próprio funcionamento do Estado brasileiro e sua submissão a uma potência estrangeira e a seus agentes.

Ao mesmo tempo em que o governo dispõe do seu tempo, inclusive o do presidente em exercício, para se reunir com figuras que defendem e promovem o genocídio em Gaza, ele não comparece de maneira séria às atividades convocadas para discutir a situação dos palestinos barrados no Brasil.

Foi o que ocorreu na audiência pública promovida na Câmara dos Deputados, junto com o deputado Daniel, do PT, para discutir justamente o bloqueio à entrada de palestinos no País. Na ocasião, foram feitos convites formais ao Ministério das Relações Exteriores, ao governo e à Polícia Federal.

Os representantes do governo e do ministério compareceram, fizeram discursos genéricos e sequer permaneceram para responder às perguntas dos presentes. A atitude da Polícia Federal foi ainda pior: nem mesmo enviou um representante para o evento, que era uma atividade oficial do Legislativo e, portanto, uma ocasião para prestar contas à sociedade brasileira.

Esse contraste revela a orientação do governo. Para receber representantes do sionismo, há disposição e tempo, até mesmo do presidente em exercício. Para responder às denúncias de perseguição contra palestinos, bloqueados na entrada do Brasil por influência de serviços estrangeiros, o governo se limita a evasivas ou ao silêncio.

A questão palestina não é um assunto secundário. O genocídio em Gaza é um dos maiores crimes políticos da atualidade. O governo brasileiro não pode, de um lado, fazer declarações formais em defesa do povo palestino e, de outro, aceitar que o sionismo dite a política do Estado brasileiro em relação aos palestinos que buscam entrada no País.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a deste Diário

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