A aprovação, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, do Projeto de Lei nº 106/2025 expôs mais uma vez o que é o PSOL. O partido que se apresenta como “socialista” não apareceu, na hora decisiva, para enfrentar uma lei feita sob medida para proteger o Estado de “Israel” das denúncias contra seus crimes na Palestina.
O projeto adota, no município, a definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, a IHRA. Segundo a reportagem publicada pelo Opera Mundi, o trecho mais grave do projeto é o inciso V do artigo 2º, que inclui entre as manifestações de antissemitismo ataques políticos contra “Israel”, como negar seu “direito de existir”, compará-lo ao nazismo ou aplicar ao Estado sionista critérios que, segundo o texto, não seriam aplicados a outros países.
A proposta foi aprovada em segunda discussão por 27 votos a 4. Os votos contrários registrados foram os de Tatiana Roque, Monica Benicio, Maíra do MST e William Siri. Dois vereadores do PT, Felipe Pires e Thainá de Paula, votaram a favor do projeto. Já Rick Azevedo e Thaís Ferreira, ambos do PSOL, não apareceram entre os votos contrários na votação derradeira.
Rick Azevedo, fundador do movimento VAT, procurou se defender nas redes sociais. Disse que o projeto foi apreciado “ao final da sessão, em votação simbólica”, quando ele já havia deixado o plenário para uma consulta médica. Breno Altman, do Opera Mundi, respondeu ao vereador nos seguintes termos: “a votação foi simbólica e o seu nome não está entre os votos contrários à infame proposta, ao contrário de outros vereadores”. Altman acrescentou que Azevedo “estava na Câmara neste dia, sabia da pauta, mas se ausentou sem se posicionar a respeito de tão relevante tema na votação derradeira”.
A pergunta feita por Altman resume o problema: “dada a gravidade do assunto, vereadores de esquerda não deveriam fazer um firme esforço para estar em plenário na votação definitiva de tal projeto, tentando bloqueá-lo ou, ao menos, se posicionando claramente em contrário, como outros colegas o fizeram?”
O projeto aprovado no Rio de Janeiro é parte de uma ofensiva internacional do sionismo para impedir a denúncia dos massacres cometidos contra o povo palestino. Uma lei desse tipo serve para transformar a defesa da Palestina em alvo de perseguição política.
Rick Azevedo se projetou nacionalmente como fundador do VAT, movimento Vida Além do Trabalho. A campanha foi apresentada como uma grande bandeira em defesa dos trabalhadores. Na realidade, é uma política patronal, centrada na escala 4×3, sem colocar no centro a redução geral da jornada sem redução dos salários.
Não por acaso, fórmulas semelhantes vêm sendo adotadas por patrões em países como o Chile, como forma de reorganizar a jornada sem atacar de fato a exploração capitalista. A verdadeira reivindicação operária não é uma mudança cosmética de escala. É a redução da jornada, com manutenção integral dos salários, contra a intensificação do trabalho e contra os interesses dos patrões.
Quando o assunto é uma campanha aceitável para setores empresariais e para as ONGs imperialistas, o PSOL aparece. Quando se trata de enfrentar o sionismo, defender a Palestina e combater uma lei de censura, desaparece.
O PSOL, mais uma vez, mostrou sua natureza. É um partido das ONGs, profundamente integrado à política imperialista. Sua retórica “progressista” serve para encobrir sua incapacidade de travar uma luta consequente quando os interesses do imperialismo estão diretamente em jogo.
No caso da Palestina, não há meio-termo aceitável. Ou se está contra o Estado sionista e sua tentativa de censurar a denúncia dos crimes contra o povo palestino, ou se ajuda essa política a passar.





