Historicamente, todo intempérie produzido dentro do sistema capitalista recai sobre os ombros do povo pobre e trabalhador, não importando a localidade, essa é uma máxima que parece sempre se repetir. Com a pandemia do novo coronavírus, não seria diferente. Contudo, da mesma forma que as desgraças afligem o povo operário, as benesses amparam apenas a burguesia. Com a ainda incipiente vacinação no Brasil, também não seria diferente.
Em Manaus, capital do Estado do Amazonas, o colapso do sistema de saúde evidencia uma logística de privilégios destinados à burguesia enquanto o povo morre asfixiado, devido a falta de oxigênio nos hospitais da cidade. Não bastasse a tragédia vivenciada pelo povo operário da cidade, a vacinação que começou no último dia 19/01 na cidade já é marcada por diversas queixas de fraudes e desvios, tendo sido paralisada uma vez após denúncias sobre vacinas terem sido destinadas à filhas de empresários, filhos de deputados e de prefeitos no Estado, além do sumiço de 60 mil doses da vacina Coronavac.
A situação da capital do Estado do Amazonas é tema frequente de diversos veículos de comunicação no país e no mundo, porém, mesmo sendo frequentemente noticiada, o principal debate em torno da realidade vivenciada por Manaus, e que quase nunca vem à tona, é o retumbante fracasso da política adota pelo poder público brasileiro perante a pandemia do novo coronavírus.
O modus operandi do poder público brasileiro para lidar com o avanço da pandemia de COVID-19 consiste em alguns fatores que são comuns para todas as unidades federativas do país. Enquanto promove, pelo menos em discurso, uma inviável política de isolamento social, pelo menos inviável para o povo operário que se abarrota nos transportes públicos precários, lotados, onde nem mesmo o uso de um escafandro seria suficiente para evitar o contágio, não impulsiona nenhum auxílio financeiro substancial para que o povo possa evitar ir às ruas para buscar seu sustento.
Em contrapartida, aumenta a repressão sobre o livre fluxo e movimentação da população, sem apresentar nenhum programa de melhoria de assistência médica pública, muito menos de transportes. Isso tudo, concomitante a uma incessante atividade da imprensa que demoniza as atividades básicas da população sem denunciar o escárnio que o povo operário é submetido diariamente para conduzir suas atividades laborais.
Em resumo, Manaus e todo o Estado do Amazonas enfrentam uma situação calamitosa em função do poder público, de mãos dadas com a burguesia, nada terem feito para conter o avanço do contágio do novo coronavírus. E agora, além de furarem a fila para vacinação, aumentam a repressão ao povo, restringindo o ir e vir da população mediante prisão por desobediência, como determina o Decreto 43.315 feito pelo Governo do Estado. Por fim, a culpa pelos mais de 200 mil mortos no país é jogada na conta do povo, não sendo responsabilidade do Estado e dos burgueses golpistas que controlam o poder público.




