A Análise Política na TV 247 desta terça-feira (04/05/2021) foi comandada por Leonardo Attuch, e o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, fez mais uma participação importantíssima para explicar o panorama político atual.
O programa ocorre toda terça às 16h na TV 247 com retransmissão da COTV. Abaixo está um resumo de alguns temas abordados no programa de hoje.
O ato de 1º de Maio convocado pelo PCO foi um êxito, começando a quebrar a inércia da esquerda. O ato teve cerca de 2 mil pessoas com participação da FNL (Frente Nacional de Luta), do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, do padre Júlio Lancelotti, entre outros movimentos, organizações e sindicatos.
O ato na Praça da Sé foi muito importante, ainda mais após a demonstração de força da extrema-direita com o ato anti-comunista, realizado logo depois, na Avenida Paulista. Serviu para que a data não fosse tomada totalmente pela direita nas ruas enquanto a esquerda ficava em casa. A avaliação do PCO é de que o ato foi muito bem recebido por muita gente, o que é benéfico para o partido e para a situação política. O ato foi uma resposta para muitas pessoas que querem sair às ruas e precisam da liderança de um partido político para chama-los às ruas.
Uma minoria está em casa, a maioria das pessoas está nas ruas trabalhando. Existe uma confusão, “[se você está incapacitado de sair às ruas por algum motivo] não quer dizer que você tem que ser contra que as pessoas que tenham a disposição e estejam capazes saiam. Uma coisa não tem a ver com a outra. As posições políticas não podem ter uma base individual. Se fosse assim, um branco não poderia defender uma injustiça contra o negro, um homem não poderia defender uma agressão contra as mulheres porque tudo teria uma base individual”. A burguesia manipulou essa tendência individualista, inclusive, de boa parte da esquerda, para criar a política do “não faça nada”.
“Um pouco antes do ato começar, uma organização distribuiu comida para as pessoas que estavam passando fome. Formou-se uma fila gigantesca. Vimos no centro da cidade a quantidade de gente morando na rua, é espantosa! É um índice da situação crítica, do ponto de vista social, que os brasileiros estão vivendo. Só no centro da cidade deve ter milhares de pessoas morando na rua. Gente que não tem casa, não tem comida, não tem nada. Alguns desses moradores de rua participaram do ato também. Eu como militante político me sentiria muito mal se tivesse que ficar em casa e não fazer nada em função do que está acontecendo no Brasil”.
Colômbia
A explosão social na Colômbia, um protetorado norte-americano, uma verdadeira base militar norte-americana, é mais um exemplo do caos social em que o continente se encontra. “Acho que vai acontecer no Brasil também. Estou um pouco surpreso que ainda não tenha acontecido no Brasil. (…) A hora que isso acontecer no Brasil – e eu já vi essas manifestações populares, elas são desenfreadas, elas não têm organização, não tem liderança nem nada, a esquerda se exime de liderar essas manifestações – elas tendem a atingir um caráter extremamente violento”.
As Forças Armadas se prepararam para essa eventualidade, mas somente essa repressão não irá conter a revolta. A Colômbia é um bom exemplo disso por ter uma repressão muito severa. A América Latina se tornou um gueto mundial. O imperialismo busca resolver seus próprios problemas, que são muitos, enquanto os países atrasados do continente, governados por capachos do imperialismo ficam aguardando o momento em que os poderosos enviarão a ajuda.
A mudança depende da classe dominante?
João Pedro Stedille afirmou que a mudança dependeria da classe dominante. Rui discorda: “se fosse assim seria um panorama de total desesperança. Depender de empresários que colocaram Bolsonaro no poder, da FIESP e dos banqueiros que alguma coisa mude. Lógico que não. Se depender deles não vai mudar nada. Na minha opinião é uma avaliação totalmente incorreta. (…) A tampa da panela tem que explodir pela pressão que vem de baixo, como está acontecendo em outros países. A esquerda não faz nada, isso dificulta, os sindicatos não estão na rua, não há agitação política, pelo contrário, todo mundo fala “fique em casa” enquanto o povo está morrendo, muita gente passando fome.
Respondendo uma provocação de uma internauta que disse “400 mil e nós temos que nos expor?”, Rui respondeu: “se você é médico, se você aceitou a incumbência de ser médico, você tem que colocar a sua cara para bater quando a situação estiver feia. Um médico tem que atuar em zona de guerra e no meio de epidemias. O militante político, – não o político tradicional, que fica no bem-bom enquanto o povo sofre – mas o militante político, militante ou dirigente sindical, o militante de esquerda que assumiu a responsabilidade ele tem que atuar. É uma obrigação como é a obrigação do médico”.
Bolsonaro e a política burguesa
“Queria ser o Bolsonaro nessa situação. Não tem oposição, não tem ninguém contra, somente pessoas na internet, o que não é nada. Não há mobilização dos sindicatos dos servidores contra a reforma administrativa, nem do sindicato dos Correios contra a privatização, não há mobilização dos sindicatos para exigir o auxílio emergencial. O PT está tentando fazer lobby no Congresso, mas lobby é coisa de político burguês. Se você realmente pensa que a reivindicação é essencial tem que botar o povo na rua, o povo está morrendo de fome, literalmente nesse momento, não é figura de linguagem”.
Não há como acreditar que a burguesia irá reverter os problemas da população por vontade própria. A esquerda brasileira vive elogiando o Biden sendo que sua única preocupação é se proteger da revolta da população pobre, negra e de trabalhadores que queimou, literalmente, diversas cidades norte-americanas. “Se ninguém tivesse queimado nada, a política dele seria muito diferente. (…) A burguesia não tem coração (…). Você acha que um banqueiro tem preocupação com o que está acontecendo no mundo? A única preocupação dele é se [o povo pobre revoltado] vai invadir a casa e cortar a cabeça dele. Fora disso e de perder dinheiro ele não tem outra preocupação.
Assista ao programa na íntegra na COTV:




